SEREMOS 2 BILHÕES DE IDOSOS EM 2050

O número de pessoas com mais de 60 anos saltará de 20% para 33% em 2050, passando dos atuais 670 milhões para 2 bilhões. Esta projeção  divulgada recentemente pelo Departamento de Assuntos Sociais e Econômicos da ONU mostrou também que a população mundial passará do pouco mais de 6 bilhões do que somos hoje, para 9,2 bilhões de habitantes. 

Ainda segundo a ONU o aumento da população equivalerá ao total de habitantes na Terra em 1950. As maiores taxas de crescimento devem ser registradas na Ásia e África.

Afeganistão, Paquistão e Nigéria deverão ter sua população triplicada. Enquanto que Itália, Alemanha e Japão deverão ter redução demográfica.

Esta mudança no quadro populacional deve provocar profundas alterações no comportamento do mundo. Precisamos estar preparados para atender  as necessidades dos mais velhos.

O ENVELHECIMENTO NO BRASIL

O Brasil é atualmente o sexto país do mundo em quantidade (números absolutos) de idosos: cerca de 18 milhões (9% da população). As projeções da OMS indicam que em 2019 o país terá 14% de idosos (cerca de 32 milhões acima de 60 anos) o dobro dos 7% de 2000.

O Rio e a capital brasileira com o maior número de idosos. Copacabana, bairro carioca com o maior índice de habitantes com mais de 60 anos (26%). Na Suíça, país europeu,o índice de idosos não ultrapassa os 20%.

Segundo as projeções mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgadas no ano passado, o Brasil contará com 64 milhões de sexagenários em 2050, dado que representará 12,33% da população. Os números são bastante expressivos, principalmente se considerarmos que em 2005 apenas 4,42% da população (16 milhões) tinham 60 anos de idade ou mais de idade.

O aumento da expectativa de vida do brasileiro, seu impacto na saúde física e mental e seus aspectos sociais e filosóficos foram debatidos durante o 2º Fórum da Longevidade, no Rio de Janeiro, patrocinado pela Bradesco Vida e Previdencia.

Nesta segunda edição do evento participaram como palestrantes Alexandre Kalache (doutor
em Saúde Pública pela Universidade de Oxford e, desde 1995, chefe do Programa de Envelhecimento e Saúde da Organização Mundial de Saúde), Eduardo Giannetti da Fonseca (economista, professor do IBMEC-SP e autor de Felicidade, entre outros livros); João Toniolo Neto (médico geriatra, professor da Unifesp e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia); e Mario Sergio Cortella  (filósofo e professor da PUC-SP).

Fato já consumado em nosso país, a longevidade é um tema que não se esgota e é de grande importância para a sociedade como um todo, e que deve perdurar pelas próximas décadas à medida que forem consolidadas as expectativas, com o aumento da concentração da população nas faixas etárias mais altas", afirmou Marco Antonio Rossi, Diretor Executivo da Bradesco Vida e Previdência .

O aumento da expectativa de vida do brasileiro vem reforçar um antigo conceito popular: cada um colhe aquilo que planta. A idéia permeia a visão do economista e sociólogo Eduardo Giannetti da Fonseca.  Segundo ele, as escolhas feitas hoje são decisivas para definir a qualidade de vida futura, em todos os setores. 

Ele argumenta que a longevidade nos leva a refletir sobre a juventude. É nesta a etapa da vida que fazemos escolhas que irão ter impacto sobre as décadas seguintes, até o final da vida.

Giannetti prevê uma mudança positiva com o aumento da longevidade: a diminuição do preconceito contra idosos. "A supervalorização da juventude vai ficar cada vez mais anacrônica porque as pessoas perceberão que deverão passa maior parte de suas vidas como adultos ou idosos", comenta.   

Segundo o Dr. Alexandre Kalache há alguns anos a população "lutava" contra o envelhecimento, mas, hoje, envelhecer é um bônus. Para ele, o aumento da longevidade, especialmente no Brasil, decorre principalmente do fato de os idosos estarem tratando mais da saúde do que da doença.  

O tempo passa rÁpido, entÃo ANDE

A prática regular de atividade física é um dos melhores caminhos na busca pela longevidade saudável. Lauter Nogueira, atual organizador do Triathlon nos Jogos Pan-Americanos de 2007 e que atuou, ainda, como consultor de esportes e qualidade de vida em grandes empresas disse que a caminhada e a corrida, adequadas a faixas etárias diferentes, são os melhores esportes para a promoção do equilíbrio físico, psicológico, hormonal e social.

Ele lembra que atividades como a natação e a hidroginástica, devido à carga de esforço mais suave, não são tão eficazes quanto a caminhada para garantir aos idosos o tônus muscular e o fortalecimento ósseo, sobretudo para prevenir a osteoporose feminina.

O hábito de caminhar ou de correr proporciona, também, a melhor administração do tempo. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), destinar 30 minutos diários à prática de uma atividade física,  durante a semana é suficiente para uma vida saudável. A melhor disposição física e mental resulta, também, na redução dos gastos com remédios.

Além de reforçar a disciplina, concentração e disposição, a partir de 17 minutos de atividade contínua, as gorduras localizadas começam a ser queimadas. Além das vantagens estéticas, a prática auxilia no controle dos níveis de colesterol e pressão arterial, do peso e diminui as chances de desenvolvimento de diabetes.

PESQUISAS NA ÁREA DE PREVENÇÃO
AO ENVELHECIMENTO PRECOCE

Sabe-se que o envelhecimento é um processo biológico que pode ser controlado. Há uma série de estudos afirmando que um estilo de vida saudável é uma das chaves da longevidade. Confira alguns deles:

1. CASE-SE. Segundo estudo publicado no Health Psychology Journal, dos Estados Unidos, as pessoas que se mantêm em longas e bem-sucedidas uniões têm uma expectativa de vida maior em comparação àquelas que se casam novamente ou terminam a vida divorciadas.(no entanto, ficar com a pessoa errada causa mais problemas de saúde).

2. EXPRESSE SUAS EMOÇÕES. Journal of Clinical  Psychology, da Inglaterra, publicou que aqueles que manifestam suas emoções por meio de alguma atividade artística, como cantar, escrever e pintar, são mais saudáveis do que as pessoas que não o fazem.

3. TENHA HORÁRIOS. Evite a prática de exercícios entre as 11 da manhã e a 1 da tarde. É quando a produção de adrenalina atinge seu pico. O sangue fica mais grosso do que o normal, a pressão arterial sobe e o batimento
cardíaco se eleva. Durante essas duas horas, é maior a probabilidade de uma placa de gordura se romperem um vaso, o que pode provocar derrame cerebral ou infarto no coração.

4. SEJA SOLIDÁRIO. Segundo estudo publicado na  revista Psychology Science, dar apoio físico ou emocional a outras pessoas reduz em até 60% o risco de morte prematura no idoso.

5. PREFIRA AS COMÉDIAS. O riso espontâneo promove a dilatação dos vasos e melhora o fluxo sanguíneo. Também reduz os níveis de adrenalina e cortisol no sangue e aumenta a liberação de endorfinas, hormônios ligados às  sensações de bem-estar e prazer e ainda emagrece. Estudos da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, concluíram que dar boas risadas por um período de dez a quinze minutos faz uma pessoa queimar, em média, 50 calorias.

6. USE O FIO DENTAL. De acordo com pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, a inflamação bacteriana da gengiva,
causada pelo acúmulo de resíduos alimentares entre os dentes, aumenta em 72% o risco de doença cardiovascular.

7. IMITE OS BRITÂNICOS. Beba chá. De acordo com o jornal Phytotherapy Research, o hábito  cultivado pelos ingleses pode ajudar no combate à doença de Alzheimer. Estudos indicam também que o consumo de chá reduz os riscos de câncer. O chá verde é o  que tem maiores benefícios.

8. LARGUE O CIGARRO. Fumantes regulares vivem, em média, dez anos menos do que um não-fumante. Cerca de 90% dos casos de câncer nos pulmões, a neoplasia que  mais mata no Brasil, estão relacionados ao tabagismo.

9. TENHA FÉ. Segundo o International Journal of  Psychiatry and Medicine, ter uma crença forte em algo ajuda a combater o stress e problemas emocionais.

10. BEBA COM MODERAÇÃO. Estudos mostram que o consumo diário de até duas taças de vinho deve fazer parte da receita para uma vida longa. Até a cerveja, quando consumida moderadamente, pode trazer benefícios à saúde, apontam pesquisas recentes.

11. COMA MENOS. Nos Estados Unidos, um estudo comparou cinqüentões que viviam de dieta com outros que consumiam, em média, 2 000
calorias por dia. A conclusão foi que o primeiro grupo teve uma expectativa de vida cerca de 30% maior, além de aparentar ser mais jovem do que os congêneres da mesma idade.

12. AREAS VERDES. Um estudo realizado por pesquisadores japoneses
concluiu que a expectativa de vida dos idosos que moram próximo a áreas verdes é maior do que a daqueles que vivem cercados de arranha-céus.

13. COMA VERDES. Vegetais verde-escuros, como espinafre, rúcula e brócolis, são ricos em ácido fólico, uma substância que ajuda a manter a integridade do DNA.

14. MANTENHA A MENTE ATIVA. Pesquisas mostram que a doença de Alzheimer tem maior incidência entre as pessoas com baixo nível de
instrução. Estudo publicado no New England Journal of Medicine relaciona a leitura, os jogos de cartas e de tabuleiro e as palavras cruzadas com a
redução do risco de demência em pessoas com mais de 75 anos.

15. TOME VITAMINAS. Cápsulas de vitamina C são  as mais indicadas. Seu consumo ajuda a prevenir a degeneração macular, que afeta 3
milhões de brasileiros e é a maior causa de cegueira em pessoas com mais de 50 anos. Consulte seu médico sobre adosagem.

16. CURTA O CHOCOLATE. Em pequenas quantidades, ele pode ser benéfico à saúde. Segundo estudo do King's College, de Londres, a quantidade de flavonóides encontrada em 50 gramas de chocolate é equivalente à de
seis maçãs, duas taças de vinho ou sete cebolas. Os flavonóides têm sido apontados como importantes armas no combate aos radicais livres.

17. DE PREFERÊNCIA AOS PESCADOS. Peixes de água profunda, como salmão e anchova, são ricos em ômega 3. Esse poderoso antioxidante, segundo o jornal da Associação Médica Americana,pode reduzir
em até 81% o risco de morte súbita no homem.

18. FAÇA SEXO. A atividade sexual traz sensações  de prazer e bem-estar, combate o stress, aumenta a auto-estima e ainda queima calorias. Estudos mostram que as pessoas sexualmente ativas são mais saudáveis. Segundo
a OMS, o sexo é um dos quatro pilares da qualidade de vida, ao lado do prazer no trabalho, da harmonia familiar e do lazer.

19. SEJA OTIMISTA. Após dez anos estudando como a personalidade de uma pessoa pode influir no aumento ou na diminuição da expectativa de vida, pesquisadores holandeses concluíram que ter uma atitude positiva pode diminuir em até 55% o risco de morte prematura.

20. NÃO PULE O CAFÉ-DA-MANHÃ. Pesquisa do  Instituto de Gerontologia da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, averiguou que os
centenários não costumam dispensar a primeira refeição do dia.

21. TENHA UM ANIMAL DE ESTIMAÇÃO. O conselho foi seguido por operadores da bolsa de valores de Nova York,avaliados em um estudo.

Foi tão eficaz no combate ao stress que metade deles suspendeu o uso de medicamentos contra a hipertensão. Quem tem um bichinho em casa vai ao médico com menor freqüência, afirmam pesquisadores da
Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

Fontes: Revista Psychology Science, Journal of  Clinical Psychology, Universidade
Vanderbilt, Universidade Harvard, Associação Médica Americana, International Journal of Psychiatry, Phytotherapy Research, New England Journal of Medicine, Journal of the American Medical Association, King´s College, Universidade de Cambridge, Federação Mundial de Cardiologia e Organização Mundial de
Saúde, RealAge Institute, Universidade da Geórgia e Universidade de Loma. Enviado por Martha Follain

uma "epidemia global" do mal de Alzheimer

Cientistas reunidos em uma conferência nos EUA alertaram para o perigo de uma "epidemia global" do mal de Alzheimer até 2050, quando o número de pacientes pode quadriplicar em relação a hoje.

Um estudo da Escola de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, afirma que o mal afeta atualmente mais de 26 milhões de pessoas, e poderia castigar a mais de 106 milhões em 2050.

Em um mundo em que a população envelhece a cada ano, um em cada 85 habitantes do planeta sofreria do mal de Alzheimer até 2050, estima a equipe liderada pelo professor Ron Brookmeyer, da Universidade Johns Hopkins.

Os dados, publicados também na revista científica Alzheimer's & Dementia, foram apresentados durante uma conferência sobre o tema realizada em Washington.

DADOS

A doença de Alzheimer afeta pessoas em idade avançada, causando degeneração de partes do cérebro, com destruição celular e redução da reação das células restantes a muitas das substâncias químicas que transmitem sinais no cérebro. Ou seja, o portador perde gradativamente suas capacidades cognitivas, físicas e motoras.

Atualmente, cerca de 10% da população mundial acima dos 65 anos sofre da doença de Alzheimer, de acordo com a American Alzheimer’s Association.

Aos 85 anos, essa porcentagem é de 50%. Somente no Brasil, mais de um milhão de idosos acima dos 65 anos já desenvolveram a doença de Alzheimer, segundo a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz).

Estima-se que 48% dos portadores de Alzheimer estejam hoje no continente asiático, onde estão algumas das maiores taxas de expectativa de vida do mundo.

Na América Latina, os casos passariam de atuais 2 milhões para quase 11 milhões em 2050, segundo as estimativas.

E esse percentual poderia subir para 59% em 2050 - o que significa dizer que os casos passariam de 12,6 milhões atualmente para quase 63 milhões em 2050.

Fonte: Correio do Brasil

CIENTISTAS REVERTEM PERDA DE MEMÓRIA

Estimulação mental e o uso de determinados medicamentos podem ajudar pessoas com doenças degenerativas, como o mal de Alzheimer, a recuperar a memória e a capacidade de aprender, diz um estudo publicado na revista científica britânica Nature.

Uma equipe do Instituto de Tecnologia de Massachusetts descobriu que ratos com condições semelhantes ao mal de Alzheimer puderam recuperar a memória de como desempenhar determinadas tarefas depois de receberem estimulação e remédios.

Os cientistas usaram ratos geneticamente manipulados, nos quais uma proteína ligada a doenças degenerativas estava presente. Inicialmente, os animais aprenderam a evitar choques elétricos e a encontrar comida.

Depois de seis semanas com a doença, os ratos não conseguiram mais se lembrar de como desempenhar essas atividades. Alguns foram então colocados em um ambiente mais estimulante, com brinquedos, esteiras elétricas e outros ratos.

Esses animais puderam se lembrar das atividades que haviam aprendido muito mais facilmente do que os ratos que permaneceram em ambientes isolados. Eles também conseguiram aprender  novas tarefas com mais facilidade.

Os cientistas então testaram um tipo de medicação, conhecida como inibidores HDAC, nos ratos. O remédio também fez com que a memória e a habilidade de aprender melhorassem.

A neurocientista do Instituto Médico Howard Hughes e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts disse que os resultados oferecem esperanças para pessoas com o mal de Alzheimer.

- Nós conseguimos mostrar que mesmo quando o cérebro sofre séria degeneração e o indivíduo mostra sérias dificuldades de aprendizado e de perda da memória, ainda há possibilidades de melhorar a habilidade de aprender e de recuperar, até um certo ponto, a memória perdida -, afirmou.

Segundo ela, há indicações de que, em pessoas com doenças do cérebro degenerativas, a memória não é apagada, mas sim permanece em um lugar que não pode ser acessado por causa da doença.

A cientista afirmou ainda que, enquanto a maior parte dos tratamentos para o mal de Alzheimer procuram combater a doença nos estágios

iniciais, essa pesquisa mostrou que até mesmo depois de um estágio avançado é possível recuperar o aprendizado e a memória.

Fonte: BBC - de Londres

ARQUITETURA COMPORTAMENTAL

O Hiléa - centro de tratamento e vivência para idosos - trouxe ao Brasil um dos maiores pesquisadores em arquitetura comportamental voltada ao tratamento não-medicamentoso de portadores da doença de Alzheimer, o professor doutor em sociologia e arquitetura pela Columbia University (NY-EUA) John Zeisel para falar sobre os Avanços no tratamento não farmacológico de Alzheimer.

Zeisel, que é presidente e co-fundador da Hearthstone Care Ltd., em Boston e Nova Iorque, Estados Unidos, mostrou que a comunicação e o design aplicados às necessidades dos portadores da doença de Alzheimer, o aprendizado da recuperação espacial, a pedagogia Montessori no desenvolvimento das atividades e a importância das artes para o tratamento da doença de Alzheimer.

Uma das soluções aplicadas na Hearthstone e apresentada ao público brasileiro mostra um programa de visitação a museus, especialmente desenhado para a população com Alzheimer, que busca, por meio da arte, minimizar os efeitos causados pela doença. O projeto, denominado Artists for Alzheimer, foi adotado pelo Moma (Museu de Arte Moderna), em Nova Iorque.

Em seus artigos publicados, Zeisel aponta que fatores ambientais podem estimular a agressividade, a agitação, o isolamento social e distorções visuais, provocando confusões nos portadores da doença de Alzheimer.

Foram estes seus estudos que contribuiram para o desenvolvimento do conceito de arquitetura comportamental, que relaciona meio-ambiente e neurociência deve ser aplicado no tratamento e vivência de idosos fragilizados.

Na instituição americana, os pacientes recebem atendimento personalizado de acordo com o grau de evolução da doença. Os aspectos cognitivos, físicos e motores, assim como o constante estímulo intelectual são abordados de maneiras distintas a fim de proporcionar qualidade de vida aos idosos fragilizados.

O  Hiléa, primeiro centro de vivência para idosos fragilizados, possui uma ala especialmente projetada, que será voltada aos cuidados da memória para portadores da doença de Alzheimer.

DOENÇAS MENTAIS PODEM REDUZIR
A EXPECTATIVA DE VIDA

Pacientes com doenças mentais, tais como a esquizofrenia e o transtorno bipolar que, estima-se, atinjam cerca de 5 milhões de brasileiros, podem ter a expectativa de vida reduzida em até 20% em comparação com o restante da população. Esse foi um dos principais dados apresentados pelo psiquiatra John Newcomer, da Universidade de Washington, durante palestra realizada no Simpósio Educacional - Antipsicóticos e Transtornos Metabólicos: Atualização e Consenso,realizada em São Paulo.

O quadro, de acordo com o especialista, reforça os efeitos na saúde de alguns tipos de antipsicóticos, que são os medicamentos utilizados no tratamento dessas doenças. Apesar de controlarem sintomas como delírios, alucinações (na esquizofrenia), episódios maníacos e fases depressivas (no transtorno bipolar) comuns a esses pacientes, esses produtos podem ocasionar, em alguns casos, alterações no metabolismo tais como quadros de diabetes, altas taxas de colesterol e triglicérides e ganho de peso, fatores que aumentam o risco de doenças cardiovasculares.

Durante sua palestra, o professor associado do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Hélio Elkis, chamou a atenção para o fato de que os antipsicóticos representam um dos maiores avanços das últimas décadas no controle de vários transtornos mentais e que seus efeitos colaterais devem ser sempre avaliados e tratados.

Uma possibilidade é a substituição do antipsicótico por outro que não produza alterações metabólicas, mas há certos casos em que isto não é possível. Para lidar com estas situações, o professor defendeu que o melhor para o paciente é que seu tratamento obedeça a um algoritmo, que é uma diretriz baseada em evidências científicas aceitas internacionalmente.   

Através deste método, os melhores medicamentos são utilizados na medida da resposta do paciente, sempre levando em conta os efeitos colaterais que podem surgir, e que devem ser apropriadamente tratados.

GLAUCOMA: doenÇa invisÍvel

O glaucoma – uma doença invisível, cujos sintomas não são percebidos pelo paciente – é caracterizado pela lesão progressiva do nervo óptico, que é responsável por transmitir estímulos luminosos ao cérebro.

A doença não apresenta sintomas e impõe a alteração progressiva do campo visual . O diagnóstico precoce é a solução para evitar a cegueira irreversível ocasionada por glaucoma; a cada ano, surgem 2,4 milhões de novos casos da doença.

O tipo mais comum é o glaucoma primário de ângulo aberto, considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a segunda causa mais freqüente de cegueira irreversível em todo o mundo.

Alguns grupos de risco têm maior propensão a desenvolver a doença, como pessoas com pressão intra-ocular anormalmente elevada; idade (mais de 40 anos); histórico familiar; descendência africana ou asiática; diabetes; miopia; uso prolongado de esteróides (corticóides) ou portadores de lesões oculares anteriores. Os descendentes africanos têm de duas a quatro vezes mais chances de desenvolver o glaucoma primário de ângulo aberto do que outros indivíduos.

O glaucoma não tem cura, mas pode ser diagnosticada por meio de dois exames oftalmológicos de rotina: de tonometria, que mede a pressão intra-ocular, e de fundoscopia, que examina o fundo de olho para verificar se há alterações no nervo óptico.

O tratamento é realizado com colírios, medicação oral em curto prazo, cirurgias convencionais ou a combinação destes métodos. O objetivo é manter a pressão intra-ocular em níveis baixos, impedindo que a perda visual se instale.

O público-alvo são pessoas com mais de 45 anos, por ser a idade um dos fatores de risco para o desenvolvimento da doença.

NOVA TÉCNICA CONTRA CEGUEIRA

Cientistas britânicos do Moorfields Eye Hospital estão tentando restituir a visão de pessoas que sofrem de degeneração macular usando células-tronco.

A equipe já corrigiu a visão de um grupo de pacientes com Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) usando células retiradas dos olhos dos próprios pacientes.

Agora, com a ajuda de uma doação de cerca de US$ 8 milhões, os especialistas do Moorfields Eye Hospital em Londres planejam repetir o feito, porém usando células-tronco embrionárias cultivadas
em laboratório. Espera-se que os primeiros pacientes possam ser tratados dentro de cinco anos.

A DMRI afeta cerca de 25% das pessoas com mais de 60 anos e pode levar à cegueira. A condição ocorre em tipos diferentes. Entre eles, a forma seca, mais branda e de evolução mais lenta, e a forma exsudativa ou úmida, mais agressiva.

Embora tenha havido progresso no tratamento da forma úmida de DMRI, não existe nenhum tratamento para a DMRI do tipo seco. Mais comum, ela afeta nove em cada dez pacientes com degeneração macular. Nela, a camada de células do epitélio pigmentar da retina (EPR) vai ficando fina e se degenera.

Esta camada de células é crucial para o funcionamento dos cones e bastonetes, que processam a luz. Quando ela se degenera, os cones e bastonetes também se degeneram e morrem.

O coordenador da pesquisa no Moorfields Eye Hospital, o médico Lyndon Da Cruz, participou de um projeto anterior, em que células extraídas de regiões saudáveis da retina dos pacientes foram implantadas nos locais afetados pela degeneração macular.

As experiências foram bem-sucedidas, mas trouxeram algumas complicações. As operações demoram mais de duas horas e é preciso duas cirurgias.

Para que o procedimento seja mais fácil, mais rápido e mais amplamente disponível, especialistas da University of Sheffield, no norte da Inglaterra, cultivaram células EPR a partir de células-tronco embrionárias.

Os cientistas esperam poder injetar essas células nos olhos dos pacientes durante uma operação de 45 minutos de duração.

Experimentos anteriores - em que células EPR cultivadas em laboratório foram implantadas nos olhos de ratos com degeneração macular - conseguiram restituir a visão dos animais.

Os cientistas explicaram que, embora tenham tido sucesso no cultivo de células EPR em laboratório, é preciso ter certeza de que elas podem ser usadas de forma segura em humanos.

Eles acreditam, no entanto, que por serem muito mais adaptáveis, as células-tronco devam aumentar as chances de sucesso. O objetivo dos especialistas é criar uma terapia de uso mundial.

Fonte: BBC de Londres

GRUPO BRASILEIRO PESQUISA VACINA CONTRA A AIDS

Um grupo de pesquisadores brasileiros, à frente o Dr. Edecio Cunha Neto, da USP (Universidade de São Paulo)  vem obtendo resultados promissores em pesquisas  por uma vacina que possa conter ou controlar a AIDS.

A epidemia do HIV-1 é a maior crise de saúde pública mundial desde a Peste Negra, na Idade Média. Afeta hoje mais de 40 milhões de indivíduos e já matou mais que 20 milhões; 15 mil pessoas se infectam a cada dia. Na doença, o vírus HIV ataca as células de defesa ( linfócitos T CD4+), o que causa a perda da capacidade de se defender de micróbios e a instalação de infecções graves.

O Brasil é um dos países mais afetados pelo HIV na América Latina, com 500.000 casos estimados de pessoas vivendo com HIV-AIDS. Embora o maior número de infectados pelo HIV-1 ainda esteja no sexo masculino, nos últimos anos, a epidemia tem crescido muito entre as mulheres, grupos de baixo nível educacional, de menor faixa etária e adolescentes, e surgem cada vez mais casos em cidades menores.

Segundo o Dr. Edecio  Cunha Neto, embora a resposta global ideal para epidemia HIV-1/AIDS também inclua educação, prevenção e tratamento, fatores socioculturais e de custeio limitam a sua eficácia. Assim, a única forma de interromper a epidemia é o desenvolvimento de uma vacina preventiva segura, estável e de custo reduzido. Vacinas são preparados que contém parte do vírus, cuja administração visa induzir uma resposta de defesa que já esteja pronta antes do contato “para valer” com o HIV-1.

Essa vacina ideal deveria ter capacidade de gerar anticorpos contra o HIV, que agiriam nas mucosas (genital, anal) onde ocorre o contágio, neutralizando o HIV e impedindo-o de penetrar no meio interno e infectar células da defesa. Ainda não foi possível elaborar uma vacina com essas propriedades. Entretanto, mesmo uma vacina que apenas controle a multiplicação do HIV e desacelere a progressão para a AIDS, sem impedir a infecção, pode ter um grande impacto na saúde pública. É este segundo tipo de vacina, mais fácil de obter, que tem sido visado recentemente pelos grupos de pesquisa.

Esses dois tipos de vacina seriam aplicadas em populações sob risco, ou até em crianças e adolescentes jovens, antes da época do contágio sexual.

Há ainda um terceiro grupo de vacinas, chamadas vacinas terapêuticas, administrada em pacientes já infectados pelo HIV, na intenção de amplificar a resposta de defesa desses pacientes e diminuir sua necessidade de uso de drogas contra o HIV-1. Muitos grupos de pesquisa diferentes continuam testando novas vacinas, que estão em vários estágios.

Desde 1987, foram realizados 115 testes de vacinas em humanos, e pelo menos mais 39 estão atualmente em desenvolvimento. Até o momento, nenhuma das vacinas testadas em estágios finais foi capaz de conferir proteção significativa. No momento há pelo menos duas vacinas promissoras em estágios avançados de teste em humanos, com resultados esperados para 2009.

O 13º Congresso Internacional de Imunologia, que ocorrerá de 21 a 25 de agosto de 2007 no Rio de Janeiro, abrirá grande espaço para a pesquisa em Vacinas de AIDS, com apresentações de 12 dos maiores cientistas que atualmente trabalham sobre o tema.

HORMÔNIO AUMENTA A LIBIDO
DA MULHER
NA PÓS-MENOPAUSA

Estudo publicado na revista européia Maturitas mostrou que a tibolona, hormônio usado na terapia hormonal, aumenta a circulação clitoriana, proporcionando mais prazer sexual

Um recente estudo científico publicado na revista européia Maturitas – The European Menopausa Journal mostrou que a tibolona, hormônio usado na terapia hormonal (TH) elevou significativamente a circulação clitoriana em mulheres na pós-menopausa, além de aumentar o desejo sexual e a lubrificação vaginal.

Segundo especialistas, a chegada da menopausa traz uma série de repercussões sobre o corpo da mulher e sobre o seu estado de humor que interferem na sua atividade sexual. “Nesse sentido, a Terapia Hormonal com tibolona pode ser uma grande aliada, pois devolve elasticidade às paredes vaginais, melhora a lubrificação, aumenta a libido e melhora o humor”, afirma o Dr. Jorge Nahás Neto, co-responsável pelo ambulatório de Climatério da Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP e Professor da Pós-Graduação em Ginecologia da mesma instituição.

Segundo o Dr. Nahás, já era conhecido o benefício da tibolona em melhorar a função sexual da mulher. “Acreditava-se que era devido à sua capacidade de se transformar em três hormônios diferentes: o estrogênio, o progestagênio e o androgênio, sendo este último o responsável pelo desejo sexual e pela libido. O estudo publicado na revista Maturitas mostrou que, além da atuação sistêmica, a tibolona age localmente, ou seja, num ponto fundamental de estímulo do prazer sexual da mulher: o clitóris”, explica o médico.

O estudo foi realizado na Itália com 50 mulheres que apresentavam disfunção sexual. Os autores compararam a ação da terapia hormonal com tibolona e com hormônios utilizados na terapia convencional (17 beta-estradiol associado ao acetato de noretisterona) sobre a função sexual das pacientes, por seis meses consecutivos.

Segundo dados do estudo, nas duas modalidades de tratamento houve melhora da saúde vaginal já nos primeiros meses de terapia. Por outro lado, foi demonstrado melhor desempenho dos parâmetros de sexualidade (desejo, orgasmo, estímulo e satisfação) entre as pacientes que utilizaram a tibolona, além do aumento do fluxo sanguíneo do clitóris, demonstrado através de ultrasonografia com Doppler duplex.

O Dr. Nahás acredita que, do ponto de vista médico, o papel da sexualidade após os 55 anos é de fundamental importância para a saúde física e psíquica de homens e mulheres. “Qualquer disfunção nessa fase da vida merece ser avaliada com cuidado. Achar que a sexualidade na maturidade já não tem importância é um equívoco”, afirma ele. “Por isso, os profissionais envolvidos com a sexualidade feminina e também com a masculina, devem estar preparados para abordar sistematicamente esse assunto. É uma exigência da medicina contemporânea que se preocupa com a qualidade de vida do casal”, alerta.

CAUSAS

A disfunção sexual é definida como a incapacidade de participar do ato sexual com satisfação devido à dor ou relacionada a alguma alteração em uma das fases do ciclo de resposta sexual: desejo, excitação, orgasmo e resolução. Vários são os elementos envolvidos na atividade sexual como os neurotransmissores e a concentração sangüínea dos esteróides sexuais.

A falta de desejo sexual na mulher madura pode estar relacionada com a queda na produção de androgênios. Esses hormônios, produzidos principalmente pelos ovários, melhoram a vitalidade da mulher, e também influenciam sua libido.

- “A partir da terceira década de vida, a produção dos androgênios vai declinando, diminuindo progressivamente até a fase de transição para a menopausa, quando então a curva de diminuição se estabiliza”, explica o Dr. Hugo Maia Filho, professor do Departamento de Ginecologia da Faculdade de Medicina da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e diretor de pesquisas do CEPARH (Centro de Pesquisa e Assistência em Reprodução Humana), em Salvador (BA).

Segundo ele, nessa fase da vida da mulher, os níveis de androgênios já caem para 30% do que eles eram quando a mulher tinha 20 anos. “Acredita-se que, baseado em inúmeros estudos, a deficiência androgênica em graus variáveis possa atingir mais de 50% das mulheres na perimenopausa”, afirma o médico.

Fonte: BBC de Londres

PESTICIDAS PODEM CAUSAR MAL DE PARKINSON

Um estudo divulgado por pesquisadores da Universidade de Aberdeen, na Escócia, revelou que a exposição a pesticidas aumenta as chances de se desenvolver o mal de Parkinson.

Os cientistas constataram que pessoas que têm muito contato com as substâncias tóxicas têm 39% mais chances de contrair a doença degenerativa, enquanto que nas que sofreram baixa exposição o risco é de 9%.

A pesquisa, publicada na revista científica Occupational and Environmental Medicine, investigou 959 casos de parkinsonismo, um termo genérico que define uma série de doenças que têm em comum a presença dos sintomas de Parkinson - como desequilíbrio, tremores nos braços e nas mãos, além de dificuldades ao falar e se movimentar.

Os voluntários responderam a questionários sobre estilo de vida e se são expostas freqüentemente a produtos químicos, como solventes, pesticidas, ferro, cobre e manganês. O estudo também incluiu questões sobre histórico familiar e consumo de tabaco.

As respostas foram comparadas com as de outros entrevistados da mesma idade e sexo, mas que não sofriam da doença. Os resultados revelaram que - mesmo levando em conta que o fator genético ainda é a principal causa do problema neurológico - a exposição a pesticidas agrava a incidência da doença.

Para o líder da pesquisa, Finlay Dick, "o estudo mostrou que quanto maior a exposição a pesticidas, maior a chance de se contrair Parkinson".

Outros estudos já haviam sugerido que o contato com as substâncias tóxicas aumenta a incidência do mal de Parkinson depois que agricultores manifestaram a doença.

Os estudiosos da Universidade de Aberdeen ainda constataram que lutadores de boxe têm 35% mais chances de contrair Parkinson devido aos traumas cranianos repetitivos.

PARA MINIMIZAR A AÇÃO DO TEMPO

Na mesma proporção que o avanço da tecnologia, cresce no país a procura por cirurgias plásticas. Cada vez mais os procedimentos têm se mostrado acessíveis e seguros. Mas para quem ainda não tem coragem de “entrar na faca” e quer minimizar a ação do tempo sem traumas, a aplicação de toxina botulínica – mais conhecida como Botox (nome comercial) – continua sendo a opção mais eficaz e recomendada pelos médicos.

“A toxina botulínica é excelente na redução de marcas de expressão. Além disso, sua utilização se estende a outros procedimentos, sempre apoiados por rigorosas pesquisas científicas”, ressalta o médico Fausto Bermeo, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Entre outras aplicações, destaca-se o uso terapêutico na hiperidrose – o excesso de suor. “A aplicação em axilas, mãos e face chega a apresentar redução completa do suor excessivo que pode tanto resultar do clima, quanto de situações de estresse, mas que sempre causa constrangimento ao paciente”, explica Dr. Fausto.

Também os casos de sorriso gengival - indivíduo que ao sorrir mostra, além da arcada dentária superior, a gengiva – assimetrias, alguns movimentos involuntários na face e nas extremidades, e de enxaqueca encontram na toxina botulínica um importante recurso.

Estética
E quando o assunto é estética, o produto permanece um hit. Indicado para o tratamento de rugas dinâmicas na testa, entre as sobrancelhas e ao redor dos olhos, sua aplicação bloqueia o movimento de músculos determinados. Nesse campo, a novidade fica por conta de estudos que comprovaram sua eficácia também no colo e no pescoço. Nesse último, o relaxamento da musculatura possibilita um melhor contorno e um conseqüente aspecto de jovialidade.

O médico esclarece que a aplicação é rápida, praticamente indolor e dispensa internação e afastamento das atividades de rotina. “Orienta-se que seja dado um intervalo de seis meses entre as aplicações, pois o organismo pode desenvolver anticorpos contra a toxina”, explica. De acordo com o cirurgião plástico, as contra-indicações ficam restritas a pacientes grávidas ou portadores de doenças degenerativas – como lúpus e miastenia (degeneração muscular).

“O conhecimento da anatomia e da função de cada músculo responsável pela expressão e a fisionomia de cada indivíduo deve ser rigorosamente estudado, pois a aplicação não é na pele e sim no músculo ou grupos musculares”, alerta Dr. Fausto.

Com toda a demanda, não faltam orientações aos interessados. “A Sociedade Americana de Cirurgia Plástica divulgou importantes recomendações, das quais é importante ressaltar: pacientes interessados no procedimento devem checar as credenciais do médico e devem passar por uma avaliação clínica”, conclui Dr. Fausto.

Fonte: Patrícia Resende da Editoria de Saúde

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