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A FACE DO ESTRESSE
JUSSARA CĀMARA

O trânsito, ansiedade e preocupação com a situação econômica, com o trabalho, a vida familiar são alguns fatores que geram o estresse, doença considerada o grande mal do século 21, que nada mais é do que uma reação do organismo frente a fatores externos desfavoráveis.

“Entre as diversas reações bioquímicas que o estresse provoca, encontram-se o fechamento (constrição) dos vasos sangüíneos, o aumento da freqüência cardíaca, da pressão arterial, da freqüência respiratória e a diminuição dos movimentos gastro-intestinais, além do aumento da temperatura corpórea e do tônus muscular”, afirma o médico José Moromizato.

No início do século passado, a incidência do estresse era bem menor. Hoje a evolução tecnológica trouxe uma sobrecarrega de informações que devem ser absorvidas a cada instante e algumas, às vezes, desnecessárias, gerando o estresse.
 

NOVAS TECNOLOGIAS
De acordo com uma pesquisa realizada em 2007, pela organização britânica Developing Patient Partnerships, as "novas tecnologias" (serviços automatizados, celulares e computadores) estão no topo da lista de fatores de estresse (ao lado de morte e divórcio): mais de 30% dos entrevistados disseram que suas maiores fontes de estresse são as novas tecnologias. Outros fatores citados foram problemas financeiros e doença.
Os resultados mostraram também, que mais de um terço dos homens e um quarto das mulheres bebem um drinque para combater esse "estresse moderno", como uma estratégia para relaxar. E, do total de entrevistados, 27% dos homens e 23% das mulheres disseram que costumam acender um cigarro quando estão expostos a situações de estresse.
O Hospital do Coração em São Paulo também comprovou este dado ao realizar um estudo inédito para identificar os fatores mais freqüentes da recaída no tratamento de fumantes. Durante a pesquisa foram avaliados 61 pacientes fumantes e o resultado apontou que os motivos mais freqüentes para a recaída são estresse (62%) e ansiedade (19%).
Fora isso, a violência, que gera o medo, a ansiedade por resolver as tensões diárias, a correria atual e mais a falta de tempo, provocam uma descarga de adrenalina que atinge, principalmente, os aparelhos circulatório e respiratório. São reações desencadeadas pelo cérebro, que percebe e decodifica uma sensação de perigo iminente, preparando o corpo para correr ou defender-se.

“As cobranças e exigências da vida moderna deixam o homem em constante tensão, levando a um quadro que pode se tornar crônico, com o passar dos anos”, alerta o especialista.

 DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS
O maior perigo do estresse é o aparecimento da doença psicossomática, que é o reflexo das emoções no corpo humano. O organismo traduz exatamente o que as pessoas pensam e sentem.

A pesquisadora norte-americana Susan Andrews, autora do livro Stress a Seu Favor, da Editora Ágora, informa que o estresse prolongado ou relacionado a emoções negativas é um dos fatores que podem ocasionar vários tipos de câncer, uma vez que é acompanhado por altos níveis de secreção de cortisol pelas glândulas supra-renais. Essa descarga de hormônio inibe o funcionamento adequado do sistema imunológico.

Sabemos também que a influência das emoções negativas (raiva, depressão e ansiedade) são fatores vitais no aparecimento de doenças cardíacas e do câncer.

”Quando reprimimos nossos sentimentos, eles vão se acumulando até o ponto que nos machucam profundamente, atingindo algum órgão mais sensível”, explica o Dr. Moromizato.

Muitas vezes, moléstias sanadas em salas de cirurgia, como úlceras, por exemplo, voltam a incomodar, pois a origem dessas doenças é em muitos casos emocional-mental.

O mau hálito e o bruxismo, ranger de dentes involuntariamente, estão também relacionados ao estresse.

“As causas do ato inconsciente de apertar ou ranger os dentes, normalmente, estão relacionadas a fatores psicológicos como tensão emocional, agressão reprimida, ansiedade, raiva, medo, frustrações, estresse emocional e físico e também o mau posicionamento dental”, completa o Dr. Sidnei Goldmann, especialista em implantodontia e clareamento.

Dores de cabeça e mandibulares são os principais sintomas desse distúrbio que pode se manifestar durante o dia ou noite, geralmente, durante o sono.

No caso do mau hálito, o que ocorre é que na hora da tensão, o volume da saliva diminui (hiposalivação) e as substâncias ricas em enxofre aumentam provocando a halitose, ou mau hálito.

ESTRESSE OCUPACIONAL
Uma das conseqüências do estresse profissional é a Síndrome de Burnout, que atinge principalmente, pessoas que mantêm uma relação constante e direta com outras, principalmente em atividades consideradas de ajuda como: médicos, psicanalistas, carcereiros, assistentes sociais, comerciários, professores, atendentes públicos, enfermeiros, funcionários de departamento pessoal, telemarketing e bombeiros.
O termo Burnout é uma composição de burn (queimar) e out ( exterior) sugerindo que a pessoa com esse tipo de estresse consome-se física e emocionalmente, passando a apresentar um comportamento agressivo e irritadiço.

Essa síndrome se caracteriza inicialmente pela falta de vontade, ânimo ou prazer de ir a trabalhar. Dores nas costas, pescoço e coluna e normalmente, a pessoa não sabe o que tem, apenas que não se sente bem.

Em seguida, ela pode sentir exaustão emocional, avaliação negativa de si mesma, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos (até como defesa emocional) e sensação de perseguição ("todos estão contra mim"). Começa a deteriorar o seu relacionamento com outros.

Conseqüentemente, há uma grande diminuição da capacidade ocupacional. Podendo começar a aparecer doenças psicossomáticas, tais como alergias, psoríase, picos de hipertensão, etc. Nesta etapa ela pode começar a automedicação e também uma tendência a ingestão alcoólica.

A etapa posterior se caracteriza por alcoolismo, drogadicção, idéias ou tentativas de suicídio, podem surgir doenças mais graves, tais como câncer, acidentes cardiovasculares, etc.

ESTRESSE TRAUMÁTICO
  Uma pesquisa feita pela Universidade Federal de São Paulo - Unifesp - revelou que aproximadamente 86% dos paulistanos já sofreram algum tipo de trauma.

Um levantamento feito na cidade de São Paulo, no qual foram entrevistados cerca de 2,5 mil moradores, mostra que dos 86%, 63% deles já sofreram durante a vida algum tipo de violência urbana direta – caracterizada por assaltos, balas perdidas, seqüestros, agressões físicas, tortura, entre outros –

Apesar de os homens serem as maiores vítimas da violência urbana, no último ano foram as mulheres que adoeceram mais, numa proporção duas vezes maior: 12,8% contra 5,3%.

De acordo com o psiquiatra Sergio B. Andreoli, professor do Departamento de Psiquiatria da Unifesp, responsável pelos dados epidemiológicos do estudo na cidade de São Paulo e de outro que está sendo conduzido também no Rio de Janeiro, não são os traumas considerados os mais graves que favorecem o desenvolvimento do Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), mas a violência vivida dentro de casa, como as agressões sofridas ou presenciadas entre cônjuges ou familiares, e a violência sexual.

Marcelo Feijó de Mello, responsável pelos dados clínicos da pesquisa e coordenador do Programa de Atendimento a Vitimas de Violência e Estresse (Prove) da Unifesp, explica que, mais que um transtorno psicológico, o TEPT traz conseqüências consideráveis à saúde física das pessoas. “Além das queixas de dores incapacitantes, também verificamos que nesses pacientes há alterações hormonais significativas e morte celular no cérebro”, afirma o psiquiatra.

Imagens de ressonância magnética mostraram que pacientes com TEPT apresentam danos cerebrais, com redução de 5% a 10% do hipocampo, principal sede da memória e importante componente do sistema límbico, responsável pelas emoções.

O importante é que saibamos gerenciar nossas emoções, pois estas são grandes aliadas da medicina na prevenção de enfermidades ligadas ao comportamento. Pois sabemos que através da diminuição da ansiedade, hostilidade e depressão, melhoria da auto-estima, comunicação vai gerar a melhoria da nossa saúde.

OUTROS FATORES
Dentre as pesquisas que apontaram o estresse como fator determinante para as doenças do coração, tem destaque a que foi liderada pela McMaster University, no Canadá, que investigou a relação entre fatores psicossociais e ataques cardíacos. Com 24 mil voluntários em 52 países, o estudo revelou que a prevalência de estresse crônico é maior entre as vítimas de infarto.

Em geral, essas pessoas convivem com diversos fatores estressantes (trabalho, família, trânsito, medo de violência) por longos períodos antes de infartar.

Outro trabalho, realizado por dez anos na Holanda, mostrou que as pessoas pessimistas e que se preocupam demais com pequenas coisas correm mais risco de sofrer de doenças cardiovasculares.

Já uma terceira pesquisa, feita com mulheres que perderam um familiar e publicada no New England Journal of Medicine, comprovou que o estresse agudo pode provocar séria disfunção ventricular em pacientes sem doença coronariana.

Nesses casos, o coração passa a bombear menos sangue e pode sofrer graves e fatais arritmias - e sem que a pessoa perceba, uma bomba- relógio está se armando dentro dela. Com tudo isso, está comprovado que é possível sim infartar e morrer só por causa do estresse. O problema é que poucos médicos percebem que as queixas do paciente têm a ver com isso.

Sintomas como taquicardia, músculos enrijecidos, boca seca, mãos e pés frios são sinais de que é preciso pisar no freio. O cardiologista Antonio Sergio Tebexreni, diretor clínico do Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte da Universidade Federal de São Paulo, explica que, embora seja necessário à vida, pois nos faz ficar alertas e lutar contra os problemas, o estresse eleva a freqüência cardíaca e arterial e aumenta o consumo de oxigênio pelo músculo cardíaco.

Quando esse quadro se torna crônico, ocorre o aumento da coagulação sangüínea e, por conseqüência, o entupimento das artérias. Com isso, uma pessoa que trabalha 15 horas por dia e não apresenta nada nos exames pode ter um ataque fatal alguns dias depois.

"Ela pode ter uma crise de hipertensão de repente e sofrer um vasoespasmo, ou seja, a artéria se fecha e o sangue não passa", explica Tebexreni. "Aí ocorre a arritmia, o coração dispara sem coordenação."

O cardiologista afirma que uma pessoa sedentária que tem uma obstrução de 90%, em uma condição de estresse ou de esforço vai sentir dor, indicando que as artérias já estão muito obstruídas.

Já uma pessoa que se cuida, faz exercícios e possui uma obstrução de 50%, pode não sentir dor alguma, ser assintomático e ter um ataque fatal.

Assim, o check-up e o teste ergométrico muitas vezes não conseguem pegar esses casos, mas em vez d esperar algo ruim acontecer, que tal se prevenir? Procure em “Como recuperar a paz”,nesta mesma área, formas de relaxamento e de como ver a vida de uma forma diferente.             

fonte:Alice Sampaio http://www.sergiovaisman.med.br      

           

ENVELHECER COM SAÚDE
COLUNA DR. ALESSANDRO LOIOLA

QUALIDADE DE VIDA OU VIDA COM QUALIDADE?


Quando se pensa em temas de saúde, é fácil constatar que a Qualidade de Vida é um dos campeões em investimentos e pesquisas. Apenas nas últimas duas décadas, surgiram centenas de institutos nesta área e até mesmo uma (extremamente bem organizada) Associação Brasileira de Qualidade de Vida.

E por que tanta festa em torno da Qualidade de Vida? Ora, porque ela parece dizer respeito à quase tudo! Você não gosta do seu chefe? Alguém pisou na sua unha encravada? Quer mais 50 canais na sua TV por assinatura e 3 meses de férias por ano? Então você está precisando melhorar sua qualidade de vida. Certo?

Errado. Veja só:

Os especialistas definem Qualidade de Vida como uma análise dos fatores que afetam o bem estar e o sentido que damos para nossas vidas. Isto envolve o funcionamento e a busca pelo aprimoramento físico, psicológico e espiritual de cada ser humano, levando em conta as características do meio ambiente em que vive.

Traduzindo para o compreensível: por Qualidade de Vida, entenda “viver com qualidade”. Esqueça o tamanho do seu bolso, seu celular de última geração e outras conquistas incríveis na escada social. Qualidade de vida tem a ver com um sentimento de plenitude. É aquilo que você finge não escutar dia após dia.

 Há vários anos, em uma entrevista durante os festejos natalinos, uma atriz milionária e filantropa foi questionada pelo repórter sobre o que pretendia dar de presente aos seus filhos naquele ano. Após titubear um pouco, a atriz respondeu: - Eu gostaria que eles ganhassem o que me foi mais precioso e estimulante ao longo de toda minha vida: uma infância pobre.

Foram as dificuldades dos primeiros anos, vivendo quase na miséria em uma família de muitos irmãos, que moldaram os pontos de vista daquela mulher. A mesma provação que produziu o sofrimento também resultou em um crescimento pessoal capaz de traduzir-se em uma visão engrandecedora da vida. Esta não é uma percepção solitária.

Desde 1986, a organização inglesa New Economics Foundation (ou NEF) vem pesquisando a qualidade de vida em vários países. Em 2006, cruzando informações relacionadas à longevidade, aos recursos naturais disponíveis e ao índice de satisfação das pessoas com as próprias vidas, a NEF organizou uma lista dos países mais felizes. Os resultados foram no mínimo interessantes:

Apesar de ser considerada a nação mais rica do mundo em renda per capta, Luxemburgo ficou com a 74ª posição no ranking de qualidade de vida da NEF. Os Estados Unidos amargaram um 150o lugar, várias esquinas atrás de Vanuatu (1 o colocado), Colômbia (2 o) e Costa Rica (3 o).

Para satisfazer sua curiosidade, a NEF posicionou o Brasil como o número 63 de sua lista. Isso significa que, apesar de todos os nossos problemas, conseguimos experimentar a vida de modo mais pleno e construtivo que irlandeses, suíços, belgas, italianos ou alemães.

O segredo por trás destes resultados está no fato de muitas pessoas mirarem na Qualidade de Vida como crianças que se escondem para se empanturrar de doces na hora do almoço. Neste caso, no lugar do doce, a população economicamente ativa almeja dinheiro, fama, poder, influência, sucesso. É um enorme equívoco. E um desperdício maior ainda.

O memorável astrônomo Carl Sagan uma vez escreveu que somos um mero microorganismo ordinário vivendo na camada mais externa de um pequeno ponto pálido no céu, e não duraremos mais que algumas poucas voltas em torno da estrela local. Que tal pararmos com as brigas e preocupações, e simplesmente relaxarmos para curtir a viagem? Muito mais que qualidade de vida, isso, sim, seria viver com qualidade. Extrema qualidade.

Dr. Alessandro Loiola é médico, escritor e palestrante. Autor, entre outros, de PARA ALÉM DA JUVENTUDE – GUIA PARA UMA MATURIDADE SAUDÁVEL, pela Editora Leitura.

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