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ACHO DE UMA CORAGEM TÃO GRANDE QUANDO DUAS PESSOAS NA TERCEIRA IDADE SE ENCONTRAM E VÃO REALIZAR UM ATO SEXUAL.
EXISTE O PUDOR DO CORPO, O TABU DA JUVENTUDE.
TIRAR A ROUPA PARA O OUTRO EM QUALQUER FASE DA VIDA JÁ É UM ACONTECIMENTO, MAS NESSA IDADE É MUITO MAIS DO QUE SE DESPIR...
É SE DESNUDAR LITERALMENTE.

RAUL CORTEZ

A SEXUALIDADE E O IDOSO
Jussara Câmara

idosos-dançandoEm nossa sociedade, ainda temos a idéia errônea de que, com o passar dos anos, o ser humano deixa de ter um desempenho sexual satisfatório e não apresenta as mesmas condições de desejo e prazer sexuais, chegando até mesmo a ser considerado como um ser “assexuado”.

É necessário questionar estas crenças distorcidas e mesmo os tabus frente ao exercício sexual, durante o processo de envelhecimento, substituindo-as por informações realistas e não preconceituosas. É certo que a idade pode vir acompanhada de um desgaste no relacionamento afetivo, além de uma série de transformações físicas que, muitas vezes, acarretam doenças e outras dificuldades que interferem no sexo, como obesidade por exemplo. Entretanto, associar esta etapa de vida com incapacidade, déficit, perda ou impossibilidades é, de certo, se impor limitações desnecessárias.

Enquanto há vida, também há possibilidade de vivência sexual satisfatória e prazerosa, principalmente quando ocorreu e ainda ocorre o cuidado com a saúde (geral e sexual), desde a adolescência.

Acima dos 60 anos de idade - ao invés de se estressar, desejando aquele desempenho sexual que não volta mais (dos 20 anos) ou aquele bom desempenho que jamais teve - o ser humano deve compreender o que está acontecendo com seu corpo nesse momento e, assim, criar e utilizar novos recursos e estratégias que facilitem sua adaptação a esta outra etapa de vida.

Através da vivência das mudanças que ocorrem no organismo após a terceira idade com naturalidade e com tranqüilidade e, também, do respeito aos novos limites desse corpo, pode-se acreditar e alcançar o direito à intimidade e à prática do sexo satisfatório na terceira idade.

A VIDA SEXUAL NA TERCEIRA IDADE

casalEstudos realizados nos Estados Unidos e na Suécia revelaram que os idosos de hoje estão mais dispostos não só a falar em sexo como a realizar práticas que poderiam surpreender seus filhos e netos como o sexo oral e a masturbação.

Inclusive, muitos dos idosos têm uma vida sexual ativa, fazendo sexo duas ou três vezes por mês. E isso ocorre tanto com os homens como com as mulheres, ainda que menos com elas pois muitas são viúvas e não têm parceiros.

A grande maioria considera as atividades sexuais como algo natural na vida. Os resultados do estudo foram publicados na revista New England e Journal of Medicine.


ENVELHECER NÃO IMPLICA NA PERDA DA LIBIDO

Sexo faz diferença quando o assunto é saúde. Isso é o que defendem os médicos e acreditam os brasileiros, que colocaram a falta de ereção no topo do ranking de seus maiores temores – de acordo com pesquisa realizada pelo Projeto Sexualidade, da USP. Entre mitos e verdades, o médico Evandro Cunha, do Hospital Urológico de Brasília esclarece: “o envelhecimento não induz necessariamente a impotência sexual”.

O que está por trás do quadro são alterações de ordem sistêmica - circulatórias, neurológicas, endocrinológicas - ou emocionais, que podem se iniciar bem mais cedo, por volta dos 40 anos. “Cada caso deve ser criteriosamente avaliado por um especialista. O ideal é procurar o médico diante dos primeiros sintomas de que algo não vai bem. A automedicação deve ser rigorosamente evitada”, orienta, referindo-se às drogas contra impotência.


Dr. Evandro explica que cuidar da saúde física e mental ao longo da vida é a melhor opção para quem deseja que a atividade sexual seja boa companheira também na terceira idade.

“O que muda com o passar dos anos é o intervalo entre uma ereção e outra”, comenta o especialista. Mas o que se perde em quantidade, pode ser revertido em qualidade. “Sexo envolve afeto e, para isso, a idade não impõe limites. Uma boa vida a dois reduz a incidência de crises depressivas”, afirma.

O bem-estar relatado por quem desfruta de uma vida sexual saudável tem nome: chama-se endorfina. Além da dose extra desse hormônio do prazer, o sexo ativa a circulação, potencializa o sistema imunológico, alivia o mal-estar causado pela enxaqueca, fortalece a musculatura pélvica, melhora a qualidade do sono, entre outros benefícios.


ENVELHECER COM SAÚDE

COLUNA DR. ALESSANDRO LOIOLA

MENOPAUSA MASCULINA

As mulheres, estas felizardas, possuem vários trunfos em suas mangas: sempre que querem ser elas mesmas, podem apelar para a velha tática de culpar a TPM. Quando a TPM há muito se foi, têm a opção da menopausa.

Por muitos anos, nós, homens, estivemos à mercê da sorte e do humor feminino. Não mais: pesquisas recentes mostram que talvez exista uma saída, afinal.

Todos vocês, caros colegas de gênero, lembram bem da época em que éramos como urubus planando alto e faturando qualquer carniça. Desde pacas, tatus, cotia-não até o radiador do velho jipe Willis, era só apontar e estávamos dentro. Décadas e mais décadas depois, alguns começam a se sentir como uma sombra dentro da sombra. "Eu já fui notícia, meu filho, hoje não passo de um boato" entristece-se o velho guerreiro, representante típico desta nova legião, a dos Andropausados.

A Andropausa, ou Menopausa Masculina, pode ser definida como aquela época da vida em que o trabalho não dá prazer, e o prazer começa a dar um trabalho danado.

O motivo para a decadência é simples. Os níveis de testosterona, o principal hormônio masculino, começam a cair até 1% a cada ano a partir dos 30 anos de idade. A redução é gradual, mas permanente. Por volta dos 50 anos, cerca de 10% dos homens apresentam níveis baixos de testosterona. Aos 70 anos, mais da metade sofre com deficiência franca do hormônio. Aos 80 anos, a maioria dos homens tem níveis de testosterona (e comportamentos) semelhantes ao de meninos antes da puberdade.

Muitos médicos ainda relutam em reconhecer a Andropausa e seu verdadeiro significado do dia a dia masculino, mas a Andropausa é um fenômeno real. Ela não tem coisa alguma a ver com a famosa crise da meia idade. Trata-se de uma alteração orgânica mensurável - e absolutamente tratável.

Os sintomas da Andropausa são bastante semelhantes às manifestações da menopausa em mulheres. Um estudo realizado nos EUA envolvendo mais de 2.000 homens entre os 40 e 60 anos de idade, mostrou que 80% deles se queixavam de fadiga intensa, 70% sofriam de algum nível de depressão, e mais de 60% se queixavam de irritabilidade e distúrbios da ansiedade.

Outras manifestações relacionadas a Andropausa incluem alterações inexplicáveis de humor, insônia, diminuição da libido, fraqueza, perda de massa muscular, dificuldade para obter ereções e uma certa tendência para lágrimas na parte dramática dos filmes da Disney.

Uma vez reconhecidos os sintomas, o passo seguinte consiste na realização de alguns exames para eliminar a presença de doenças com manifestações semelhantes a Andropausa, como certas doenças do fígado e da tireóide, anemia, alcoolismo, diabetes, depressão essencial, etc.

A dosagem de Testosterona Livre no plasma é o principal teste, devendo ser feita em uma amostra de sangue colhida pela manhã, em jejum. Se os níveis estiverem abaixo de 200 nanogramas/dL e você não possuir fatores de risco significativos, a Terapia de Reposição de Testosterona (ou TRT) pode ser iniciada.

A TRT só deve ser realizada sob supervisão médica criteriosa, estando contra-indicada em homens com problemas na próstata, doenças no fígado, altos níveis de gordura no sangue ou passado recente de tromboses. A TRT não é um tônico capaz de resolver todos o problemas da sua vida, mas uma terapia específica com vários efeitos colaterais importantes. Para utilizá-la, é necessário realizar exames de acompanhamento a cada 3-6 meses. Entretanto, desde que indicada e realizada de modo responsável, a TRT produz resultados quase milagrosos.

A testosterona pode ser administrada de várias formas: oral, injetável, transdérmica (adesivos) ou por implantes. As formas orais não são mais recomendadas devido ao risco de efeitos tóxicos sobre o fígado. As formas injetáveis não oferecem níveis estáveis e podem terminar piorando os sintomas da Andropausa. As apresentações transdérmicas têm sido as mais utilizadas nos últimos tempos.

Além de buscar tratamento especializado, existem algumas medidas simples que você pode adotar a partir de agora para lidar melhor com os sintomas da Andropausa:

- Aprenda técnicas eficazes para lidar melhor com o estresse.
- Siga uma alimentação nutritiva, com pouca gordura e rica em fibras vegetais.
- Tome pelo menos 8 copos de água por dia.
- Diminua o consumo de bebidas alcoólicas e cafeína.
- Mantenha um padrão de sono saudável.
- Pratique alguma forma de atividade física regularmente.

Dr. Alessandro Loiola é médico, escritor e palestrante. Autor, entre outros, de PARA ALÉM DA JUVENTUDE – GUIA PARA UMA MATURIDADE SAUDÁVEL, pela Editora Leitura.

 

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