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CRISE ECONÔMICA E O AUMENTO DAS TAXAS DE ESTRESSE

NO FINAL DO ANO

 

Para algumas pessoas, o final do ano é um verdadeiro teste de resistência emocional e física.  A maratona de preocupações com festas e viagens de férias, balanço profissional, final de curso e início de projetos são, sem dúvida, a principal causa do estresse e ansiedade.

 

De acordo com dados do Isma-BR (International Stress Management Association, Brasil), o nível de estresse aumenta, em média, 75% nesse período. Em 2008, os especialistas acreditam que a crise econômica mundial será outro fator relevante para o aumento da taxa.

 

O estudo foi realizado em 2006 com 678 pessoas, com idades entre 25 e 55 anos, economicamente ativas. 60% dos entrevistados se dizem estressados pelo excesso de tarefas no trabalho. De acordo com a presidente do Isma-BR, Dra. Ana Maria Rossi, o resultado da pesquisa pode ser aplicado para 2008.

 

-“O cenário atual não é diferente. As empresas correm para fazer o balanço do ano e planejamento para o próximo. Sem contar com a crise econômica que tem alarmado o mundo inteiro”, explica a Dra. Ana Maria.

 

A pesquisa também apontou que 25% dos entrevistados acreditam que os gastos adicionais com presentes e festas aumentam seu nível de estresse.

 

- “A cada ano, há uma forte tendência em adiantarmos o final do ano. Logo no início do segundo semestre, já percebemos nas lojas uma pressão de consumo para as festas. O poder aquisitivo aumentou, as pessoas compram mais e se endividam mais”, explica Ana Maria.

 

Outro dado relevante é que 70% das pessoas se sentem mais ansiosas e 55% usam mais medicamentos para o sintoma. Para o clínico geral antroposófico com prática de psiquiatria, Moacir Amaral, a adoção o de um modelo de vida saudável é a opção mais vantajosa de combate ao estresse.

 

-“É o que eu chamo de cuidados higiênicos. Além de saber dosar ritmo de trabalho e descanso, receito aos pacientes medicamentos naturais que estimulem a vitalidade. Os alopáticos, antidepressivos químicos, atuam no organismo, mas intoxicam e são indicados para casos mais graves”, ressalta.  

 

Segundo Amaral, o estresse é uma saudável reação do organismo a mudanças, mas é preciso estar atento aos sintomas. Seja qual for a causa, o resultado é uma alteração da complexa bioquímica que rege as defesas naturais do organismo. “No dia-a-dia é difícil se dar conta da gravidade do problema. Não é preciso esperar o colapso aparecer. A maioria dos pacientes queixa-se de exaustão excessiva, cansaço, falta de entusiasmo, ansiedade, esquecimentos e distúrbios do sono”, explica.

 

CRISE FINANCEIRA ABALA MAIS A SAÚDE

DO BRASILEIRO. O QUE FAZER?

 

Na opinião dos economistas que têm se manifestado publicamente, a crise financeira – que por enquanto não conhecemos sua dimensão – será mais sentida mesmo no ano que vem. Entretanto, sutis movimentos já vêm sendo sentidos. São fusões aqui, demissões ali, cortes de verba acolá. Essa incerteza tem gerado alto nível de estresse e deixado muita gente doente. O que fazer?

 

Na opinião do cardiologista Rafael Munerato, diretor técnico do Hospital Santa Paula, a primeira medida é tentar preservar a qualidade do sono. “Ler os jornais ou assistir aos noticiários somente no período da manhã é uma medida que pelo menos ajudará a baixar a ansiedade no período noturno, contribuindo para um sono restaurador. Quem fica antenado o dia inteiro às oscilações da bolsa, às opiniões de um e de outro, acaba levando tudo isso para a cama e sofrendo de insônia. Nada pior para o coração e para a saúde em geral”.

 

Obviamente, quem está temerário em relação ao próprio emprego, ou à continuidade da sua empresa, achará muito difícil relaxar antes de dormir. Nessas ocasiões é mais comum a pessoa virar de um lado para o outro no colchão, sentir dores no pescoço e até mesmo ter crises de tosse. Tudo em função do abalo emocional – que acabará de fato afetando a saúde se nada for feito.   

 

“Quando a pessoa não consegue superar os momentos difíceis, é comum apresentar baixa imunidade para gripes e resfriados, alergias, obesidade, problemas de pele, hormonais, cardíacos e gástricos. A boa notícia é que, ao reagir rapidamente, a saúde também começa a voltar ao normal”, diz o médico.

 

Munerato aponta como você pode controlar alguns hábitos para que a crise econômica não se transforme em ‘estado crítico de saúde’:

 

Mais do que nunca é necessário praticar exercícios. Em tempos de crise, quem não pode se matricular numa academia tem a opção de programar caminhadas de 30 a 40 minutos, três vezes por semana. Depois que pegam gosto e sentem os efeitos positivos, as pessoas costumam estender esse tempo para uma hora.

 

Aumente a consciência sobre seu corpo e suas reações. Assim, você conseguirá driblar a vontade de fumar – sabendo que o ideal é parar de vez – e de ingerir bebidas alcoólicas. O fumo e o álcool, somados ao estresse, agem como uma bomba-relógio contra a sua saúde.

 

Há um padrão de pessoa que abusa dos doces quando bate a ansiedade. Pois estamos no exato momento de controlar a gula por chocolates e outras delícias gastronômicas. Prefira uma alimentação frugal.

 

Controlar a mente também é indicado. Exercícios de respiração e relaxamento são indicados para quem precisa baixar os níveis de ansiedade.

 

Reserve alguns minutos durante o dia, de preferência à noite, para dar atenção à mente. Inspire e expire calmamente, procurando esvaziar a mente das notícias ruins absorvidas durante o período. Além disso, evite a ingestão de café, álcool e alguns tipos de chá (preto e mate) à noite, a fim de favorecer o sono.

 

Fonte: Dr. Rafael Munerato, médico cardiologista e diretor técnico do Hospital Santa Paula (SP) – www.santapaula.com.br

 


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