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ESTUDO INDICA QUE HIV É CENTENÁRIO

Um estudo, coordenado por Michael Worobey, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, indicou que a forma mais comum do vírus HIV começou a se espalhar entre humanos no período entre 1884 e 1924, e não durante a década de 1930, como havia sido relatado em estudos anteriores.

A origem mais antiga do vírus coincide com o estabelecimento de centros urbanos na África ocidental e central, região onde emergiu a epidemia desse tipo específico – o HIV-1 grupo M –, sugerindo que a urbanização e os comportamentos de alto risco a ela associados favoreceram a pandemia de HIV-Aids. 

Para chegar aos resultados, a equipe de cientistas de quatro continentes rastreou amostras de tecidos múltiplos e descobriu a segunda seqüência genética mais antiga do mundo do HIV-1 grupo M, que data de 1960. Os cientistas a utilizaram então, juntamente com dezenas de outras seqüências de HIV-1 previamente conhecidas, para construir árvores genealógicas plausíveis para esse subtipo viral. Mais informações aqui.


PAULISTAS IGNORAM FATORES DE RISCO PARA O CORAÇÃO

O presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo- SOCESP, Ari Timerman, apresentou ao Secretário Estadual de Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata o resultado de uma pesquisa, que traçou um panorama sobre as doenças cardiovasculares no Estado de São Paulo, encomendada ao Instituto Datafolha pela SOCESP.

O resultado do trabalho trouxe números que surpreenderam até os cardiologistas, como o fato de 85% dos paulistas não considerar o colesterol um fator de risco para o coração. O presidente da SOCESP lembra que a população, segundo a pesquisa, desconhece que o tabaco é prejudicial ao coração (apenas 31% apontaram espontaneamente o cigarro), que o sedentarismo também faz mal (19% conhecem o fator de risco). "O mesmo ocorreu com o estresse (19% indicaram como fator de risco), pressão arterial (18%), alcoolismo (17%), obesidade (13%) e por último o diabetes (apenas 6% apontaram a doença como fator de risco para o coração)".

Segundo Ari Timerman: vivemos uma epidemia de doenças cardiovasculares. O Brasil registra 100 mil infartos anualmente. Só no Estado de São Paulo, 25 mil pessoas morrem em média, por ano, vítimas de problemas cardiovasculares. "É preciso reverter esses números", defende o presidente da SOCESP.

A Pesquisa SOCESP sobre fatores de risco cardiovascular foi elaborada pela própria SOCESP e aplicada pelos pesquisadores do Datafolha com metodologia do Instituto. Foram pesquisados 2.096 paulistas com idade entre 14 e 70 anos, em todas as regiões do Estado.

 

DADOS DA PESQUISA

 

COLESTEROL

85% dos paulistas não consideram o colesterol um fator de risco para o coração, apesar de metade já ter feito exame para avaliar a taxa de gordura no sangue. No entanto, metade dos entrevistados nunca mediu a taxa de gordura do sangue e 89% dos entrevistados não sabem que existe HDL (colesterol bom).

 

OBESIDADE
Apenas 4% dos paulistas apontam a medida da circunferência abdominal como a melhor maneira para avaliar a obesidade. Em algumas cidades do interior, como Ribeirão Preto e Campinas, este índice cai para 2%. O aspecto visual, com 36%, aparece em primeiro lugar, seguido do peso, citado por 31% dos entrevistados. O IMC (Índice de Massa Corpórea) foi lembrado por 12%. 81% dos homens não sabem que a medida ideal de circunferência abdominal masculina é igual ou menor que 90 cm.

DIABETES
58% dos entrevistados já mediram o nível de glicose no organismo. O estudo mostrou também que 77% dos entrevistados não sabem o nível normal de açúcar no sangue em um adulto (entre 51 e 100 mg/dL).
E apenas 6% dos paulistas associam o excesso de açúcar no organismo aos problemas do coração. O Diabetes está em último lugar entre os fatores de risco citados, atrás de Tabagismo (31%), Sedentarismo e Estresse (19%), Pressão Arterial (18%), Alcoolismo (17%), Colesterol (15%) e Obesidade (13%).

 

 

OUTRA CAUSA PERIGOSA

 

Muita gente, talvez, não saiba que 800 mil mortes anuais por causas respiratórias e cardiovasculares são atribuídas à poluição no mundo. São Paulo, por exemplo, é a 5º metrópole mais poluída do mundo, segundo estudo do Centro de Informações e Pesquisa Atmosférica da Inglaterra, que analisou as 20 metrópoles com a pior qualidade do ar, fala o dr. José Eduardo Delfini Cançado, Presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT). 

 

No que diz respeito às doenças pulmonares exarcebadas ou induzidas pela poluição, as que mais geram procura por atendimento médico e que são responsáveis por internações e óbitos são a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), asma brônquica, pneumonia e o câncer de pulmão. Dr. Ubiratan alerta para a necessidade de se manter atento a pneumonia, que por diminuir as defesas, aumenta as chances de contrair infecções respiratórias.

 

Na capital paulista, a estimativa do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP é de 9 mortes diárias por doenças respiratórias e cardiovasculares relacionadas à poluição. Em dias com alta contaminação do ar, o número sobe de 12% a 17%, com o crescimento de 25% nas internações – principalmente de idosos e crianças. Quem mora em São Paulo, aliás, vive em média um ano e meio a menos do que aqueles que moram em cidades de ar mais saudável.

 

Entre as substâncias nocivas presentes no ar, a mais estudada é o material particulado, composto por uma mistura de metais e partículas inorgânicas e orgânicas, entre outros, e que é o único poluente ambiental, até o momento, associado ao câncer de pulmão.

 

Vale registrar que a legislação nacional obriga o monitoramento dos níveis dos gases ozônio, dióxido de enxofre, dióxido de nitrogênio e monóxido de carbono. “Mas o limite imposto pelas leis brasileiras ainda é muito superior ao recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS)”, enfatiza dr. Ubiratan.

 

A OMS alerta que, se os países adotassem medidas sérias para melhorar a qualidade do ar, cerca de 8 milhões de vidas seriam poupadas em todo o mundo até 2020.

 

BOA NOVIDADE

 

Condenado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) por ser a principal causa de morte evitável no mundo, o tabagismo atinge 16% dos Brasileiros, de acordo com pesquisa da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) - um dos levantamentos mais completos produzidos pelo Ministério da Saúde, em 2007. Estimativas da OMS apontam que um terço da população mundial adulta, isto é, 1 bilhão e 200 milhões de pessoas são fumantes.

A boa noticia é que o cerco contra o cigarro está se fechando e, em Brasília, a exclusão dos fumantes não acontece apenas em rodas de não fumantes. Nos bares da capital não é permitido fumar, assim como em repartições públicas, shoppings, restaurantes e edifícios comerciais - um incentivo a mais para os tabagistas que desejam parar e aos amigos e familiares que fazem campanha contra as baforadas.

 

“Mais de 90% dos pacientes que acompanho afirmam que a convivência com não fumantes e a dificuldade de encontrar lugares que permitam o fumo são fatores motivacional para vencer o vício”, destaca a psicóloga do Programa de Cessação de Tabagismo da Amil Brasília, Eliane Schmaltz.

Dados da Vigitel sinalizam uma perspectiva positiva: o número de fumantes passou de 20%, levantamento produzido pelo Instituto Nacional do Câncer e pela Secretaria de Vigilância em Saúde, em 2003, para 16%, de acordo com a Vigitel em 2007. “O novo estilo de vida social está relacionado à cessação do tabagismo e o primeiro passo é a determinação e a conscientização dos males que o hábito provoca”, ressalta a psicóloga.

Na decisão de parar eles são mais determinados: 25,8% dos homens pararam de fumar contra 18,6% das mulheres. Para elas os riscos são ainda maiores. A combinação anticoncepcional e cigarro aumenta os riscos de infarto, eleva o índice de infertilidade e a predisposição à ansiedade. E mais: a depressão é duas vezes maior entre as mulheres e os riscos de infarto e derrame quadriplicam.


 

GORDURA NA BARRIGA AUMENTA RISCO DE DEMÊNCIA

NA TERCEIRA IDADE

 

Estudo norte-americano acompanhou 1.351 pessoas com ou sem algum prejuízo cognitivo, mas todas sem demência e com mais de 65 anos de idade, e concluiu que a gordura abdominal em idade avançada parece conferir um risco elevado de desenvolvimento de demência ou prejuízo cognitivo, ao passo que a obesidade parece ser um fator protetor.

 

“A acumulação de gordura abdominal, mas não no corpo como um todo, talvez confira um risco elevado de prejuízo cognitivo relacionado à idade”, afirmam as autoras da pesquisa Nancy West, da University of Michigan, e Mary Haan, da University of Colorado, em artigo publicado no periódico científico Journals of Gerontology.

 

De acordo com o texto, se comparados aos participantes com os índices de massa corporal (IMC) mais baixos, aqueles com sobrepeso e obesidade tinham um risco de apresentar demência ou prejuízo cognitivo 48% e 61% menor, respectivamente. Por outro lado, as pessoas com circunferências abdominais consideradas intermediárias ou altas pelo estudo apresentaram uma taxa de demência ou prejuízo cognitivo 80% e 90% mais altas, respectivamente, se comparadas àquelas com as menores medidas. Ao todo, 8,2% (110) dos participantes foram diagnosticados com um quadro de demência ou de prejuízo cognitivo.

 

O artigo explica que o estudo teve como objetivo analisar exatamente a associação do índice de massa corporal (IMC) e da circunferência abdominal em idade avançada com o desenvolvimento de prejuízo cognitivo, uma relação que ainda não está completamente clara pra a ciência.

 

Para tanto, as pesquisadoras investigaram prospectivamente 1.789 indivíduos com idade entre 60-101 e residentes em Sacramento, na Califórnia (EUA). Desse total, 1.351 seguiram até o final do estudo, tendo sido submetidos a cinco avaliações cognitivas entre os anos de 1998 e 2006 (média de 5,6 anos), e foram incluídos nas análises finais apresentadas.

 

“Neste estudo de coorte com pessoas idosas, o IMC no início do estudo foi inversamente associado à taxa de demência ou prejuízo cognitivo durante o acompanhamento. Em contraste, uma circunferência abdominal grande foi associada a um aumento da taxa desses quadros”, ressaltam as autoras no artigo.

 

OUTRAS ANÁLISES

Com o objetivo de verificar a validade dos resultados e a interação entre os dados coletados e as diferentes variáveis, os pesquisadores realizaram uma série de análises adicionais. O artigo explica, por exemplo, que a relação entre a circunferência abdominal e o risco de demência ou prejuízo cognitivo foi atenuada, em um primeiro momento, quando os resultados foram ajustados por outras variáveis (fatores de risco para diabetes, acidente vascular-cerebral (AVC) e colesterol-LDL) – sem que qualquer efeito fosse observado no caso do IMC. Segundo as autoras,  esses dados indicam que “as anormalidades metabólicas e vasculares podem mediar essas associações”.

 

Por outro lado, as associações tanto da circunferência abdominal quanto do IMC com o desenvolvimento de demência/prejuízo cognitivo foram fortalecidas quando os resultados foram ajustados exatamente para o peso, o IMC e a circunferência abdominal de cada indivíduo. “Estes resultados sugerem que os efeitos da obesidade generalizada e a obesidade central, em idades avançadas, sobre a taxa de prejuízo cognitivo podem ser mascarados sem um ajuste completo para o tamanho do corpo e a estatura da pessoa”, dizem as autoras. Segundo elas, as associações identificadas podem refletir mudanças relacionadas à idade na composição corporal e a associação de gordura visceral ao desequilíbrio metabólico.

 

Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)

 

 

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