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EXPECTATIVA DE VIDA MAIOR

EXIGE MAIS INVESTIMENTOS EM SAÚDE

JOSÉ REINALDO NOGUEIRA DE OLIVEIRA JUNIOR

 

O IBGE acaba de divulgar um estudo que aponta para um cenário previsto, há muito tempo, por prestadores do SUS: a saúde precisa de mais investimento público para atender a crescente demanda, que certamente virá, em um futuro não distante, agravar a insuficiência no atendimento público.

 

De acordo com os "Indicadores Sociodemográficos e de Saúde no Brasil", com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros, a necessidade por tratamentos médicos mais complexos na rede de saúde se multiplicou. Pacientes idosos exigem cuidados mais elaborados, atenção mais prolongada e, obviamente, mais investimentos.

 

Já se pode observar um grande salto na ocorrência de doenças crônicas entre os brasileiros. Por exemplo, as mortes por problemas cardiovasculares aumentaram de 12%, em 1950, para mais de 40%. Isso é um reflexo do maior número de idosos na sociedade e, consequentemente, nos hospitais.

 

O aumento da expectativa de vida, que é uma excelente notícia, é uma tendência irreversível. Para atender a esse avanço social, no entanto, a saúde precisa se preparar.  

 

Infelizmente, a estrutura de atendimento médico da população não atende às demandas atuais. E quando consideramos o aumento do número dos pacientes idosos, o futuro é sombrio. Principalmente em relação à rede pública, já que segundo a mesma pesquisa do IBGE, apenas 29% da população acima dos 60 anos possui plano de saúde particular.

 

Cerca de 75% da população depende exclusivamente do SUS para receber atendimento médico. O sistema apresenta déficit de R$ 7 bilhões anuais que, com os gastos crescentes, deve se agravar até chegar ao colapso.

 

Está na pauta da Câmara este mês a votação da regulamentação da Emenda Constitucional nº 29, um instrumento fundamental para iniciar a reconstrução do sistema, já que garantirá ao orçamento da saúde o mesmo montante de recursos investidos no ano anterior, acrescidos da variação do PIB. Isso é o mínimo que deve ser feito, de imediato.

 

Como complemento, é preciso revitalizar o SUS. Investir em instalações próprias e corrigir a tabela de procedimentos para viabilizar as parcerias com instituições privadas. Há muito tempo, as entidades que destinam leitos e serviços ao Sistema Único de Saúde têm de driblar o déficit médio de 40% no pagamento dos custos dos atendimentos realizados. Nesse contexto estão as Santas Casas e hospitais sem fins lucrativos, que respondem por um terço dos leitos do SUS.

 

Além de investir mais, a Administração Pública precisa também gastar adequadamente o dinheiro. Para isso, é recomendável acelerar o processo de transferência de administração de hospitais públicos para Organizações Sociais (OSs), como já ocorre em alguns Estados. Todas as experiências nesse sentido já comprovaram um significativo avanço na gestão e consequente melhoria na aplicação dos recursos.

 

A saúde é um problema urgente que o País deve enfrentar com vontade e seriedade.

 José Reinaldo Nogueira de Oliveira Junior é Presidente da Fehosp – Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo.

 

 

QUANDO A DOENÇA PODE ESPERAR

 

Quando pensamos que a capacidade de nossos governantes de fazer bobagem e demonstrar a sua total incompetência se esgotou, somos sempre surpreendidos, negativamente, com alguma notícia assustadora. Pois os postos de saúde da Capital Gaúcha fecharam de sexta-feira (30 de outubro) e só voltaram a atender a população apenas na terça-feira, dia 3 de novembro.

 

O motivo foi a transferência do dia do funcionário público do dia 28 para a sexta-feira, 30. Como nos finais de semana, os postos não trabalham e na segunda-feira, não havia expediente em razão do feriado de Finados, os funcionários da saúde no Rio Grande do Sul emendaram.

FONTE: www.capitalgaucha.com.br

 

 

QUALIDADE DE VIDA E SAÚDE BUCAL NA TERCEIRA IDADE

MARCO TULIO PETTINATO PEREIRA

 

Nos últimos 50 anos ocorreu um grande avanço tecnológico que veio ajudar a prolongar a vida das pessoas e lhes propiciar uma melhor qualidade de vida. No entanto, o crescimento da população idosa no Brasil tem acarretado um grande impacto, devido à falta de planejamento, de medidas assistenciais, de formação e capacitação do material humano necessário. Somado a esses fatores, grande parte de nossos idosos apresenta problemas de saúde.

 

Investir na saúde na terceira idade, assim como em outras fases da vida, é de extrema importância, pois esta melhora a saúde geral.  

 

Mas o que tem a ver tudo isto com a saúde bucal ? Tem tudo a ver, pois a

boca é um dos elementos que merecem atenção no processo de envelhecimento, porque é por meio dela que mantemos nossa auto-estima valorizada e nosso bom desempenho social. Pela boca expressamos nossos sentimentos e pelos dentes e sorriso  que as pessoas também se comunicam, além de se alimentarem de forma saudável.

 

A promoção, prevenção e recuperação da saúde bucal devem estar inseridas na rotina de todas as instituições, e em especial naquelas dos indivíduos da terceira idade, uma vez que a condição bucal em última instância influencia diretamente a qualidade de vida, por definir sua capacidade de mastigação, nutrição, fonética e de socialização.

 

E por isto, é importante que o idoso seja orientado em relação a vários aspectos de sua saúde, como por exemplo, saber qual a melhor dieta, como cuidar dos dentes e gengivas, saber realizar um auto-exame na boca para ver se tem anormalidades, etc. Enfim, realizar a prevenção na terceira idade é fundamental para ter saúde bucal e qualidade de vida em todos os sentidos.

 

Marco Tulio Pettinato Pereira é Cirurgião-dentista (CRO 47410), com especialização em Saúde da Família (UCAM), Saúde Pública (UNAERP) e Saúde Coletiva (SLMandic).

 

 

SAÚDE PRECISA DE GESTÃO

GEUMA CAMPOS NASCIMENTO

 

Os gastos na rede de saúde brasileira – tanto pública quanto privada – são altos, e nem sempre são investimentos que resultam em bom atendimento aos pacientes. Podemos verificar isso com as enormes filas nos corredores de hospitais públicos que, na maioria das vezes, não possuem equipamentos ou medicamentos adequados para atender a todos.

 

O mais curioso é que, de acordo com dados divulgados na revista Série Estudos Outsourcing, os gastos em 2008 com este setor foi de 8% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, o que equivale a cerca de US$ 100 bilhões – trata-se de um dinheiro e tanto.

 

No dia-a-dia, não percebemos o que envolve a saúde. Acreditamos que apenas o fato do médico ter o seu consultório, uma recepcionista que faz o agendamento dos atendimentos e recebe os pagamentos é tudo. Mas não é bem assim. Existe toda uma complexidade além daquelas salas que diagnosticam de maneira primária seu estado de saúde.

 

Por exemplo, verifica-se que algumas das atuais administrações de hospitais (neste caso, principalmente os privados) têm um atendimento para os pacientes mais burocrático do que talvez seja o necessário. Mas será que isso é correto e não representa mais um custo para o paciente?

 

Em diversas clínicas e hospitais, a utilização de uma gestão externa está melhorando, e muito, o desempenho financeiro e contábil da entidade de saúde. A terceirização destes processos faz com que empresas e pessoas especializadas em cada área ajudem no gerenciamento da organização, e não mais como era feito há pouco tempo, quando os próprios médicos atendiam seus pacientes e também cuidavam das finanças, folhas de pagamento, contabilidade etc. ou seja, a gerência de uma clínica e/ou hospital não é e nem deve ser expertise de um médico, por razões óbvias, por isso que na maioria das vezes não funcionava.

A nova opção do uso do outsourcing em empresas do setor da saúde é muito bem-vinda, já que pode fazer com que desperdícios sejam erradicados ou, pelo menos, que sejam em menores escalas dos atuais.

 

Uma empresa de outsourcing gerir a área financeira, contábil, fiscal, dentre outras, de qualquer organização é de muita responsabilidade; mas se tratando da área de saúde, torna-se de extrema importância, já que o uso indevido de recursos pode ocasionar no não atendimento adequado e ou em tempo hábil de pacientes que correm risco de vida.

        

O médico tem que cuidar do seu core business, que é o atendimento ao paciente, e por que não dizer, do seu cliente, e as empresas de saúde necessitam de especialistas para o gerenciamento das outras áreas que envolvem a medicina. Isso é fato — e a solução para parte dos problemas nesta complexa área.

Geuma Campos Nascimento é especialista em controladoria, gestão empresarial, gestão de outsourcing, sócia da Trevisan Outsourcing e professora da Trevisan Escola de Negócios. Email: geuma@trevisan.com.br.

 

 

 

CONTRA O INTERESSE DO PÚBLICO

 

Mais de 60 entidades civis ligadas às áreas da saúde e da defesa do consumidor lançaram manifesto contra a indicação de Maurício Ceschin para o cargo de Diretor de Desenvolvimento Setorial da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).representante de plano de saúde para diretoria da ANS.

 

O indicado ocupava até recentemente a presidência executiva do grupo Qualicorp, uma corretora de seguros que comercializa planos e seguros de saúde coletivos das maiores operadoras do país. O conflito de interesses é evidente, sendo forte o risco de atuação em prol das operadoras de planos de saúde. Não há dúvidas de que tal indicação fere a independência nas decisões técnicas da ANS e vai contra o interesse público, posto que cabe à agência normatizar, controlar e fiscalizar as atividades dos planos de saúde. "Se confirmada tamanha distorção  na composição do quadro de diretores da ANS, perderá, mais uma vez, a sociedade brasileira", afirma Daniela Trettel, advogada e assessora de representação do Idec.

 

 Entre as entidades  que foram contra a indicação estavam o Idec, o Fórum Nacional de Entidades Civis de Defesa do Consumidor (FNECDC), o Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (Cebes) e a Federação Nacional dos Médicos (FENAM).

 

Além dele, também foi indicado Leandro Reis Tavares para a diretoria de Fiscalização e foi ex- diretor da AMIL. Como as principais decisões da ANS são tomadas de forma colegiada, com a participação de todos os diretores, a presença  dos dois diretores vinculados a  interesses explicitamente empresariais compromete de saída a necessária isenção na tomada de decisões, que devem se balizar pelo atendimento ao interesse público.

 

O novo diretor nomeado poderá assumir  a Presidência da ANS em 2010, uma vez que o atual Presidente está em fim de mandato”, complementa Ligia Bahia, professora da UFRJ e representante do Cebes.

 


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