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GRIPE SUÍNA: PARALISA O MÉXICO

E COLOCA O MUNDO EM ALERTA

 

O presidente do México, Felipe Calderón, determinou que a população passasse cinco dias em casa, numa paralisação quase total da economia, depois que a Organização Mundial da Saúde apontou a iminência de uma pandemia de gripe suína.

 

Calderón ordenou que órgãos públicos e empresas não-essenciais parassem de funcionar para evitar novos contágios do vírus H1N1, que já matou até 176 pessoas no país e se espalhou pelo mundo.

– Não há lugar mais seguro do que o seu próprio lar para evitar ser infectado pelo vírus – disse Calderón em seu primeiro pronunciamento televisivo sobre esta pandemia.

 

De acordo com a diretora-geral da OMS – Organização Mundial de Saúde - , Margaret Chan, pandemias de 'influenza' (gripe) devem ser levadas a sério precisamente por causa da sua capacidade de se espalhar rapidamente para todos os países do mundo.

 

– A maior questão é: quão grave será a pandemia, especialmente agora no começo – disse Chan, acrescentando no entanto que o mundo "está mais bem preparado para uma pandemia de 'influenza' do que em qualquer momento da história".

 

A OMS elevou para 5 (numa escala de 1 a 6) o seu nível de alerta contra pandemias, o que significa que a epidemia global é iminente, por isso, a mídia no mundo inteiro tem dado destaque a gripe suína.

 

 

Vários países proibiram a importação da carne de porco, embora a OMS diga que seu consumo não provoca a gripe suína.


Sua origem é a partir da contaminação do vírus influenza A, o H1N1, que está em circulação com outro tipo viral, o chamado B. Enquanto que este circula apenas em humanos, o vírus A é transmitido entre diversos animais e, a seguir, entre os homens.

 

Através de uma possível troca de material genético entre vírus influenza de homens e de animais, em um processo conhecido como "rearranjo", acontece a produção de um novo vírus híbrido, tão virulento como o da gripe aviária e tão transmissível como a gripe humana.

 

“Podemos considerar que esta doença está em um momento embrionário, uma epidemia. Existe um monitoramento em todos os países, sobretudo no México, onde se originou, no Canadá e nos Estados Unidos, uma vez que a preocupação é que exista uma rápida disseminação do vírus, especialmente pela grande circulação de pessoas por diferentes regiões”,

  

comentou dr. Clystenes Odyr Soares Silva, professor da disciplina de pneumologia da Universidade Federal de São Paulo.

Dados da Organização Mundial de Saúde atestam que mais de 1.200 pessoas já foram contaminadas, e mais de 100 óbitos já foram atribuídos ao vírus.

“No Brasil, algumas pessoas já estão em observação, que atendem aos critérios de definição de caso suspeito de influenza A (H1N1). Porém nenhum caso foi confirmado ainda”, explica o Ministério da Saúde.

As pessoas em investigação estiveram em áreas afetadas e apresentaram alguns sintomas, mas não são consideradas suspeitas, porque não atendem à definição de caso suspeito preconizada pelo Ministério da Saúde,  explicam os informativos das Agências de saúde.

 

A DOENÇA

É uma forma de gripe que começa nos porcos e passa para o ser humano. Os sintomas são febre muita alta, dores musculares, dor de cabeça, dor nas juntas e articulações e ardor nos olhos. Ao contrário do vírus da gripe comum (influenza), no entanto, ainda não existe vacina específica contra o atual vírus da gripe suína, destaca o dr. José Eduardo Delfini Cançado, presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT).

 

 

GRIPE SUÍNA: DÚVIDAS E MEDOS

DR. RAUL EMRICH MELO

 

A grande preocupação hoje é se a gripe suína tem potencial para ser uma pandemia. Sim, ela pode virar pandemia pois, ao contrário da gripe aviária, a transmissão é de pessoa a pessoa.

 

Aviões potencializam a transmissão; em poucas horas um portador do vírus atravessa o mundo. O próprio avião facilita o contágio. Mesmo antes dos primeiros sintomas, um portador do vírus pode transmiti-lo pelo ar ou pelas mãos.

 

Com grandes cidades, grandes aglomerações urbanas, a disseminação do vírus pode ser rápida no Brasil, com muitas mortes. Há ainda (a maioria das pessoas ficam doentes e se recuperam da infecção) as perdas de dias de trabalho, comprometimento do dia-a-dia das escolas e, do ponto de vista psicológico, o pânico e medo da morte.

 

Nunca tivemos uma pandemia respiratória, de proporções semelhantes à da gripe de 1918, depois do surgimento da vacina da gripe e dos antivirais. Portanto, muitas especulações são possíveis, desde a mais alarmente

   

("vírus sem controle, com muitas mortes") até as mais otimistas ("temos vacinas e medicações que antes não existiam").

 

Na realidade, este é um cenário desconhecido, totalmente novo. Só o tempo dirá se as precauções foram exageradas ou se estávamos despreparados para este evento.

 

O importante nesse quadro alarmista é que o Brasil tem condições de combater de forma eficaz essa epidemia. Drogas antivirais estão estocadas e temos o potencial de lidar de forma positiva com esta situação. A forma

como o Brasil lidou com a epidemia de AIDS, além das campanhas de vacinação, são exemplos de que o nosso país tem condições reais de diminuir o impacto de uma infecção preocupante.

 

Neste aspecto é importante a população colaborar. Os cuidados básicos são os mesmos dos orientados para se evitar o contágio da gripe, ou seja, evitar aglomerações, lavar as mãos, tomar a vacina antigripe (apesar de não sabermos ao certo se isto é eficiente para esta epidemia), e procurar o médico se aparecerem sintomas respiratórios em quem acabou de viajar.

 

Essa crise vai desencadear muitas atitudes e reflexões. A primeira é em relação aos cuidados de uma epidemia que atinge pessoas de todas as classes sociais. Isso é bom pois reforça as medidas de proteção da sociedade em relação à  prevenção de doenças respiratórias, estoque de vacinas e medicamentos e pesquisas para novas drogas. Por outro lado, pode ser encarada como negativa, pois tira o foco de doenças que acometem as classes menos favorecidas. Morre-se mais de doenças passíveis de prevenção, mas que atingem pessoas pobres. Malária, Doença de Chagas e Esquistossomose são alguns exemplos.

 

A segunda reflexão está relacionada ao simbolismo de uma doença de grandes proporções. Isso mexe com nossos medos e o mais básico de todos é o medo de morrer. Infecções como essa gripe suína deixam explícita nossa fragilidade e finitude.

 

Há muito se espera por uma grande infecção, descontrolada, como a que aconteceu no fim da Primeira Guerra Mundial. Alarmistas ficam excitados com a possibilidade de estarmos próximos do fim do mundo, mas a verdade é que a ciência evoluiu e tem condições de lidar relativamente bem com esse problema.

 

Dr. Raul Emrich Melo, autor do livro História e Alergia (Via Lettera), palestrante, Doutor Medicina, especialista em Alergia-Imunologia e pesquisador da UNIFESP. Também faz parte da Sociedade Brasileira de História da Medicina. www.raulmelo.com.br .

  

BRASIL ESTÁ PREPARADO

 

“O País está preparado para esta situação. Temos um plano de contingenciamento desde 2005; os aeroportos e portos estão em alerta; há uma rede de 52 centros de referência para o acompanhamento e tratamento de eventuais casos da doença” , ressaltou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. 

 

 “A rede pública de saúde está preparada para a detecção precoce de casos suspeitos”, enfatizou o ministro. “Este é um momento importante e o fato de o nível ter passado de 4 para 5 prova isto. A existência de centros de vigilância epidemiológica em todo o País é uma arma muito poderosa.

 

Os 52 centros de referência que temos são outra arma para o enfrentamento da doença. Temos um grande centro em São Paulo, uma planta industrial com técnicos aqui no nosso país, capaz de produzir o tratamento. Este é o momento de combater a insegurança, a dúvida e o medo, de se ter confiança de que o governo está enfrentando o problema com seriedade”.

 

Desde 2000, o Brasil começou a estruturar a rede de vigilância em saúde para o enfrentamento ao vírus influenza. Em 2003, com a detecção de uma variação do vírus na Ásia, houve um fortalecimento da vigilância epidemiológica e da rede laboratorial do País. Em 2005, por Decreto Presidencial, foi inclusive criado um grupo executivo interministerial para preparar o Brasil para uma eventual pandemia por influenza – foi nesse ano que houve o surto da gripe aviária.

 

 

VÍRUS FRACO


Masato Tashiro, diretor do centro de pesquisas do vírus da gripe no Instituto Nacional de Doenças Infecciosas do Japão e membro do comitê de emergências da OMS, disse ao jornal japonês Nikkei que aparentemente o H1N1 é muito menos perigoso do que o vírus da gripe aviária, que causou mais de cem mortes no começo da década, especialmente na Ásia.

– Estou muito preocupado de que usemos o estoque de medicamentos antigripe e estejamos desarmados quando precisarmos lutar contra a 'influenza' aviária. A maior ameaça à humanidade continua sendo a 'influenza' aviária H5N1 – disse.


Guan Yi, professor de Microbiologia da Universidade de Hong Kong, disse que o vírus da gripe suína (o H1N1) pode se misturar com o da gripe aviária (H5N1).


– Se ele for para o Egito, Indonésia, essas regiões endêmicas do H5N1, ele pode se transformar em um H5N1 muito poderoso, ou seja, muito transmissível entre as pessoas. Aí estaremos em apuros, será uma tragédia – disse.


Fontes: Redação, com Reuters - da Cidade do México; Ministério da Saúde,

Para mais informações, acesse:

http://www.fleury.com.br/Clientes/SaudeDia/podcasting/Pages/Podcasting.aspx 

A população pode ter acesso pelo Disque Saúde (0800 61 1997) a esclarecimentos sobre a gripe suína.

 

 A GRIPE SUÍNA E A HUMANIDADE

FERNANDO RIZZOLO

A fragilidade humana diante da natureza passa a ser assustadora quando nos deparamos com as novas doenças que surgem, principalmente aquelas relacionadas à infectologia. Na história da humanidade muitas foram as pestes que assolaram populações inteiras, e a problemática das epidemias sempre foi alvo de estudo da ciência e da medicina.

Os conceitos de transmissão das doenças contagiosas avançaram muito, e hoje podemos de forma clara constatar, a origem das doenças transmissíveis. Contudo vale salientar, que se avanços houve em relação à pesquisa no campo da infectologia, no tocante as causas que propiciam o desenvolver das novas doenças, permanecem estas inalteradas, e de certa forma até potencializadas face ao abandono e ao abrandamento dos princípios básicos de fatores preponderantes e desencadeadores das propagações.

O aumento populacional, o estilo de vida, a ingestão maciça de carne animal, bem como a produção de grãos visando a criação cada vez maior de aves, suínos e bovinos - confinados estes, em grandes  núcleos populacionais - nos remete a uma reflexão sobre esse meio de cultura perigoso, onde animais e seres humanos passam a ser atores biológicos, no desenvolvimento de novos tipos de vírus e bactérias.

Já no Antigo Testamento (Torah), as doenças contagiosas eram narradas com a descrição e a forma de prevenção, as quais surgiam dentro de um modelo religioso onde a caracterização das mesmas, continham conotações de estilo de vida que esbarravam nos conceitos de alimentação e de obediência à Deus.  Na verdade, a imposição das normas, vinham de encontro aos principais conceitos até hoje observados, no campo da infectologia e da saúde pública.

A gripe suína nos leva a uma profunda reflexão sobre a nossa relação com os animais, com a natureza, com o ecossistema, e acima de tudo sobre o fato de cada vez mais tornarmos o nosso hábito alimentar, num ato de paz em sintonia com natureza, libertando assim os animais da triste missão covarde de fazê-los nos alimentar. Vamos libertar os animais, e quem sabe assim possamos nos libertar das pestes que nos aprisionam, e da triste violência sem limite contra os seres vivos.

Fernando Rizzolo é Advogado, Pós Graduado em Direito Processual, ex-professor universitário, participa como Coordenador da Comissão de Direitos e Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção São Paulo, e membro efetivo da Comissão de Direito Humanos da OAB/SP, Articulista Colaborador da Agência Estado, e Editor do Blog do Rizzolo - www.blogdorizzolo.com.br

 

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