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ESPAÇO MAIOR

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QUE SAUDADES DOS BONS EXEMPLOS DAQUELES TEMPOS
AMARO JUNIOR

Hoje eu me peguei pensando. O que aconteceu conosco para não valorizarmos mais o exemplo que os mais velhos nos deixaram? Será que a cultura do esquecimento que tanto gira por aí, também vai fazer como vítima histórias de vida de pessoas que tinham um caráter acima de qualquer suspeita? Hoje nas escolas qual o modelo que os jovens têm? Estaríamos nós Brasileiros carentes de heróis?

Será que os adolescentes sabem quem foi Tiradentes? Aleijadinho? Rui Barbosa? Machado de Assis? E Brad Pit? Esperem um pouco, esse último todo mundo conhece! É isso mesmo, atores, escritores, atrizes, cantores, comediantes, políticos, principalmente se forem de outros países, todos conhecem, sabem tudo sobre eles. Algumas pessoas, até querem ser como eles.

Quem hoje em dia serve de modelo para esses adolescentes que estão chegando agora no mundo de verdade, no mundo do vale tudo, na verdadeira selva de pedras? Quem é o espelho para rapazes e moças, que muitas vezes não tem como se orientar, já que os exemplos que temos e que vivem na mídia — tirando os citados acima, estão quase todos em Brasília, mas precisamente no Congresso Nacional. Entenderam a ironia?

Vivemos numa cultura de Big Brothers, onde ninguém serve de exemplo para ninguém. Somos artistas 24 horas por dia, não sabemos quando as pessoas estão sendo verdadeiras, puras, sinceras, reais. Ah! meus leitores, que saudade dos meus avós. Dos meus tios que chegavam e conversavam conosco. Nos explicavam e nos falavam sobre o mundo, as pessoas e as coisas que desconhecíamos. Verdadeiramente viajávamos através das palavras e histórias que eles nos contavam. Vivíamos cercados de bons exemplos por todos os lados, dentro e fora de casa.

Hoje vejo crianças e adolescentes em frente a computadores perguntando para um site de busca quem foi fulano, beltrano e cicrano, lendo histórias, sabe Deus, escritas por quem. Mas a máquina não falha, responde na hora, na bucha e pronto, está tudo resolvido. A coisa é seca e fria. Eles só não têm o carinho das palavras proferidas pelos meus avós e tios, que usavam da verdade e sinceridade. Administravam as informações que nos passavam. A fonte era segura, não falhava. Ali não corríamos o risco de obter informações erradas, mentirosas, sem filtro. Nesta relação — máquinas, pessoas, não existe amor, carinho, cuidado, afeto, amizade, compreensão e principalmente, dialogo. Ah! Tudo isso eu tive.

Pergunto-me? Estaria aí o motivo para tanta violência entre os jovens? Quando me relaciono com pessoas, eu as sinto, as toco, as cheiro, rola uma química pura e verdadeira, existe sentimento mesmo que seja uma relação rápida e passageira. Pergunto a vocês: Em nosso trabalho, não sentimos algum tipo de amor ou carinho pelo colega? No ponto de ônibus que esperamos nosso transporte todos os dias, aquela pessoa que usa a mesma linha que a gente, não nos causa algum tipo de simpatia? Até mesmo o sorveteiro ou pipoqueiro que vendem em frente ao nosso trabalho ou faculdade, nos provocam um tipo de carinho e apego.

Eu agora não pergunto mais, eu afirmo. Eu sinto saudade de um beijo, de um abraço, de um carinho e de um cafuné. Opa! O que é isso? Perguntam-me os mais novos. Respondo: É um tipo de carinho que meus avós, tios e meus pais me faziam. E vocês, andam se relacionando mais com quem? Com as máquinas ou com seus avós? Com seus irmãos, ou seus pais? Com seus amigos, ou com seus primos? Afinal de contas, quem são as pessoas que você convive hoje? Quem lhe serve de exemplo?

Ainda bem que eu pude viver um dia o primeiro tipo de relacionamento com meus avós, meus tios e meus pais. O segundo com as máquinas, estou vivendo agora para chegar até vocês, que mandam meus artigos e minhas opiniões para os quatro cantos do mundo, mas que não me trazem aos ouvidos, um obrigado, um eu te amo. Confesso, no entanto, que gostava muito mais do primeiro.

Lembranças e saudades deixadas aqui, de um neto, de um sobrinho e de um filho que foi e é verdadeiramente amado.

Amaro Junior é formado em Administração de Empresas, Radialista, Fotógrafo e trabalha em Manaus.

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