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ESPAÇO MAIOR

 

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UM TAPINHA NÃO DÓI?

ROSANE MAGALY MARTINS

 

O projeto de lei da deputada Maria do Rosário (PT-RS), aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados abre um importante espaço para a discussão sobre temas contemporâneos de esfera privada com necessidade de regulamentação e intervenção pública. O tal projeto "estabelece o direito da criança e do adolescente a não serem submetidos a qualquer forma de punição corporal, mediante a adoção de castigos moderados ou imoderados, sob a alegação de quaisquer propósitos, ainda que pedagógicos..."

 

O projeto em questão, que proíbe até uma palmada pedagógica, trata também de uma importante questão de direitos humanos: a de que todas as crianças e adolescentes têm direito ao respeito por sua integridade física e dignidade humana.

 

Ao ler sobre o tema ouvi os reclames legítimos de meu filho de 12 anos: “Mamãe, você tem que se manifestar a favor desta lei, afinal quando um adulto faz alguma coisa errada ninguém pode bater nele e se bate é crime! Por que podem bater na gente que é criança?”

 

A razão está ao lado do João Pedro e de todas as demais crianças e adolescentes que vivem no mundo globalizado onde a violência é real e as crianças são as últimas a desfrutar de proteção igualitária contra a agressão e a humilhação deliberadas.

 

Quando você discute com um adulto e ele não concorda com você a sua primeira atitude é bater no seu interlocutor? Esse cenário parece absurdo, no entanto é dessa forma que muitos pais, educadores e familiares se portam na relação diária com crianças e adolescentes.

 

Vivemos num país onde mulheres em danceterias rebolam ao som de “um tapinha não dói”. Essas mesmas mulheres necessitam da Lei Maria da Penha para que não sejam covardemente agredidas dentro de seus lares pelos homens que acreditam amar.

 

Necessitamos com urgência gerar mudanças de atitudes e práticas em relação à educação de nossos filhos, visando a criação de uma cultura de paz, nos contrapondo aos valores da violência e da agressão legitimados de maneira geral em nossa sociedade.

 

A iniciativa parlamentar é apoiada por um conjunto de organizações da sociedade civil, que esperam que o Brasil possa seguir as diretrizes da ONU e abolir definitivamente da nossa cultura a idéia de que as crianças só podem ser educadas por meio de tapas, palmadas, gritos e demais violências psicológicas. Quem permite o tapinha pedagógico permitirá outras formas de violência. Por isso, em nome de João Pedro e de todas as crianças e adolescentes brasileiros, nos posicionamos a favor da aprovação da lei.

 

A autora é advogada, gerontóloga e mãe contra qualquer forma de violência. 

http://advogadaemflorianopolis.blogspot.com/

 

 

ATAQUES CARDÍACOS DURANTE VÔOS MATAM MAIS PESSOAS DO QUE NOS DESASTRES AÉREOS
CÉLIO PEZZA

 

Você sabia que morrem mais pessoas de ataques cardíacos dentro de aviões do que nos desastres aéreos? De acordo com estatísticas da IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo), em 1950 viajavam por ano no mundo todo, perto de 10 milhões de pessoas. Atualmente este número é calculado em 4 bilhões.

 

Existe uma taxa de 1 problema grave de saúde a bordo para cada 1,3  milhões de passageiros, o que dá um total de aproximadamente 3.000 ocorrências graves de saúde a bordo. Destas, aproximadamente 60% são ataques cardíacos, ou seja, perto de 1.800 pessoas por ano em todo mundo. Por outro lado, também de acordo com a IATA, houve, em 2009, cerca de 60 acidentes aéreos, com aproximadamente 750 mortes. Com estes números conclui-se que os ataques cardíacos em pleno vôo matam mais pessoas do que os acidentes aéreos.

 

Existem alguns agravantes para a saúde durante um vôo:

Pressão atmosférica: a baixa pressão dentro das cabines provoca uma expansão dos gases de até 30% de seu volume. Todas as cavidades ocas do corpo humano se expandem e podem provocar problemas nos tímpanos e náuseas por dilatação do estomago e do intestino. Pessoas com cirurgia pulmonar ou abdominal recente não devem viajar de avião. Existe um risco de rompimento das suturas.

 

Umidade do ar: A umidade do ar durante um vôo é de 10-20%, quando o ideal é de no mínimo 40%. Essa baixa umidade pode desencadear crises de asma ou bronquite.

 

Níveis de Oxigênio: Um avião é pressurizado, mas esta pressão não é igual a do nível do mar. Quando os aviões atingem sua altura de cruzeiro, por volta de 12.000 metros, a pressão da cabine é equivalente a 2.500 metros de altura. Pessoas normais não sentem esta falta de oxigênio, pois o nosso corpo compensa essa falta com aumento da freqüência cardíaca, respiratória e do volume de ar inspirado em cada ciclo respiratório. A saturação de oxigênio sanguíneo, que costuma ser de 99% ao nível do mar, cai para 94% durante os vôos. Isto causa certo desconforto e cansaço durante vôos mais longos. Já pessoas com doenças cardíacas ou pulmonares, que apresentam taxas de oxigênio abaixo de 95%, podem não conseguir compensar essa diminuição do oxigênio e apresentar taxas abaixo de 90%, o que é insuficiente para o bom funcionamento de vários órgãos. Neste momento, podem acontecer isquemias cardíacas, intensa dor no peito, falta de ar e uma parada cardíaca.

 

Por outro lado, é sabido que durante uma parada cardíaca, o pronto atendimento é fundamental e aí que vem o problema. A legislação não obriga nenhuma empresa de transporte aéreo a prestar serviços médicos a seus passageiros durante o transporte e estas, quando muito, mantém seus “kits” de emergência, na maioria das vezes inadequados a uma ocorrência séria.

 

Quando tem um problema, a comissária simplesmente solicita a ajuda de algum médico que eventualmente esteja a bordo. Este, muitas vezes, quer ajudar a salvar uma vida, mas não encontra as condições mínimas necessárias.

 

Um simples desfibrilador automático, que é um aparelho que emite choques elétricos para recompor o ritmo dos batimentos cardíacos e que custa no mercado algo em torno de R$ 6.500,00, pode salvar uma vida, mas infelizmente, a vida humana não vale este investimento para algumas empresas.

 

Muitas vozes já se levantaram a favor de leis que obriguem a presença destes aparelhos não só em aviões, mas em todos os locais onde haja aglomeração de pessoas, tais como campos de futebol, aeroportos, grandes shoppings, hotéis, eventos, shows e muitos outros.

 

Não deveria ser por imposição legal, mas, infelizmente, existe uma parte do mundo que não entende outra linguagem. Para estes, vamos aumentar as vozes e pedir pelas leis que obriguem a salvar vidas.

 

Célio Pezza é escritor  mas tem sua formação acadêmica em Química e Administração de Empresas. Nascido em Araraquara, interior de São Paulo, Célio mora atualmente em Veranópolis, no Rio Grande do Sul.

 

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