espacomaior
 

 ESPAÇO MAIOR

Os textos abaixo são de responsabilidade exclusiva de seus autores. Eles expressam a opinião e as críticas de cada profissional ou usuário. Nós os publicamos, pois achamos que são de interesse do nosso público alvo,
pessoas da terceira idade e as que estão envelhecendo.
Envie-nos suas denúncias ou experiências para:
     redação@idademaior.com.br

 

MULHER, CONQUISTAS E RENÚNCIAS NO SÉCULO XXI

 

Algumas questões são recorrentes: ainda existe machismo no mercado de trabalho? Terá a emancipação feminina acarretado, para o homem, uma sensação de inadequação, um deslocamento social, uma profunda dificuldade para encontrar o seu próprio lugar? E será verdade que, para as brasileiras, a conquista de um marido ainda constitui um elemento central da existência, enquanto as européias são muito mais autossuficientes?

 

Também se fala, insistentemente, da angústia em tentar corresponder aos diversos papéis sociais – de esposa, mãe, profissional de sucesso, familiar amorosa, cidadã consciente –, que sobrecarregam a mulher e, não raro, a impedem de simplesmente viver.

 

É um pouco dessa problemática, capaz de inspirar desde filmes a teses de mestrado, que a executiva Magui Lins de Castro, sócia da empresa de headhunters CTPartners Brasil e ex-CEO de grandes multinacionais, aborda nesta entrevista.

 

DE QUE MANEIRA A EXECUTIVA MODERNA SOBRESSAI NO ATUAL MERCADO DE TRABALHO?

Em primeiro lugar, independente do sexo, executivo é executivo. É pago para trazer volume de negócios lucrativos para a empresa, preservando os valores da mesma. A mulher tem alguns aspectos que são inerentes à sua natureza: é mais intuitiva, escuta mais, pondera mais e sabe tocar vários projetos ao mesmo tempo, sem se perder em nenhum. Mas, ao mesmo tempo, quando ela chega a ser executiva, ter um alto posto, com certeza já ultrapassou diversas barreiras competitivas em relação aos homens. Mulher executiva não precisa ser masculina para se provar. Tem que ser competente. Dar resultado. Saber como manter o time junto, coeso. Ter habilidade para se comunicar com coerência e transparência. Mas, não se deve esquecer que essas qualidades são necessárias tanto nas mulheres quanto nos homens.

 
VOCÊ CONCORDA COM A FRASE: "O QUE CONTA É A COMPETÊNCIA, E A QUESTÃO DE GÊNERO NÃO É IMPORTANTE”?


Sim, eu concordo 100%. Ao longo da minha carreira, contratei muita gente para desempenhar funções executivas e sempre olhei para a competência e não para o gênero. Porém, sou muito favorável a ter uma mescla 50% homens e 50% mulheres em qualquer organização. Energias masculinas e femininas se somam e se completam em uma empresa. Quando um departamento tende a ter mais mulheres ou homens, considero relevante, sim, fazer uma mão dura para trazer o sexo oposto. Mas isso só é feito quando há dois candidatos exatamente iguais em competência, e o critério de desempate pode estar relacionado à harmonia do conjunto.
 
QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS DESAFIOS ENFRENTADOS HOJE PELAS MULHERES QUE CHEGAM AOS DEGRAUS MAIS ALTOS DE SUAS PROFISSÕES?


Seu principal desafio reside nela mesma: a culpa. A culpa de não dar muita atenção aos filhos, ao marido, de não ser a esposa perfeita, de não corresponder plenamente a um certo padrão que sua mãe lhe ensinou. Chegar a um degrau alto na profissão exige muita dedicação, como tudo na vida. Se você quer ser um bom desportista, tem que treinar. Se quer ser uma boa bailarina, tem que treinar. Se quer ser um bom músico, tem que treinar. As coisas não são diferentes para quem almeja ser um bom executivo. O sucesso profissional exige estudos, para que haja entendimento do negócio, entendimento da empresa em que o executivo está inserido, entendimento acerca de seus concorrentes principais. Enfim, um executivo de sucesso tem que colocar as suas metas em primeiro plano. Dedicação é chave para se ter sucesso em qualquer profissão.


AINDA ACONTECE DE MUITAS MULHERES ABRIREM MÃO DE UMA CARREIRA DE SUCESSO PARA PODEREM SE DEDICAR À VIDA PESSOAL?

 

Sim, isso é muito comum. Grande número de mulheres opta por se dedicar às suas vidas pessoais. Elas renunciam à ascensão profissional porque essa busca poderia requerer um tempo e uma energia que, a seu ver, são excessivos. Mas não vejo esse tipo de renúncia como algo negativo, pois trata-se de uma opção de vida, e, como tal, é perfeitamente válida. Acho importante ressaltar, no entanto, que muitas vezes as mulheres não vão mais longe em suas carreiras porque, definitivamente, não o querem, não veem isso como prioridade.

 
QUE ATITUDES AS MULHERES DEVEM CULTIVAR E QUAIS ELAS DEVEM EVITAR PARA, EFETIVAMENTE, ALCANÇAREM O SUCESSO?

 

Qualquer profissional, independentemente de ser homem ou mulher, deve cultivar o aprimoramento constante e buscar um ponto de equilíbrio que lhe permita equacionar corretamente a vida pessoal e o crescimento profissional. Não é produtivo focar demais em um só ponto, em uma só dimensão. Já o equilíbrio é a receita para o sucesso de qualquer ser humano.

 

Equipe Ricardo Viveiros – Oficina de Comunicação

 

RAINHA DO LAR ATUAL

A análise de um dia comum da mulher urbana hoje levou à constatação de que ela desenvolve, em algumas poucas horas, mais de 50 ações. São atividades diversas, realizadas muitas vezes concomitantemente.

À noite as tarefas são reduzidas, mas não cessam. Os finais de semana figuram como oportunidade de realizar, com mais calma, as tarefas domésticas, não tão bem feitas durante a semana, anulando assim os momentos de descanso e relaxamento. Pior: o encarecimento da mão-de-obra de uma empregada fixa faz com que as obrigações femininas se intensifiquem ainda mais.

A estafa ocasionada pelo excesso de atividades, a falta de oportunidades para compartilhar, bem como a escassez de tempo e ausência da figura masculina, promovem a cada dia a deterioração das relações humanas, o afastamento dos membros da família e o individualismo.

Os rituais familiares vão perdendo força e significado. Os jantares, os almoços de domingo, as receitas da vovó, as reuniões entre amigas para comemorar uma data importante para o grupo dão espaço para a realização operacional de tarefas.

Essas e outras revelações fazem parte da pesquisa Mulheres do Brasil, , quando foram entrevistadas mais de 400 mulheres de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília, Recife e Ribeirão Preto. A psicóloga e pesquisadora do comportamento humano Oriana White, do CPM Research – Centro de Pesquisa Motivacionalfoi responsável pela pesquisa. Os resultados revelaram que o acúmulo de atividades das mulheres das grandes cidades, dentro e fora do lar, e a ausência da figura masculina nos processos de execução das tarefas, está provocando a deterioração das relações familiares.

 

PARA REFLEXÃO
JOSEPHA BARBOSA SOARES

Em 8 de março de 1857, cento e vinte e nove operárias de uma fábrica têxtil de Nova York entraram em greve. Reivindicavam salário igual ao dos homens e redução da jornada de trabalho, que chegava a 16 horas diárias. Os patrões trancaram as operárias e incendiaram a fábrica. Todas as grevistas morreram queimadas.

Em 1910, o 1º Congresso Internacional das Mulheres na Dinamarca, escolheu este dia para comemorar o Dia da Mulher. Sessenta e cinco anos depois, a O.N.U. (Organização das Nações Unidas) proclamou o ANO INTERNACIONAL DA MULHER com o propósito de chamar a atenção para as discriminações sofridas pela mulher.

Encarada como sexo frágil, o exemplo destas operárias demonstrou a força da mulher através dos tempos, quando vem atuando em diversas situações, em diferentes países se posicionando nas artes, na ciência, no esporte, em trabalhos braçais e na política.

Pelo mundo afora temos exemplos de mulheres que marcaram época: Em 1918, em Londres Emmeline Pankhust, junto com outras " batalhadoras" por seus direitos, após greve de fome e persistência, lutaram pelo direito ao voto. Muitos anos depois, em 1928, a igualdade política foi alcançada. No Brasil, o reconhecimento do voto feminino só foi conquistado na Constituição de 1934.

Hoje, já temos representantes do sexo feminino no Poder Judiciário - A juíza Ellen Northfleet foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal - na Câmara, no Senado e perspectiva de uma mulher chegar à Presidência da República.

A primeira imortal a ingressar na Academia Brasileira de Letras foi a escritora Raquel de Queiroz e lá também ingressaram: Nélida Pinõn e Zélia Gatai. Os destaques femininos são inúmeros e não vamos aqui nomeá-los.

Enquanto, há alguns anos atrás, ela não usava calça comprida, precisava da autorização do marido para poder comprar ou viajar, tinha horário para chegar em casa, hoje, a mulher está presente em todos os lugares; nas forças armadas, nas polícias e forças auxiliares. Ela degusta chopinho com parceiros, fuma, dirige automóvel, ônibus, metrô e até caminhões nas estradas. Já são líderes em empresas, já são chefes de família e em muitos outros campos de atuação, antes só ocupados pelos homens.

A "rainha do lar" está em extinção, mesmo sendo a mulher a maioria, segundo estatísticas, ela tem que trabalhar para manter a sobrevivência da família, gerando um novo modelo, influenciado pela emancipação feminina.

Mesmo sabendo que homem e mulher têm papel muito importante um para o outro e que o patamar entre ambos deve ser o mesmo; cá entre nós, é muito gentil quando o acompanhante abre a porta do elevador ou do carro, ou afasta a cadeira no restaurante ou oferece flores. O cavalheirismo faz muito bem ao seu ego, mesmo que muitas não demonstrem.

Assim diante de toda esta evolução, é preciso fazer uma reflexão séria, abrangente e profunda sobre as formas de discriminação, se a mulher quiser mudar alguma coisa e dessa evolução, para saber se está feliz. Ela como ser humano é susceptível dos mesmos erros, vícios, defeitos, fraquezas e das mesmas virtudes que o homem.

A grande diferença é que a mulher recebeu de Deus a faculdade da maternidade. Que neste mês, ela reflita da responsabilidade de espalhar na família, amor e paz, porque tudo começa no lar.

E também pense nas opressões sofridas pelas mulheres do Afeganistão e de alguns países islâmicos, obrigando-as a cobrirem o corpo totalmente com a burka, a não poder estudar e nem trabalhar. Isto sem falar, na mutilação dos clitórios, realizadas em tribos africanas.

Pesquisa e texto de Josepha Barbosa Soares.

  

_________________________

Direitos autorais (Lei federal nº 9.610/98) - Quando da utilização de material  deste site, deve ser feita a seguinte referência: "extraído de www.idademaior.com.br"