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ESPAÇO MAIOR

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TRÂNSITO, BOM SENSO OU MAIS CAOS

MARCELO GATTI REIS LOBO

 

Os brasileiros assistem estarrecidos ao caos em que transformou o tráfego nas grandes metrópoles. O cenário formado por um mar de carros, caminhões, ônibus e motos se deve a falta de um transporte público eficiente, com o crescimento constante da frota de veículos, mas a falta de bom senso dos motoristas também contribui. Na verdade, somos todos responsáveis por essa “casa de horrores” urbana. Acima de tudo, falta educação no trânsito. E a situação tende a piorar se nada houver uma ampliação dos investimentos para o setor e a conscientização dos motoristas de hoje e de amanhã.

 

Na cidade de São Paulo, o problema é crônico. Se os governos estadual e municipal não tomarem medidas imediatas, o caos tende a piorar. São horas que o motorista perde dentro do carro para percorrer pequenas e médias distâncias. Muitos paulistanos tiram seu carro da garagem porque falta um sistema eficiente de transporte público.

 

Algumas ações já estão sendo realizadas para tentar atenuar os problemas das principais vias da metrópole, mas rodízio, corredores de ônibus e motos, faixas adicionais e outras iniciativas se revelam insuficientes diante do aumento contínuo da frota. Somente em 2007, foram licenciados no Brasil 2.464.831 unidades de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, um crescimento de 27,7% sobre 2006. O número de motocicletas emplacadas bateu na casa de 1,7 milhão de unidades, 33% acima de 2006. A expansão da frota, aliada ao despreparo de milhares de novos e também velhos motoristas, torna a situação explosiva. Os congestionamentos provocam angústia e o nervosismo muitas vezes acaba em cenas de violência.  

 

Os governos municipal, estadual e federal têm que agir de imediato em três frentes: melhorar a educação do motorista, investir conjunta e pesadamente na ampliação da rede do Metrô e na finalização do Rodoanel. Nosso metrô conta com apenas 61,2 km de extensão e, diferentemente do passado, tem freqüentado as manchetes dos jornais em razão das seguidas ocorrências que paralisaram a rede por horas, redução significativa do grau de satisfação dos usuários e do acidente de pinheiros, que até hoje – mais de um ano – ainda não se conhece as causas e responsáveis. De igual forma o Rodoanel assume singular importância para desafogar o trânsito na região metropolitana e diminuir o custo dos fretes. É preciso terminá-lo com brevidade. Não somente o trecho sul, mas toda sua circunferência! Isto não é responsabilidade exclusiva deste ou daquele governante, mas depende de uma ação integrada das três esferas.

 

Importante projeto de lei tramita na Câmara dos Deputados, autoriza o governo a introduzir na grade curricular das escolas públicas e privadas, matéria obrigatória durante os anos de ensino fundamental e médio, sobre o Código de Trânsito Brasileiro, com cursos e palestra sobre educação no trânsito, tendo como meta uma formação mais profunda dos motoristas, fazendo com que o respeito se sobreponha às cenas diárias de selvageria.

 

Outra lei polêmica aprovada na Câmara Municipal de São Paulo deve ser regulamentada pela Prefeitura. A Lei 393/05 proíbe o motorista de fumar enquanto dirige e a multa prevista é de R$ 85,13. A seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) promete contestar a constitucionalidade da lei no Tribunal de Justiça. Não somente motoristas fumantes, mas também especialistas em trânsito contestam a medida. Isso porque o artigo 22, inciso 11, da Constituição atribui exclusivamente à União a possibilidade de legislar sobre trânsito e transportes. Mesmo assim, é forçoso reconhecer que se trata de uma iniciativa de segurança importante e que deve eliminar um dos causadores de acidentes.

 

Forçoso é admitir, que outra medida de segurança polêmica é a proibição de motocicletas nas pistas expressas nas avenidas Marginais Tietê e Pinheiros. Além de não inviabilizar o trabalho dos motofretes, lá quase todo acidente é fatal! Daí a importância da medida.

 

Diante da explosão na venda de carros e motos, não há rodovias, avenidas e ruas que consigam absorver o tamanho da frota. Campanhas de educação são fundamentais. É necessário agir com extrema urgência.

 

Marcelo Gatti Reis Lobo é advogado, especialista em Direito Processual Civil do Dabul & Reis Lobo Advogados Associados - (marcelo@dabulreislobo.com.br)

 


A LOUCURA BUROCRÁTICA NO BRASIL


O Brasil é o país das boas intenções.  Elas são tão boas que tornam a vida das pessoas um inferno.

O congresso nacional segue o padrão cultural do Brasil. Muitos o consideram pior do que o resto da sociedade. Eu sou daqueles que enxergam no congresso os mesmos erros da sociedade em geral. Nem melhor e nem pior.  Os mesmos erros, inclusive a burocracia
.

A câmara aprovou um projeto de lei importante para o controle dos gastos de água em condomínios: torna obrigatório a instalação de medidores individualizados por apartamento.  Ou seja, cada um paga o que consumir.

Me lembro de um amigo que morava em um edifício onde uma senhora montou uma lavanderia no seu apartamento. Todos no prédio pagavam a conta de água em comum (com os gastos da lavanderia).

Depois de aprovado na câmara o projeto segue para o senado.
Imagine aquelas poucas dezenas de senadores discutindo a sério TODOS os temas do Brasil. São poucos, para tanto serviço (nem discuto aqui a qualidade).

Solução:  Temas mais simples como estes não precisam da aprovação do senado.  Somente temas mais nobres seriam submetidos aos poucos (e velhinhos) senadores.

Outro dia saiu uma notícia sobre um projeto que regulamentava a compra de terrenos por condomínios. Ou seja, estabeleciam regras para esta

 

 

 

compra.  O tal projeto também está no senado. Daqui a alguns anos, quem sabe, vira lei.

É por isto que o Brasil não anda.  Tudo tem que ser feito duas, três vezes.

Câmara aprova conta de água individual em condomínios RIO - A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), da Câmara dos Deputados, aprovou na manhã desta quinta-feira o Projeto de Lei 4931/01, que torna obrigatória a instalação de medidor de consumo de água para cada domicílio de condomínios. A informação é da Agência Câmara. ... Agora, o PL, que tramita em caráter conclusivo, segue para o Senado.

BLOG DO CHICÃO http://blogchicao.tripod.com/

 


A CRISE E O CAFEZINHO

TOM COELHO

 

“EM UMA CRISE, QUANDO AS PESSOAS SÃO FORÇADAS A ESCOLHER ENTRE DIVERSOS TIPOS DE AÇÃO,A MAIORIA ESCOLHERÁ

A PIOR AÇÃO POSSÍVEL.”

(LEI DE RUDIN)

 

 

É sempre assim. Quando uma crise qualquer ecoa em uma empresa, quem paga o pato é o cafezinho! Explico-me.

 

Tenho conduzido processos de reestruturação em empresas ao longo dos últimos anos. E o receituário para corporações em conflito passa necessariamente pela redução de custos.

 

Assim, procuro focar os cortes em ações significativas, atacando desperdícios e despesas supérfluas, revendo contratos de fornecimento, cuidando com atenção das despesas financeiras e, em especial, coibindo abusos da alta gestão por meio de uma nova cultura. Isso significa separar gastos pessoais de corporativos, no caso de pequenas e médias empresas, e adotar critérios mais rigorosos para pagamento de bônus e concessão de benefícios, nas empresas de grande porte.

 

Todavia, há ainda quem inicie um plano de estabilização pela extinção do café servido na copa, seguido da suspensão de treinamentos e programas de qualidade de vida, meio ambiente e sustentabilidade, propaganda e promoção, e até pesquisa e desenvolvimento. Claro que no final da linha está projetada uma indefectível onda de demissões, varrendo a empresa e assombrando os trabalhadores.

 

Em tempos de crise propalada como a que ora experimentamos, quando a panacéia toma conta não apenas dos mercados financeiros, mas também da cabeça dos gestores de empresas, cegando-lhes diante da realidade dos fatos e ceifando-lhes a racionalidade, há que ter ponderação, bom senso, prudência e visão de futuro.

 

Porém, a posologia míope adotada por muitos gestores coloca em um mesmo saco despesas operacionais e investimentos. Os aumentos de produtividade auferidos por meio de programas de capacitação são esquecidos. Os ganhos intangíveis de médio e longo prazo decorrentes de programas de qualidade de vida são desconsiderados. A melhoria na imagem institucional em função de ações relacionadas ao desenvolvimento de uma cultura de sustentabilidade é ignorada.

 

Iniciativas que demandaram meses ou anos para serem planejadas, estruturadas e implementadas são abortadas. Assim, jogam no lixo não somente o investimento realizado, mas também o entusiasmo, o comprometimento e as expectativas das pessoas envolvidas. A mudança nas regras do jogo desequilibra o sistema. A confiança, esteio das relações, é abalada com severidade.

 

No exato momento em que a comunicação precisa ser reforçada, campanhas publicitárias são suspensas. Quando novas tecnologias e processos precisam florescer, a inovação recrudesce.

 

Por fim, ocorrem as demissões irracionais, úteis apenas para enviar cérebros que conhecem o negócio, o mercado e a empresa para os braços da concorrência.

 

Não estou minimizando a conjuntura atual, mas apenas lhe conferindo a dimensão adequada. A economia sofrerá uma contração graças ao princípio da profecia auto-realizável: o pessimismo vai permear todo o sistema, reduzindo crédito, investimento e consumo em cadeia.

 

Algumas atividades sofrerão retração decorrente de menor demanda; a agricultura poderá sofrer perdas se, por ocasião da colheita, os preços vigentes não remunerarem o maior custeio atual da safra; há empresas que pagarão o preço por terem apostado em operações com derivativos quando deveriam ter focado sua atividade-fim. Mas não me venham com essa balela de real depreciado porque a cotação do dólar está há meses aquém de um patamar mínimo aceitável, nem com essa retórica de depressão econômica mundial iminente.

 

O que falta aos gestores – públicos e privados – é primeiro questionar onde, de fato, a crise está aportando. Depois, identificar as oportunidades ocultas. E, finalmente, diante da necessidade de ajustes, procurar cortar as gorduras – e não a carne.

 

 

Tom Coelho, com formação em Publicidade pela ESPM, Economia pela FEA/USP, especialização em Marketing pela Madia Marketing School e em Qualidade de Vida no Trabalho pela USP, e mestrando em Gestão Integrada em Saúde do Trabalho e Meio Ambiente pelo Senac, é consultor, professor universitário, escritor e palestrante. Diretor da Lyrix Desenvolvimento Humano, Diretor Estadual do NJE/Ciesp e VP de Negócios da AAPSA. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br.

 

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