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FICA IDOSO E BEM QUEM SE DÁ AO OUTRO E ACEITA O TEMPO QUE PASSA, PORQUE SE TRANSFORMA COM ELE.
ANÔNIMO

A ARTE DE ENVELHECER OU SIMPLESMENTE VIVER A VIDA
NICE PINHEIRO

Todos nós nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos. É a vida. É inevitável. Fomos felizes na infância, na juventude e quando adultos, até... Até descobrirmos que estamos envelhecendo!
 
De repente, seja dentro da banheira, abrindo um livro ao acaso, ou na frente do espelho, observando a primeira ruga, percebemos que estamos envelhecendo. Um dia, de uma forma ou de outra, a ficha cai.

Pois é, estou com 51 anos e envelhecer está sendo maravilhoso! Maluca, eu? Não, claro que não. Isto é, se esta é sua opinião, tudo bem. Mas posso garantir que minhas engrenagens cerebrais estão em perfeito estado. Pelo menos até o dia de hoje!

A juventude física passa, como tudo na vida. O problema é que a maioria das pessoas, quando jovens, enxerga pessoas adultas como velhas. E os velhos são encarados pelos jovens como jurássicos, como verdadeiros “entraves”. Ora, os jovens esquecem que também vão envelhecer!

A juventude física é efêmera. A juventude mental, esta sim, pode e deve permanecer. As pessoas mentalmente jovens vivem bem melhor. São, em geral, bem resolvidas e sabem perfeitamente o que querem e o que não querem. E o que caracteriza uma pessoa mentalmente jovem? A alegria de viver, a capacidade de sonhar e realizar, a insistência em ser feliz e uma certa rebeldia contra valores e conceitos impostos pela sociedade e pela mídia. O corpo envelhece, não tem jeito. O cérebro começa a ficar mais lento e podem surgir algumas complicações, é verdade. Mas um pensamento jovem pode ser permanente. Só depende de nós.
 
Quando percebi meu primeiro fio de cabelo branco fiquei encantada! Mostrava para todos, como se fosse um troféu, uma medalha de ouro. Ficava “namorando” meu fio de cabelo branco no espelho. E surgiram mais e mais cabelos brancos. E aos 42 anos, estava eu grisalha. Permaneci grisalha por uns quase três anos. Adorava me ver no espelho. Me “curtia”.

Minha mãe dizia que eu parecia mãe dela, meu pai não se conformava, meus amigos evitavam comentar e minha filha quase surtava quando nos encontrávamos. Quando questionavam meu cabelos grisalhos, minha resposta era sempre a mesma:

-Adoro meus cabelos grisalhos. São perfeitos!

A expressão facial de algumas pessoas denunciava espanto. Tipo, “eu hein, tem gosto pra tudo!”. Nem ligava. E lá ia eu. Barriguinha pra dentro, bundinha pra fora, narizinho pra cima e meus lindos e amados grisalhos no alto de minha cabecinha. Até que um dia, minha filha resolveu me infernizar de tal forma que fui obrigada a ceder. Ou eu pintava os cabelos ou jogava minha linda e maravilhosa filha no Rio Paraíba e permanecia grisalha.

Então, mulher sensata que sou, fiquei com a primeira opção, é claro. Hoje meus cabelos não são grisalhos. Pinto da cor natural. Castanhos. O que me consola é saber que eles estão ficando cada vez mais brancos e que em breve poderei voltar a ser uma mulher de belos cabelos grisalhos. Ou talvez totalmente brancos! Que espetáculo!

Envelhecer não me deixa triste. Sou muito mais do que uma pele firme, esticada, sem celulite ou estrias. Lembrei-me de Nelson Rodrigues. Aos homens, Nelson dizia:

- Jovens, por favor, envelheçam!

Sobre as mulheres, Nelson era categórico:

- As mulheres não têm que ser bonitas. As mulheres têm que ser interessantes. A beleza, o tempo leva. Já uma mulher interessante, será sempre interessante!

A tendência é ver o “envelhecer” pelas rugas, pela flacidez, pelos cabelos brancos. Eu vejo o “envelhecer” pela leveza das atitudes, pela tranqüilidade de viver, pela paz conquistada dia-a-dia e pela produtividade, muitas vezes superior à dos jovens. Vejo o “envelhecer” como um prêmio da vida. Vejo o “envelhecer” como uma dádiva.
 
Envelhecer é gratificante. Os anos levam o vigor físico, mas trazem sabedoria, serenidade e uma liberdade que não é permitida aos jovens. Liberdade de tudo e em tudo.
 
O “envelhecer” me permite tanto! Sou muito mais livre hoje do que quando jovem. O “envelhecer” me provoca uma alegria imensa de viver. E o brilho do meu olhar é mais intenso a cada ano. E vou para a cama com a sensação gostosa de que o dia foi maravilhoso e de que amanhã será melhor ainda. E quando abraço meu travesseiro para dormir, agradeço a Deus pelo dia que tive. E peço que Ele me conceda mais alguns anos. Quem sabe mais de cem? Afinal, ainda quero curtir muito esta vida!
 
Quero andar de moto com meus netos, apresentar a eles a bossa-nova, o chorinho, o jazz, o blues. Quero que meus netos conheçam Led Zepellim, Rolling Stones, Beatles, The Doors. E Fred Astaire, Gene Kelly, Ginger Rogers, Judy Garland.
 
Quero poder contar como era o mundo no meu tempo, mostrar fotos de seus bisavós. Mas, acima de tudo, quero acompanhar o desenvolvimento mental e intelectual deles. Quero ver meus netos envelhecendo...

Nice Pinheiro é jornalista e tem 2 blogs: Nós da Corda e outro com seu nome.

 

O VELHO PROBLEMA DA VELHICE
JOÃO O. SALVADOR

Se o espírito é jovem e a velhice do corpo é inevitável, o importante é que as pessoas tenham um ponto de vista positivo sobre o envelhecimento, e aceitem, com naturalidade, as várias transformações decorrentes do desgaste celular. Quem pensa assim vive, em média, oito anos a mais do que aquele que possui percepções negativas. Existem "jovens" centenários com suas mentes ativas, sem a queda da aptidão mental, sempre armazenando conhecimentos, somando vivência e saber.

Todavia, as prodigiosas trilhões de sinapses da esfera cerebral não conseguem manipular, depois de certa idade, um corpo em declínio físico, que muitas vezes é precoce pela influência de diversos fatores, que conduzem, mais cedo, seu portador para o isolamento social. Além dos fatores genéticos, meio ambiente, hábitos de vida e comportamentos, os agentes agressores, como tabaco, álcool, poluição, sedentarismo, vida agitada e obesidade, contribuem para o desgaste. Cuidar bem do espírito e do corpo é superar os limites de idade.

A dor física não é a mesma quando se chega na terceira idade, e tampouco se descobriu, ainda, quais os mecanismos que fazem os idosos ser imunes às dores mais fracas e mais vulneráveis, às mais intensas. A dor psíquica, todavia, tem origem no preconceito, na indiferença e na dúvida quanto à capacidade produtiva e intelectual de um idoso. Não há uma cultura de respeito àqueles que, pelos anos de labuta, já não conseguem manter as mesmas habilidades físicas de quando jovem. Não basta a sabedoria e experiência de vida. Quando se envelhece não se deixa de amar, e, sim, quando se deixa de amar é que se envelhece.

A cultura ocidental sempre embutiu na cabeça das crianças um modelo estereotipado de que ser jovem é a onda, e o velho é como um coqueiro que já deu coco. Jogá-lo no asilo e ignorá-lo, é safar, discretamente, deste terrível incômodo. É muito bonito ver uma criança metida a adulto, porém um velho travestido de jovem é ridículo.

Já no mundo oriental, os velhos são tratados com respeito e dignidade, considerados a fonte de sabedoria. Na comunidade indígena, os mais velhos são reconhecidos e respeitados pelo grande papel social que representam nas tribos. Com suas experiências, eles mantêm a ordem, a união, a saúde psicológica do grupo, justamente pela imposição da disciplina e exemplo de coragem, de determinação e de perseverança.
Se na esfera política pouca gente se preocupa com o destino do povo, imaginem só importar-se com o povo envelhecido. Os economistas das inverdades alegam que com uma súbita adição de alguns trocados no salário mínimo é suficiente para quebrar a Previdência, justamente por causa dos aposentados, quando, na verdade, a mais polpuda fatia de benefícios previdenciários disponíveis, é destinada a um punhado de apaniguados do poder e outra é subtraída pela corrupção.

Fomos considerados durante anos "um país jovem", quando as más condições de saúde reduziam a expectativa de vida. Com o avanço da medicina, ficamos mais longevos, elevando o número de pessoas idosas. É uma tendência mundial, e cada país deverá cuidar de seus velhinhos com dignidade. Vejam que, de acordo com o IBGE, em 2000 tínhamos 14,5 milhões de pessoas com mais de 60 anos, cerca de 9% da população brasileira. Este percentual passará a 12% em 2010 e a 15% em 2020. Será um grande desafio a ser enfrentado, pois este envelhecimento aumentará, cada vez mais, as pressões sobre os recursos públicos, no intuito de garantir a melhoria da qualidade de vida dos idosos.

Os aposentados devem fazer uma outra parte, necessária para seu próprio bem-estar. Por que permanecer entregue a ações passivas, sem nada produzir de útil e agradável? Seja esta atividade remunerada ou não. Viver é mexer-se, é trabalhar, é fazer algo. Fazer algo que evite aquela sensação de inutilidade, de impotência e de solidão. Existem os que trabalham de voluntário em instituições filantrópicas; outros que adotam uma praça para zelar, contribuindo com a coletividade, com o poder público e, principalmente, para renovar sua auto-estima; os que ingressam em grupos de terceira idade e aprendem até computação. Mas existem os que somente prevalecem da idade e do direito adquirido para atravancar filas de bancos e ocupar assentos de coletivos, sem considerar que quem estabelece um projeto de vida nunca envelhece.

João O. Salvador é biólogo

OPINIÕES

Para mim envelhecer é aprimorar, aperfeiçoar a minha essência. É o período para rever e melhorar conceitos e valores, de dar valor a coisas que são verdadeiramente importantes na vida das pessoas, que devido a correria/stress/ganância/busca pela sobrevivência, os mais jovens não conseguem enxergar.

Maria de Lourdes A. Aguiar, 62 anos

Envelhecer e sabedoria para mim são totalmente compatíveis.é uma época em que se tem muito a dizer e ensinar, mas infelizmente poucos dispostos a ouvir. Envelhecer é uma fase de nossas vidas que deveria ser muito mais reverenciada, acompanhada e respeitada do que atualmente é, infelizmente.

Jenny F., 66anos

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