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velhodobanco

O Instituto Metodista Bennett exibiu em abril passado, a exposição Cidades Invisíveis. A mostra reuniu fotografias feitas pelo sociólogo Elionaldo Fernandes Julião no Brasil (Rio de Janeiro e São Paulo), Argentina (Buenos Aires), Áustria (Viena), Chile (Santiago), Eslováquia (Bratislava), Itália (Roma), Portugal (Lisboa) e República Tcheca (Praga), ao longo dos últimos cinco anos. A exposição Cidades Invisíveis mostrou 20 fotografias coloridas em diversos tamanhos

Entre as imagens expostas, há famílias morando e trabalhando na Praça da Sé, em São Paulo; homem catando lixo no centro de São Paulo; paraplégico pedindo esmola no centro do Rio de Janeiro; Homem comendo lixo no centro comercial de Praga; homens dormindo em ponto de ônibus de Lisboa; mulher dormindo em calçada de Santiago; mulher pedindo esmola aos turistas na porta do Coliseu.

Doutorando em Ciências Sociais pela UERJ, Elionaldo Fernandes Julião queria mostrar a invisibilidade dos moradores de rua nas grandes metrópoles. Segundo ele, quando a sociedade reflete sobre o fenômeno urbano, vários elementos emergem desta discussão. “Tem sido um tema de extrema relevância e interesse de estudiosos das diversas áreas do conhecimento das ciências sociais e humanas nos últimos tempos. Aliás, tem sido um dos principais temas de debate no mundo contemporâneo”.

Embora não seja um tema absolutamente novo, para se tentar compreender os aspectos sociais, políticos e ideológicos que envolvem as sociedades contemporâneas, principalmente as suas contradições, é importante que todos os indivíduos estejam envolvidos na discussão.

DINASTIA DAS RUAS

Fato que mobiliza diariamente governos e a opinião pública, é que nas últimas décadas vem crescendo assustadoramente o número de pessoas que, pelos inúmeros problemas de ordem individual e, principalmente, social, passam a viver nas ruas, fazendo das calçadas, pontes, viadutos e marquises, suas residências.

Em algumas regiões, por exemplo, alguns estudos demonstram a existência de uma verdadeira “dinastia das ruas”, onde já se podem encontrar indivíduos que fazem parte da terceira geração de uma família marcada pelo desamparo social e pela rotina de sobrevivência nas ruas.

Com o objetivo de refletir sobre o crescente número de “moradores de rua”, desde 2003 Elionaldo Fernandes Julião desenvolve pesquisa que procura compreender através de observações, histórias de vida e, principalmente, registros fotográficos, a associabilidade da população de rua das grandes cidades.

Sem ter o objetivo de defender uma tese sobre o tema, o sociólogo quer contribuir para a reflexão e as abordagens sobre a relação dos pobres com a cidade. “Em linhas gerais, o objetivo é refletir sobre os diversos aspectos que envolvem a discussão. Dentre eles, a invisibilidade dos sujeitos “moradores de rua”, tanto pelas camadas médias da sociedade, quanto do poder público. Para isso, é preciso identificar o perfil desta população tanto no aspecto sócio-econômico quanto cultural, bem como a sua movimentação e integração com o espaço urbano”.

A referida pesquisa é fruto de desdobramentos de estudos desenvolvidos pelo sociólogo nos últimos anos sobre o sistema penitenciário, que vem identificando que, após viver por décadas encarcerado em regime de total reclusão, um significativo número de apenados, perdendo todo e qualquer contato com sua família e não tendo recursos para a sua subsistência na sociedade livre, recebendo a liberdade passa a (re)integrar a grande massa de população de rua que vive invisivelmente perambulando pelas grandes metrópoles.

MORADORA DE RUA COM NOME DE SANTA
DEBORAH LEITTE

Quem costumava passar pela Lagoa - bairro nobre do Rio de Janeiro - pode não ter dado conta de que bem ali, na calçada da Hípica, coberta por sacos plásticos pretos, sentada numa caixa de madeira, havia alguém. Para nós, ela ainda não tinha um nome, mas na região era conhecida de alguns generosos que lhe serviam, de vez em quando, uma refeição ou a deixavam usar o banheiro de um posto de gasolina, e até mesmo, fazer uma fezinha na mega sena. Para muitos passantes, era mais uma moradora de rua a aumentar as estatísticas e desperpecebida do resto do mundo.

Muitas vezes, indiferentes aos que nos cercam, acostumamos a olhar para o lado, ver uma pessoa caída na rua e nada fazer. Triste realidade. Talvez por isso, caminhamos envoltos em nossas desculpas e justificativas achando que somos incapazes, e não temos a magnitude e a solidariedade suficientemente sólida para fazermos algo, pensando que esse algo deva ser grande.

Nos iludimos e refutamos a idéia de ajudar nos desculpamos de nós mesmos e dos outros, por não sermos Jesus ou Madre Tereza de Calcutá. E assim, tristemente, traçamos nossos passos rumo ao nosso egoísmo, indiferença e falsa impotência. Muitas vezes, por não querermos fazer algo e outras por, simplesmente, não sabermos o que fazer ou como fazer. Graças a Deus que nem todos são assim.....

Esta história é verídica..Deborah Leitte escreveu seu artigo no site www.editoraglobo.com.br/generosidade  Para ler o texto todo clique no link abaixo...trata-se de uma história emocionante
http://projetogenerosidade.com.br/site/materia.php?id=178742b86dec0b4410f7269a3354743d

CAMPANHA “NÃO DÊ ESMOLAS”

Foi lançada em Aracaju (SE) uma campanha para conscientizar a população da importância de zelar pelos direitos de crianças e adolescentes, evitando que elas continuem ou venham a cair na vida nas ruas.

Esta iniciativa segue outras em várias cidades do país, a exemplo da campanha "Não Dê Esmola, Dê Cidadania - Esmola não dá Futuro", da prefeitura de Cuiabá (MT), e a "Não dê Esmola, dê Escola", da cidade de Limeira (SP).

Em todas, a idéia é a mesma: mostrar para o conjunto da sociedade que o melhor que se ode fazer pelo menor que está nas ruas é encaminhá-lo para programas sociais e de proteção do governo.

No caso de Limeira, por exemplo, materiais impressos divulgarão a campanha e um telefone (0800-774-0350), foi especialmente criado para que a população possa informar casos de crianças ou adolescentes pedindo esmolas nas ruas da cidade.

Já Aracaju vai mais além, e pretende conscientizar a sociedade em não dar esmolas, pois vicia a criança e o adolescente na rua, e, sim, doar ao Fundo Municipal dos Direitos das Crianças e do Adolescente.


<http://www.aracaju.se.gov.br/> Clique aqui para conhecer o trabalho da
prefeitura de Aracaju/SE >> http://www.aracaju.se.gov.br/

<http://www.cuiaba.mt.gov.br/noticia.jsp?id=6496> Clique aqui para
conhecer o trabalho da prefeitura de Cuiabá/MT >>
http://www.cuiaba.mt.gov.br/noticia.jsp?id=6496

<http://www.limeira.sp.gov.br/file/noticia.php?cod=3910> Clique aqui
para conhecer o trabalho da prefeitura de Limeira/SP >>


  PESQUISA TRAÇA PERFIL DOS MORADORES DE RUA

Rubens dos Santos é um dos 1.734 moradores de rua de Brasília, identificado pela pesquisa realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, feita para que o governo possa determinar as políticas públicas de inclusão social.

A maioria da população em situação de rua é formada por homens, entre 22 e 44 anos, que sabem ler e escrever.

A pesquisa apontou ainda que menos de 20% destas pessoas pedem dinheiro para sobreviver. O que desfaz a idéia de que a população de rua é formada apenas por mendigos e pedintes. A maioria trabalha como catador de material reciclável e vigia de carro.

O alcoolismo e as drogas, o desemprego e as brigas familiares, são as principais razões de morar na rua. O catador Rubens dos Santos não gostam dos abrigos. "Na rua é melhor. Ficar no abrigo é a mesma coisa da pessoa estar presa", diz o catador.


O GDF tem um Albergue, com capacidade para 700 adultos e sobra metade das vagas. Mas essa não é a única opção. "A solução é oferecer a passagem para que as pessoas que queiram retornar para a sua cidade. E oferecer nossos serviços dentro dos programas sociais e encaminhar para as Agências do Trabalhador, para ver se eles conseguem a inserção no mercado de trabalho", explica a diretora de Proteção Social Especial, Julia Rebelo Mandarino.


Sebastião Oliveira morou na rua por quase cinco anos. Teve oportunidade de fazer um curso profissionalizante. Hoje é pintor e ganha R$ 600, por mês. Mas ele questiona a política de assistência social.


-Existe, querendo ou não, e é triste dizer isso, uma indústria da miséria. Eu acho que uma forma de mudar é ouvir as pessoas que estão nas ruas, é selecionar quem precisa de atendimento na área de saúde, que está altamente comprometido, quem precisa de moradia, trabalho. Para eu resistir e sobreviver na rua, tive que sonhar muito e acreditar que eu ia sair dela um dia, lembra o pintor.


NO OLHO DA RUA

O Livro “No olho da rua, a vida na fazenda modelo, um dos maiores abrigos de mendigos do mundo”, do médico Marcelo Antonio da Cunha, pós-graduado em Medicina Preventiva e Social pela Fundação Oswaldo Cruz foi lançado recentemente pela Editora Nova Fronteira.

O autor informa na introdução pág. 10: "O livro não se destina só a mim"... percebi que pode também se destinar aos, que por ventura desejam saber o que acontece com seres humanos que vivem confinados em abrigos ou soltos pelas ruas, com os quais compartilhamos o mesmo Habitat e cruzamos todos os dias, desviando, por
costume, nossos passos e olhares".

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