fatos
 


Foto na página principal ,
Lição de Anatomia do Dr. Tulp,
Rembrandt, 1632
óleo em tela

A VIDA DOS MORTOS ESTÁ NA MEMÓRIA DOS VIVOS
FILÓSOFO CÍCERO

O CULTO AOS MORTOS EM NOVEMBRO

cultosO Dia de Finados surgiu na Igreja Católica como um vínculo suplementar entre vivos e mortos, destinado a todos.

No século I, os cristãos rezavam pelos falecidos: visitavam os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram. No século V, a igreja dedicava um dia do ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava.

No século X, a Igreja Católica instituiu oficialmente o Dia de Finados. A partir do século XI, os papas Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015) passaram a obrigar a comunidade a dedicar um dia aos mortos.

No século XIII, esse dia passou a ser comemorado em 2 de novembro, através de um decreto do abade de Cluny, o maior mosteiro da cristandade medieval, determinando que os monges sob sua jurisdição fizessem a comemoração festiva de todos os fiéis defuntos no dia 2 de novembro.
Com o passar do tempo, a comemoração espalhou-se pela Europa e foi trazida, com a religião católica, para a América e o Brasil. Ela ultrapassou seu aspecto exclusivamente religioso, para revelar uma feição emotiva: a saudade de quem perdeu entes queridos.

Na verdade, isso foi somente a adaptação por uma cultura e uma religião e a oficialização, na sociedade, de costumes que vêm desde os primórdios da humanidade, quando povos primitivos ja enterravam seus mortos com rituais, inicialmente ligados aos cultos agrários e de fertilidade.

Fonte: UFGNet

CERIMONIAS BUDISTAS

No dia 02 de Novembro o Fundador do Jardim do Dharma Lama Zopa Norbu, realizou uma série de cerimônias dirigidas às pessoas que se foram desta vida.  Estas Cerimônias consistem na realização de oferendas que através do ritual convidam os espíritos a estarem presentes e desfrutar das mesmas.

Muitas vezes, nos deparamos com obstáculos em nossas vidas, sejam na saúde, perturbações emocionais, desavenças nos negócios etc. que parecem instransponíveis.


Dentro da Tradição Budista que nos chega desde os Himalaias e em especial desde o Tibete, se afirma que muitos destes obstáculos provêm da esfera da consciência onde estes espíritos se encontram.


Estas cerimônias - Pujas  em sânscrito - foram ensinadas pelo próprio Sidarta Gautama o Buda ao seu primo e discípulo Ananda, que, a causa destas interferências que provinham do mundo dos espíritos, não conseguia realizar suas meditações de forma correta. 


No Brasil, qualquer pessoa que seja respeitosa e queira dedicar aos seus familiares e amigos um momento de oração e de benção pode participar destas cerimônias. Eles pedem apenas que levem velas, flores, frutas, doces, farinha branca, açúcar, manteiga, melado, bolachas, leite em pó em pequenas quantidades. 

Maiores informações em http://www.jardimdharma.org.br


O ENIGMA DOS ENIGMAS SERÁ

A MORTE OU SERÁ A PRÓPRIA VIDA?

DULCINÉIA DA MATA RIBEIRO MONTEIRO

espiritualidadeEntre nossas escolhas  mais fundamentais  está  o confronto com a finitude e a morte.  Embora fixados no paradigma da Permanência, somos seres de Passagem. A consciência da finitude e da morte, são realidades estruturais presentes no processo de individuação ou da constituição de nós mesmos. A alma, paradoxalmente, parece ter entre suas metas a morte e a continuidade da vida, afirma Jung. Portanto, para a alma, a morte está presente como uma fiel escudeira, mas tendemos a viver sob a sua negação, recusamos a enfrentar nossa finitude. Esse medo, talvez, seja a raiz de todos os medos que permeiam nossas vidas.

    A morte, diz Platão, consiste em“ ter a alma desligada e posta à parte do corpo, não é esse o sentido exato da palavra morte?” Afirma que a tarefa da vida, seria justamente a de preparar-se para morrer, que deverá ser a celebração do vivido -Valeu a pena! Na tessitura desta trama, o que de fato vale a pena, é saber viver o equilíbrio entre as duas máximas latinas: Carpem Diem: aproveite o dia e Memento Mori: lembre-se  de que vai morrer.

 E aí se coloca a questão fundamental do Sentido, que na perspectiva de Jung,constitui  a dimensão espiritual da nossa libido.É a dimensão que corresponde à abertura da consciência ao significado e à totalidade da vida, possibilitando uma recapitulação qualitativa do seu processo vital. Espiritualidade não se confunde com Religião, está além dela, podendo embasá-la ou não. Pergunta  Jung “Haverá uma verdade melhor, em relação às coisas últimas, do que aquela que ajuda a viver?”

 

Essa conexão com nossa totalidade, nosso mistério profundo, é um encontro metanóico, isto é, promove mudanças estruturais em nós. Cada vez mais evidencia-se a importância da espiritualidade na área da  saúde, pois com ela conseguimos dar algum sentido  aos momentos de sofrimento, crise e  transtornos existenciais.Pois, nestes momentos vemos que não somos donos de nossa visa - há poderes  além de nós,isto é  Espiritualidade.

 

Este tema foi ricamente explorado no livro Espiritualidade e Finitude. Aspectos Psicológicos. Dulcinéa da Mata Ribeiro Monteiro (org),  Ed. Paulus - .R$ 38,00

 

 

O IMPORTANTE NÃO É CHEGAR NEM PARTIR, É A TRAVESSIA.
GUIMARÃES ROSA, EM O GRANDE SERTÃO: VEREDAS

PREPARAÇÃO PARA A MORTE
JUSSARA CAMARA

travessiaSegundo especialistas a idéia de que um dia vamos morrer causa desespero na maioria das pessoas. A necessidade de controlar todas as situações, até a própria morte, o sentimento de onipotência e o apego excessivo à vida são algumas das razões que dificultam a aceitação do fim da existência.

A morte é algo que assusta, mesmo sendo o destino inexorável de todos os seres vivos. Ela representa o fim da vida e isto gera uma ansiedade, porque é o limiar de outra realidade instigante e atemorizadora.

Estudos a respeito dos primórdios da nossa civilização mostram que os mais antigos acreditavam que, como as sementes, os mortos eram enterrados com vistas à ressurreição.

A aceitação da morte é diferente de acordo com a crença religiosa e até mesmo com a filosofia de vida de cada pessoa, em cada cultura.

Se a dor da perda não pode ser evitada nem totalmente abstraída, o melhor é mesmo, enfrentar essa realidade nos preparando para a possibilidade de o outro morrer, principalmente quando alguém está doente ou muito velho.

Estudiosos no assunto dizem que é possível preparar-se até para aceitar a própria morte, o que costuma acontecer com pessoas que têm doenças incuráveis.

Alguns especialistas em estudos sobre a morte e trabalhos ligados ao luto informam que se preparar para a morte é possível de se chegar a resultados muito bons. "Algumas pessoas conseguem se despedir dos entes queridos, perdoam raivas e mal-entendimentos e ficam mais tranqüilos", afirmam.

O importante é aproveitar cada momento de convivência ao lado das pessoas queridas. Quem vive adiando visitas ou falar sobre isso, costuma sofrer mais com a perda do outro; chegando até mesmo mais tarde, a sentir culpa por não ter dado a atenção e o carinho devido a àquele que iria ficar pouco tempo entre nós.

Somente quando a morte é repentina ou atinge pessoas jovens e saudáveis, não há como se preparar para o sentimento de perda. Mas, devemos estar atentos a não cultivarmos sentimentos de frustração e revolta.


A morte inesperada pega a todos despreparados, família e amigos. É difícil aceitar que você não vai ver mais alguém querido, principalmente quando a morte é de jovens que, de certa maneira, em nossa crença esta não é a seqüência natural.
Tudo que tem uma ordem certa, um aviso antes é mais fácil de nos adaptarmos a ela. Quando existem fatos novos, incertezas, os meios de se lidar com isso são bem mais difíceis, daí muitos buscam crenças religiosas ou filosofias como ajuda para enfrentar com mais tranqüilidade uma perda.

improvisaEm "Morrer não Se Improvisa" (Editora Gaia), a autora Bel Cesar explica que a certeza de uma continuidade após a morte, defendida pelo budismo, ajuda as pessoas a lidarem com o "niilismo de nossa cultura materialista; em que o abstrato e o invisível não são reconhecidos".
Os budistas não vêem a morte com medo ou tristeza, eles acreditam que o espírito volta muitas vezes à Terra, num processo constante de purificação, para ser uma pessoa melhor.
Para a antroposofia, quando uma pessoa termina o que tinha que fazer na terra, ela vai embora. "Acredito que, a cada relacionamento, trocamos também algo de nossa alma com a outra pessoa —e vice-versa. Damos e recebemos constantemente. Quando a morte chega a um de nós, é porque já fizemos todas as trocas anímicas que tínhamos para fazer nesta vida. Quando temos essa compreensão, já não sentimos mais ‘perder’ uma pessoa quando ela morre. Porque o que essa pessoa tinha para nos dar já é nosso. Então ela estará sempre conosco e jamais irá deixar-nos realmente", escreveu o clínico-geral e pediatra antroposófico Luiz Fernando de Barros Carvalho no livro "Morrer Não se Improvisa".

Entender que a morte pode não ser o fim de tudo, mas apenas uma passagem, desta maneira, a relação com ela, será um processo menos doloroso e muito mais aceitável.


E que mesmo quando perdemos alguém querido, a vida deve seguir seu curso da melhor forma possível, pois o melhor preparo para a morte é viver bem a vida junto aos seus.


ESTUDO SOBRE A VIDA APÓS A MORTE

apos-morteTalvez o mistério científico não resolvido mais fascinante de toda a história da humanidade seja o quebra-cabeça da própria vida, de como ela começa e como termina. Embora alguns dos mistérios ao redor do início da vida já tenham sido explorados, o que acontece no fim dela permanece um enigma. Neste mais recente lançamento da Editora Larrousse “O que acontece quando morremos” o Dr. Sam Parnia, apresenta para o leitor um minucioso estudo sobre o quase-morte e fatos vivenciados por ele em UTIs.

Parnia é um dos maiores especialistas do mundo no estudo científico da morte, do estado da mente humana, do cérebro e das experiências próximas da morte.  No seu dia a dia, principalmente no hospital britânico Southampton General, ele sempre encarou e ainda encara questões relativas à vida e a morte.  Foi nesse contexto que ele tornou-se bastante interessado em algumas das informações dadas por seus pacientes que passaram pelo momento clinicamente conhecido como o ponto da morte.

A pesquisa do Dr. Sam Parnia começa a partir do ponto onde o livro Life after life, de Raymond Moody (1972), terminou. Durante seus estudos, ele percebeu que nossa melhor compreensão sobre a morte pode ser alcançada, por exemplo, ao estudar experiências de quase-morte que ocorrem durante uma parada cardíaca, quando o coração pára e após 11 segundos a consciência e a atividade cerebral cessam.

A partir daí nenhuma área de função cerebral permanece para manter consciência. Até os sistemas mais básicos de manutenção da vida são destruídos; reflexos de respiração, freqüência cardíaca e cerebral ficam completamente ausentes – um estado equivalente à morte clínica.  Parnia percebeu que este estado, que permanece reversível por cerca de 30 minutos, é o modelo mais próximo de que a ciência dispõe do processo da morte, e fornece uma brecha excepcional de compreensão para aquilo que experimentamos como o fim da vida. 

Um dos fatos mais interessantes da experiência de quase-morte, durante uma parada cardíaca, é que, na recuperação, muitos pacientes relatam ter deixado seus corpos e assistido ao processo de ressuscitação, e é com esses depoimentos, que em “O que acontece quando morremos” o leitor poderá ter contato com experiências que podem ser ao mesmo tempo macabras e fascinantes.

Um trecho do livro muito curioso é o relato de uma mãe de uma criança de três anos, paciente do Childrens’ Hospital em Boston, EUA. Ela conta que seu filho logo após sair de um coma, pedia insistentemente para voltar a um parque, que segundo a mãe não existia. A criança contou que sobrevoou por esse parque em companhia de uma mulher exatamente no
período do coma, e que a experiência havia sido fantástica e por esse motivo queria repeti-la. A mãe num primeiro momento pensou que se tratava de uma alucinação, mas ao mostrar fotos antigas ao filho, a criança identificou a vó materna, já falecida, como a mulher que havia sobrevoado o parque com ele.

Este e outros relatos intrigantes marcam a narrativa de “O que acontece quando morremos”. O livro traz também análises de especialistas, como neurologistas que avaliam minuciosamente alguns relatos.

O Dr. Sam Parnia é fundador do Consciousness Research Group na Universidade de Southampton e presidente da Fundação de Pesquisa Horizonte. O Dr. Parnia também conduz um estudo científico inovador, em parceria com inúmeros centros médicos do Reino Unido, dos Estados Unidos e do Canadá, que objetiva descobrir através da ciência o que acontece quando morremos. Muito requisitado como palestrante, ele também aparece constantemente na mídia, incluindo os programas This Morning e Richard & Judy. Sua sólida pesquisa foi incluída no documentário da BBC The Day I Died

O QUE ACONTECE QUANDO MORREMOS, Sam Parnia, tem 246 páginas e custa  32,90. Tradução: Emanuel M. Rodrigues

A MORTE NÃO EXTINGUE, TRANSFORMA;
NÃO ANIQUILA, RENOVA; NÃO DIVORCIA, APROXIMA
.
RUI BARBOSA

MORTE NA VOZ DOS POETAS
WALDA MENEZES

morte-na-voz Chega novembro, rolando dias tristes e alegres como os demais meses do ano, que não os têm voltados ao culto dos mortos ou aos festejos de todos os santos.

É mês que nos faz lembrar de como é perigoso morrer! Primeiro, porque quando alguém parte desta para melhor (!) fica à mercê do que se diz e escreve a seu respeito. E são tantas as coisas boas, más, indiscretas, maldosas, etc, etc e tal, que o falecido, se pudesse ouvi-las, talvez ficasse surpreso diante das proezas e ou safadezas a ele atribuídas e com as quais jamais sonhara.

Mas. Fora dos necrológios reais ou fictícios, sempre houve quem achasse empolgante o assunto morte: os poetas. Por isso, vamos celebrar mortos e vivos nas palavras de alguns grandes nomes da poesia brasileira:

. Manuel Bandeira no seu poema "Cinzas das Horas" disse: "Eu faço versos como quem morre" E em "Momento num café" fala dos que assistiram passar o enterro quando todos estavam voltados para a vida: "Um no entanto se descobriu/ num gesto largo e demorado/ Olhando o esquife longamente/ Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade/ Que a vida é traição/ E saudava a matéria que passava/ Liberta, para sempre, da alma extinta."

. Álvares de Azevedo canta tristemente: "Se eu morresse amanhã viria ao menos/ Fechar meus olhos minha triste irmã/ Minha mãe de saudades morreria/ Seu eu morresse amanhã."

. Paulo Mendes Campos, cronista festejado toda vida por suas crônicas inteligentes, mostrou-se sério em "Cântico de Deus": "O abismo da morte certa/ Sempre terá mais delícia/ Que a doce e fria malícia/ De tua face encoberta/ . Jamais fulgor tão constante/ Perdeu meus passos no mundo/ E quanto mais me aprofundo/ Tu mais te ocultas distante."

. Francisco Octaviano, num soneto, assim celebrou a morte: "Morrer, dormir, não mais: termina a vida/ E com ela, terminam nossas dores,/ Um punhado de terra, algumas flores/ e às vezes, uma lágrima fingida."

. Augusto Frederico Schmidt, em "Canto da Noite", publicado há mais de 60 anos, perguntava: "Oh! Mármores gelados, rosas frias, Cristo de gelo, como vos espero! Quando serei silêncio e frio apenas?/ Quando serei apenas o íntimo da terra?"

. E para terminar uma preciosidade: " O defunto" do grande Pedro Nava, que destila um pouco da sua "verve": "Quero ir de casimira/ de jaquetão com debrum/ calca listrada, plastron/ ... E assim, solene e sinistro, quero ser um tal defunto/um morto tão acabado/ tão aflitivo e pungente/ que sua lembrança envenene o que restar aos meus amigos de vida/ sem minha vida".


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