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IDOSOS VÃO PASSAR OS JOVENS

 

 

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No Rio de Janeiro, o número de idosos deve passar dos jovens em 2016, época das Olimpíadas. Neste estado é onde há o maior percentual de pessoas com mais de 60 anos no país, isto é, 14,9%.

 

O índice de envelhecimento é calculado levando em consideração a proporção entre pessoas de 0 a 14 anos e aquelas com mais de 64 anos. Em 2008, a Região metropolitana do rio chegou a 0,9%, bem próximo da do Japão, cuja população vem diminuindo há muitos anos, cujo índice é de 1.

 

Segundo a Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística –o Rio está caminhando a passos largos para equiparar sua população de idosos à de menores de 14 anos.

 

Demonstrando assim que a população deste Estado deve diminuir num futuro bem próximo, antes do prazo estipulado pelos pesquisadores para o país, que era de 2030.

 

 

ENVELHECIMENTO DEVE SER INCLUÍDO NAS

ESTRATÉGIAS DE RESPONSABILIDADE SOCIAL

ROSANE MAGALY MARTINS

 

Responsabilidade Social é um conceito segundo o qual as empresas decidem, numa base voluntária, contribuir para uma sociedade mais justa e meio-ambiente equilibrado. Com base nesse pressuposto a gestão das empresas não deveria ser norteada apenas para o cumprimento de interesses de seus proprietários ou acionistas mas também pelos interesses das comunidades locais, clientes, fornecedores, autoridades públicas, concorrentes e a sociedade em geral.

 

Percebe-se uma forte tendência no país que organizações dediquem quase que integralmente suas verbas e esforçam para projetos vinculados à infância, adolescência, educação e ao meio ambiente. Esquecem de um importante e frágil segmento: dos idosos.

 

Projeções da OMS apontam que a taxa de crescimento da população com mais de 60 anos na América Latina passará, entre 2000 e 2025, de 40 para 118,5 milhões. Os idosos, que representavam 8,2% da população total no ano 2000, passarão a representar 24,3% em 2050. Uma de cada quatro pessoas será idosa. O crescimento da participação dos idosos na população total foi de 100% entre os anos de 1950 e 2000. Em 2000 tinhamos 8% de pessoas acima de 60 anos. Para 2050 seremos cerca de 24,6% da população brasileira.

 

Num contexto da globalização e de mutação industrial em larga escala, emergiram novas preocupações e expectativas dos cidadãos, dos consumidores, das autoridades públicas e dos investidores. Os indivíduos e as instituições, como consumidores e/ou como investidores, adotam, progressivamente critérios sociais nas suas decisões (consumidores melhor informados recorrem aos rótulos sociais e ecológicos para tomarem decisões de compra de produtos).

 

O envelhecimento populacional não entra nos gabinetes dos diretores de empresas nem nos departamentos de Recursos Humanos que tem que admitir e demitir novos colaboradores, muitas vezes à véspera da aposentadoria, sem qualquer apoio para esta nova fase da vida.

 

As projeções mundiais da Organização Mundial de Saúde são claras: a adolescência enquanto fenômeno social se estenderá até os 28 anos de idade e os adultos permanecerão ativos e produtivos além dos 70 anos.

 

Teremos o crescimento da Quarta Idade, com o aumento da população com idade superior a 80 anos. Entre 1950 e 1980 eram em torno de 0,5% e em 2050, tal grupo representará 6% da população brasileira. Ou seja, para cada 100 jovens, teremos 25 idosos.Teremos quase 10% de idosos acima dos 100 anos e o mercado consumidor sofrerá mudanças significativas.

 

Entretanto empresas consideram mais rentável socialmente investir recursos em projetos exclusivos para a infância e a juventude. Esquecem que as mulheres brasileiras já controlam sua fertilidade e cada uma terá apenas 1,8 filho ao longo da vida. Ainda é comum cenas de crianças e adolescentes em sinaleiros, “trabalhando” na venda de balas e doces e a pedir “um dinheirinho”. Aos poucos os idosos ocuparão estes mesmos lugares ingressando no “mercado informal de mendicância”, em risco social.

 

Nenhuma das cenas é a ideal: nem crianças nem idosos esmolando em sinais. Entretanto, caso não ocorram mudanças estratégicas não apenas nos gabinetes governamentais, mas também na consciência social dos empresários que devem destinar com equanimidade seus recursos sociais também para projetos que alimentem, acolham, cuidem, qualifiquem, reinsiram e recoloquem pessoas em processos de envelhecimento no mercado de trabalho.

 

Os momentos de visibilidade aos nossos idosos, hoje frágeis, doentes e com parcos recursos financeiros; vítimas de violência social e familiar os idosos sofrem calados

.

 

É um momento especial para que as pessoas, governos, instituições públicas e privadas vejam esta realidade, percebam as necessidades e atuem para acolher, proteger e integrar o idoso nos seus programas de responsabilidade social, sob pena de – em breve, termos legiões de vovôs e vovós pedindo “um dinheirinho” no próximo sinaleiro em que você estacionar seu automóvel “zero”.

 

A autora é advogada, pós-graduada em Gerontologia e Gerência de Saúde para Idosos e presidente do Instituto Ame Suas Rugas: http://institutoame.blogspot.com

 

 

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