CANTINHO DO CONTO

                                

O NOIVADO

CLARISSE FARIA

 

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Você cria sua princezinha a pão-de-ló, com todos os mimos e regalias de filha única. Investe na melhor educação, não poupa esforços. Se acostuma com seu chorinho à noite, pedindo o mamá da mãe, nessa tarefa que você não pode ajudar. Mas fica até imaginando como poderia ser bom ser mulher só para sentir a boquinha do anjinho sorvendo o alimento vital; sentir-se visceralmente indispensável pelo ser amado.

 

Depois que morre a mãe, você só não se mata de tristeza por causa daqueles olhinhos tão pequeninos e carentes que precisam tanto de ti, que aí você muda de idéia, na esperança de fazer felizes aqueles olhinhos, que te olham inocentes e admirados.

 

E de repente você se encontra às voltas com questões que nunca imaginaria, e o mais engraçado: acha interessante também, porque tudo que interessa à ela, torna-se milagrosamente interessante ´pra você. Qual o melhor tecido para confeccionar a asa da borboleta da fantasia do teatrinho da escola, sapatilhas de balé, mochila cor de rosa, sorvete de morango, filhote de poodle...

           

Modera o vocabulário, e ainda tem que se controlar nas finais do campeonato, quando o zagueiro perde o passe, e o time, a taça. Aprende a fazer brigadeiro, só para ouvir sua gargalhada, enquanto se lambuza do doce.

 

Sente-se tão constrangido e inapropriado quando ela fica mocinha, que não vê outra alternativa além de chamar a avó e a tia para conversarem com essa mocinha que acabou de desabrochar. Todavia, paradoxalmente, sabe que jamais deixará de vê-la como uma menina, inocente e pura que é. Começa a se preocupar com os olhares maliciosos, que não enxergam a inocência naquela forma que começa a florescer mulher.

 

Fica imaginando se a mãe não seria mais cúmplice e confidente dos seus sonhos de moça jovem e idealista, dos quais tantas vezes se sente excluído. Mas depois lembra-se de quando era jovem e conclui que não há mesmo muito o quê fazer. Mas fica torcendo para que suas aspirações não se apaguem no turbilhão das obrigações diárias e das frustrações inevitáveis.

 

Tem vontade de chorar de raiva e tristeza e impotência quando ouve seu choro sentido e abafado à noite, por sabê-la infeliz. Mas novamente, não há muito a fazer. Quando ela acorda com o rosto inchado e vermelho no dia seguinte, e você pergunta o quê houve, ela disfarça e responde amarela “nada, não” e pega a mochila e sai correndo para a aula. Aí você maldiz e pragueja mil vezes contra aquele – ou aquilo – que a tenha feito sofrer.

 

Se enternece profundamente quando a flagra tão absorvida com os estudos e dedicada com as obrigações de casa, que é impossível não se encher de orgulho. Às vezes até lembra a mãe – não tão bonita, mas de gênio muito melhor: meiga, doce e mansa. Não consegue evitar o mau humor quando atende, ao telefone, alguma voz masculina a procurando.

 

E depois de muitas idas e vindas, muitas noites mal dormidas, preocupações, partilha, apoio, carinho, desentendimento, amparo, anseios e apreensões, chega o petulante do namorado da tua filha, e lhe atira assim à queima-roupa, sem a menor consideração: - Vim pedir tua filha em casamento.

 

Começa a sentir uma pontada no peito, a respiração fica difícil, e quando a língua começa a coçar para cuspir-lhe todos os tipos de ofensas possíveis e inventadas, o olhar desvia e focaliza em sua filha. E vê que ela está tão apaixonada e feliz, que engole todos os xingamentos, junto com o nó na garganta, que àquela altura já evoluíra para uma lágrima, não encontra outro caminho senão responder-lhe: - Acabo de ganhar um filho!

 

Tem que reconhecer que não dá para ganhar a luta, a solução é aliar-se ao inimigo. E torce para que sejam felizes.

 

Clarisse Faria é carioca tem apenas 30 anos e começou a escrever contos há pouquíssimo tempo. E não deve parar, pois tem muito talento.

 


OS MISTÉRIOS DA ARTE DE BEIJAR

 

“(...) Tudo começa com um beijo. Nós nascemos do primeiro beijo dos nossos pais, e a lembrança mais antiga que todo mundo guarda é dos beijos carinhosos da própria mãe. Dentre todos os beijos que passam por nós depois disso, nenhum parece mais intenso do que o primeiro beijo romântico. Nós seguimos pela vida afora sendo beijados pelo destino, pelo amor. E aprendemos a moldar com os lábios os nossos desejos mais apaixonados.” Trecho do livro A História Íntima do beijo”

 

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Beijo roubado, proibido, apaixonado, rejeitado, provocante, sagrado, supersticioso, avassalador... Não importa como, um beijo nunca será só um beijo. O beijo é íntimo, é pessoal,  é tradutor de sentimentos e precursor de sensações.

 

Há quem garanta que o beijo traz em si o poder da transformação, outros morrem de medo de terem suas almas roubadas através dele. Mas, afinal, de onde vem o beijo e a vontade de beijar? Beijar é instintivo?  Qual é a origem desse ato? É algo cultural ou é sagrado?

 

Desvendar os mistérios dessa arte e deste gesto universal, com delicadeza e profundidade, é o principal objetivo da jornalista canadense Julie Enfield em sua recém lançada obra A História Íntima do Beijo. Organizada em nove capítulos, a obra explora todos os ângulos desse gesto prazeroso e evocativo: o cultural, o químico, o psicológico, o erótico, o literário, o visual e até mesmo o tecnológico.

 

Segundo Enfield “um mergulho na história do beijo e do amor, e nos hábitos em torno dele, pode ser o caminho para nos conduzir a um terreno mais familiar: a exploração de como nós mesmos beijamos nossos parceiros amorosos”. Ela convida os leitores para uma jornada que passa pelo mundo todo, desde tempos pré-históricos até o presente, atrás dos beijos que mais marcaram as artes plásticas, a literatura, o cinema e a fotografia. Mostra como cada um dos cinco sentidos enriquece e influencia o ato de beijar e desvenda aspectos surpreendentes da química do desejo.

 

SOBRE A AUTORA

Julie Enfield é jornalista e já teve seus textos publicados em diversos países do mundo. Especializada em temas ligados a sexualidade e comportamento, ela escreve para publicações como Flare e Chatelaine. A autora nasceu em Otawa, Canadá, e passou mais de uma década vivendo na Itália e trabalhando na indústria da moda, ao lado de Versace e Armani. Hoje ela divide seu tempo entre as cidades de Veneza e Toronto, onde atua como diretora de RP na Ports International e é professora de Jornalismo de Revista na Ryerson University.

 

A História Íntima do Beijo, Matrix Editora, 244 páginas, 244 páginas ao custo de R$ 29,90 

 

Crédito da imagem - Banco de Imagem - sênior, par bcp044-35 Big Cheese Photo Royalty Free

 


UMA HISTÓRIA DE AMOR... COM FINAL FELIZ

 

- Para os meus pacientes, eu sempre digo: se você tiver de escolher entre o
amor e a individualidade, opte pelo segundo.

 

A experiência de 41 anos de clínica, onde atendeu mais de 8.000 pessoas, fez com que o médico psiquiatra Flávio Gikovate, 65 anos, colocasse suas reflexões sobre o amor condensadas no seu 26º livro, Uma História de Amor... com Final Feliz.

 

Na obra, a oitava sobre o tema, Gikovate ataca o amor romântico e defende o individualismo, entendido não como descaso pelos outros e sim como uma maneira de aumentar o conhecimento de si próprio.
 

Ele que ao longo de sua experiência de vida acompanhou os fatos mais marcantes que mudaram a sexualidade no Brasil e no mundo, assistindo ao impacto da chegada da pílula anticoncepcional na década de 60 e a constituição das famílias contemporâneas, que agregam pessoas vindas de casamentos do passado, entende bem quando fala que em nome do amor, as pessoas deixam sua individualidade em segundo plano. E a
felicidade vai junto. O casamento, então, começa a desmoronar.

 

PANORAMA ATUAL

Para ele, os solteiros que estão mal são os que ainda sonham com o amor romântico. No entanto, há muitos solteiros felizes. Levam uma vida serena e sem conflitos. Quando sentem uma sensação de desamparo, por estarem sozinhos, mantêm-se ocupados, cultivam bons amigos, lêem um bom livro, vão ao cinema. Desta maneira, driblam a solidão e se dedicam às tarefas que mais gostam.

 

Adiantou também que as pessoas que estão casadas e são felizes são uma minoria. “Com base nos atendimentos que faço e nas pessoas que conheço, não passam de 5%. A imensa maioria é a dos mal casados. São indivíduos que vivem relacionamentos possessivos em que não há confiança recíproca nem sinceridade. Por algum tempo depois do casamento, consideram-se felizes e bem casados porque ganham filhos e se estabelecem profissionalmente. Porém, lá entre sete e dez anos de casamento, eles terão de se deparar com a realidade e tomar uma decisão drástica, que normalmente é a separação.

Segundo o médico, as pessoas confundem individualismo com egoísmo ou descaso pelos outros, que ele considera conceitos diferentes. “O individualismo corresponde a um crescimento emocional. Quando a pessoa se reconhece como uma unidade, e não como uma metade desamparada, consegue estabelecer relações afetivas de boa qualidade. Conhecem
melhor a si próprio e, por isso, sabem das necessidades e desejos dos
outros.”  

 

Quando há afinidade e respeito pelas diferenças e a individualidade é preservada, o relacionamento é fadado ao sucesso.

 

 

AMAR FAZ TÃO BEM

 

Uma pesquisa divulgada pela World Heart Federation, que fica na Suíça - revelou que o ato de amar é particularmente bom para o coração. Isso acontece porque, de acordo com os pesquisadores, o amor libera no organismo substâncias que proporcionam sensação de bem-estar, prazer e alegria. Uma atmosfera amorosa - seja ela gerada por amigos, familiares ou por um parceiro - reduz o estresse, a depressão e a ansiedade, fatores reconhecidos como riscos psicológicos para as doenças cardíacas.

Ao conversar com diversos profissionais de saúde, é unânime a opinião: quem ama e é amado vive mais e melhor. O geriatra Renato Maia é um dos defensores da tese de que a solidão é a principal inimiga da longevidade.

 

- "A pessoa que tem amigos, que compartilha alegrias e tristezas, envelhece melhor do que aquela que adota um estilo de vida adequado, mas vive só. Chegar à velhice rico e solitário revelou-se um péssimo negócio. Além de poupança e previdência privada, é fundamental investir nas relações", enfatiza o atual presidente da Associação Internacional de Gerontologia e Geriatria.


De acordo com o clínico geral Gustavo Paiva, pessoas que estão de bem com a vida são menos propensas a infecções. Romantismo? Não. O fato é que a presença do afeto em nossas vidas colabora para a manutenção de uma atitude mental positiva, o que gera um impacto sobre o sistema imunológico e também sobre o coração. E o presidente da World Heart Federation, Mario Maranhão, é enfático ao lembrar que um em cada três indivíduos sofrerá de doenças cardiovasculares. "Adotar um estilo de vida adequado, com a presença de relações saudáveis, faz uma grande diferença", complementa Dr. Maranhão.

Convencido de que amar vale a pena? Então vai uma dica final da psicóloga goiana Jackeline Costa Ferreira. "Para que esse sentimento se desenvolva em nossas vidas, é necessário ter amor próprio. Os indivíduos com elevada auto-estima sentem-se mais seguros em suas relações sociais".

Mas, como bem lembrou Dr. Renato Maia, não podemos falar de amor sem convocar o poeta. Então, por sugestão do geriatra, fiquemos com Vinícius de Moraes: "a maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana".

 

 

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