UM DIA NACIONAL PARA A LEITURA

 

O ano novo começou com uma boa canetada do presidente da República. Lula acaba de assinar a lei que institui o 12 de outubro como Dia Nacional da Leitura. A mesma lei – de número 11.899 – criou a Semana Nacional da Leitura e da Literatura. A iniciativa partiu de um grupo de militantes da causa capitaneados pelo Instituto Ecofuturo e chegou ao Senado pelas mãos do senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

 

A idéia dos defensores da medida é que se aproveite mais a ocasião – que, além de feriado religioso, também é o Dia da Criança – para ampliar as ações de formação dos futuros leitores.

 

INTERNAUTAS SÃO OS QUE DEDICAM MAIS TEMPO À LEITURA

 

A leitura em meios digitais já é uma realidade. O Brasil é um dos maiores mercados de computadores do mundo e o brasileiro adora navegar na web.

São mais de 41 milhões de habitantes com acesso à internet no país, segundo o Ibope Net Ratings. Nesse novo cenário, os hábitos da população têm apresentado mudanças.

 

 

A pesquisa Retratos da Leitura do Brasil, encomendada pelo Instituto Pró-Livro ao Ibope, mostra essa tendência: uma geração de brasileiros multimídia, ávida por obter informação e sem preconceitos em relação ao suporte em que consumirá esse conteúdo.


Quando questionado sobre o que lêem, cerca de 50% dos entrevistados responderam consumir revistas, livros e jornais. A importância da internet, no entanto, é cada vez maior. A internet representou 20% das respostas nesse quesito e os livros digitais por 3%. O Portal Domínio Público pode ser um bom termômetro da demanda que existe – talvez até de forma reprimida – por conteúdo digital. No site do Ministério da Educação, já foram baixadas 7 milhões de cópias das 72 mil obras disponíveis no endereço virtual (www.dominiopublico.gov.br).


A pesquisa também mostrou que os leitores que apreciam mais a leitura de textos na internet também são os que dedicam maior tempo para ler durante a semana. Embora esteja longe de figurar entre os números mais expressivos em quantidade de leitores – até porque ainda é modesto o percentual de brasileiros com acesso à internet, como o próprio estudo demonstrou – o dado é revelador. De acordo com os especialistas, ele pode indicar uma tendência futura de comportamento leitor da população. (Agência Brasil Que Lê)

 

 

LEITURAS RECOMENDADAS

 

EM BUSCA DE GABRIELLE

 

Gabrielle

 

Muita gente tem uma tia-velha estranha, de quem se contam histórias na família; a “tia Gabriela” me parecia ser essa tia de meu marido, dita “podre de rica” e bem louquinha.

 

Sobre essa tia-avó escutei muitos casos desde que entrei para a família, no início dos anos 1970: teria sido casada com o dono da fábrica de cervejas Brahma de quem herdara inúmeras ações, fizera um testamento que legava sua imensa fortuna internacional para fundar uma associação que não deixasse mais que os maridos mandassem em suas mulheres, seu segundo marido tentara assassiná-la e depois se suicidara e ela tentara assassinar um Primeiro Ministro francês.

 

Escrita com paixão e rigor, embalada em texto ágil e saboroso, Em busca de Gabrielle revela uma personagem complexa, cuja história foi a um só tempo romance, tragédia e drama. Gabrielle circulou pela sociedade carioca e paulistana, pela Europa, Estados Unidos e América do Sul, em vida movimentada na qual administrou como bem queria sua imensa fortuna. Mas pagou preço alto pela independência. Misto de história social e biografia, o resultado é um livro fascinante que se lê com a sofreguidão dos bons romances policiais. Para não empanar o prazer da leitura, convido o leitor à descoberta dos enigmas e das intrigas dessa bem-tramada busca.

 

A autora Vavy Pacheco Borges é historiadora do Departamento de História da Unicamp.

 

 

SHARON, O BRAÇO DE FERRO

 

SHARON

 

Em 15 de agosto de 2005, 50 mil soldados do Exército de Israel entraram na Faixa de Gaza para concretizar um dos planos mais ambiciosos da história contemporânea: retirar 15 mil colonos para encerrar a ocupação israelense de 38 anos na região. As articulações políticas internacionais, a resistência interna e os desafios para a concretização deste plano de desocupação estão no livro Sharon, o Braço de Ferro, escrito pelo jornalista Freddy Eytan. 

 

Na biografia de Ariel Sharon, o autor dedica 127 de suas 272 páginas à desocupação unilateral da Faixa de Gaza proposta pelo então primeiro-ministro isralense para reduzir o terrorismo na região e aumentar a prosperidade econômica de Israel.

 

A obra mostra o passo-a-passo desta operação audaciosa, começando pela assinatura pelos Estados Unidos, União Européia, Rússia e ONU do guia da marcha, em 2003, a primeira agenda do processo de paz, que propunha a retirada das forças de Israel das zonas ocupadas e o fim da implantação dos territórios.

 

Jornalista, cientista político e ex-diplomata, Freddy Eytan conviveu durante quarenta anos com Sharon e os principais dirigentes israelenses, o que lhe permitiu reunir dezenas de histórias e de revelações inéditas, apresentadas com notável espírito crítico.

 

Nesta biografia, ele desvenda as facetas deste controvertido homem político, o único político israelense adulado e execrado pela direita e pela esquerda, ao mesmo tempo em que narra seus combates, vitórias, fracassos e traz detalhes de sua vida privada e dramas pessoais.

 

O relato faz surgir um Ariel Sharon fascinante, profundamente individualista, impulsivo e manipulador, capaz de se expor sem avaliar os eventuais perigos, arriscando-se a ser imprudente. Eytan não mede as palavras para caracterizar o temperamento do biografado: “Rancoroso, arrebenta com tudo se suas opiniões e planos não são aceitos. O estilo é sempre surpreendente, brutal e espetacular. Não recua nunca, embora saiba que avançando para seu objetivo expõe-se a ataques de todos os lados”.

 

Sharon, o braço de ferro, de Freddy Eytan, Editora Barcarolla tem 272 páginas e custa R$ 39

 

MITO E TRANSFORMAÇÃO

 

LIVRO

 

Uma das mais importantes funções dos mitos, segundo Joseph Campbell, é a de orientar as pessoas em suas travessias de vida, como uma espécie de mapa ou guia de viagem, ajudando-as a identificar e alcançar a realização plena. Em Mito e Transformação, ele enfoca o aspecto pessoal e psicológico da mitologia. A leitura permite perceber como as metáforas mitológicas mais poéticas podem ser aplicadas aos desafios da vida cotidiana e às questões existenciais mais significativas.

 

Combinando as histórias de diferentes culturas com os ensinamentos da psicologia moderna, a obra – uma coletânea de palestras, entrevistas e seminários ministrados por Campbell entre 1962 e 1983 – examina de que modo os mitos moldam e enriquecem o pensamento. As reflexões de Carl Jung, as noções de self como herói, as diferentes concepções do ego no Ocidente e no Oriente e as conexões entre símbolos arcaicos e arte moderna são alguns dos temas abordados.

 

Reconhecido expert em seu campo de conhecimento, Campbell conseguiu a proeza de ser um cientista respeitado ao mesmo tempo em que desfrutou de extrema popularidade entre o público leigo, fiel leitor de seus trabalhos. Nesta obra, o resultado de seu texto simples e instigante não poderia ser diferente. Com o bom humor e a perspicácia que o caracterizavam, esse grande contador de histórias da modernidade ilumina os antigos mitos e fornece as chaves para nos ajudar a identificar nosso caminho mais autêntico.

 

Mito e Transformação, de Joseph Campbell é da  Editora: Agora, tem 208 páginas e custa R$44,90.

 

 

SÓ OS IDIOTAS SÃO FELIZES

 

livro

 

Neste livro de histórias engraçadas, eróticas, criativas, Ailin Aleixo, 29 anos, ex-colunista da revista VIP e atualmente editora da Playboy, escreve coisas assim: “Deitei no carpete, coloquei a almofada debaixo da cabeça, emendei um John Pizzarelli no volume médio e estudei a posição do corpo para que ficasse convidativo, apetitoso, mas não a ponto de “me come agora”: podia assustar o moço. Tão puro, ele, um doce, uma manga haden em forma de homem.”

 

As histórias de Ailin Aleixo não são chocantes como as de Anais Nin, mas têm a mesma densidade sensual, no jeito certo para agradar leitores (e principalmente leitoras) inteligentes. Ailin já chega com um estilo próprio, divertido e por vezes perturbador. Flerta com o otimismo, mas acaba namorando a poesia dark deprê urbana.

 

Ailin Aleixo – Conto custo R$ 34,00

 

_________________________

Direitos autorais (Lei federal nº 9.610/98) - Quando da utilização de material  deste site, deve ser feita a seguinte referência: "extraído de www.idademaior.com.br"