EDUCAÇÃO MAL-EDUCADA

É comum se ouvir dizer que a educação no Brasil é de péssima qualidade. Isto quer dizer muita coisa. Mas, por mal educados na arte de pensar, as pessoas não refletem sobre o que ouvem. E se você, na qualidade de leitor e ser humano, tiver a humildade de seguir em frente, vamos refletir:

Existem dois tipos de educação básica no Brasil: a Pública e a Privada. A pública é mantida pelo governo, a privada é mantida pelos pais do aluno. Quando dizem que a educação é péssima, não citam uma ou outra em partícula.

 

A educação pública é ruim? Então os governos não cumprem suas promessas de campanha de investir na educação.


A educação privada é de má qualidade? Então quem paga está sendo enganado pela propaganda que diz que a escola particular é mais eficiente.

De minha parte, penso que os materialistas-capitalistas (neoliberais), dizem que a educação publica é ruim, exatamente pela mesma razão que falam mal da saúde pública, querem privatizar tudo, porque quando o governo paga, a iniciativa privada perde. Mesma razão pela qual vivem a atacar os “genéricos”.


Mais estranho ainda é o fato de os professores (públicos e privados) não reagirem contra a campanha da “educação ruim no Brasil”. O professor é o educador, se a educação vai mal é porque (por extensão) o educador é ruim!


Mas, se vê educadores muito preocupados com o salário, e muito pouca coisa além.


Vê-se, com efeito, muitos formados em educação, mas não exatamente educadores. Têm tosca cultura, parca intelectualidade e capengas de filosofia. Não sabem meditar. Não raro pagaram alguém para escrever seu trabalho de conclusão de curso. (tenho amigos que vivem de escrever monografias, e cobram caro por isso).


Então a educação vai mal, a criança é mal educada, sai mal educada de casa e sai mal educada da escola. E agora?

 

Autor: Antenor Emerich  http://antenoremerich.blogspot.com


 

MAIS QUE UM PROFESSOR

EDUARDO SHINYASHIKI

 

Educação é a base para o desenvolvimento de qualquer nação, dessa forma, o professor torna-se peça chave na formação do ser social, é ele quem vai guiar a produção do conhecimento e o futuro profissional e acadêmico de cada criança.

 

No entanto, uma recente notícia sobre professores alarmou pais e estudantes. A Secretaria da Educação de São Paulo anunciou que usará professores reprovados em exames para ministrar aulas no ensino básico. O sindicato do setor anunciou ainda que esses professores irão para as periferias da capital, onde o desempenho dos alunos é abaixo da média nacional.

 

Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego, 80% dos professores ativos no Brasil participam da educação básica, ou seja, educação infantil, ensino fundamental e ensino médio.

 

Para solucionar esse problema, é preciso primeiro ter presente que o professor é muito mais que um transmissor de conhecimentos. É ele também que irá estimular a criança a ter características exigidas pelo mercado de trabalho. Em uma de minhas palestras, em específico a realizada na UNESCO, para educadores, lembro-me que iniciei a reflexão com a seguinte pergunta: “quais as qualidades exigidas a um cidadão em uma entrevista para emprego?“.

 

Muitos falaram, ao mesmo tempo, vários atributos. Liderança, comunicação, trabalhar em equipe, iniciativa, criatividade, flexibilidade entre outras. Foram inúmeras as características citadas pelos participantes da palestra e todas elas se encaixam no perfil selecionado pelas empresas. Respondi então a eles com uma segunda pergunta: “Nós como educadores estamos colocando dentro da sala de aula estas qualidades?” Foi quando disse a todos: “Se não estivermos fazendo isto como uma prática dentro da sala de aula, nós estaremos engrossando a fila dos desempregados”. Pois é exatamente esse questionamento que o docente pode fazer a si mesmo.

 

O papel do educador dentro e fora da sala de aula é de extrema importância para os alunos. O professor é um dos principais líderes da vida de uma criança, é ele que, juntamente com os pais, vai influenciar diretamente no desenvolvimento delas. Ele irá conduzir os alunos rumo ao conhecimento e a sabedoria. A escola é o primeiro ambiente que a criança encontra fora da família, e o mestre será uma das pontes mais importantes de transição da infância para a vida adulta. Nesse sentido, o docente deverá ser um bom exemplo e passar a sua melhor característica para os alunos, agindo como um cidadão ético e responsável, ciente de sua missão de transmitir valores para um futuro profissional.

 

As rápidas mudanças podem afetar alguns setores da sociedade, e a educação não está exclusa deste cenário. Assim, o professor deve enfrentar grandes desafios em sua profissão, além de se especializar para comunicar o conhecimento, ele precisa estar atento em transmitir mais que isso, é preciso mostrar aos pequenos que motivação e qualidades devem crescer dentro nós e nunca se perder em meio aos problemas da vida.

 

Os grandes professores que se permitem ensinar e transmitir o amor e a dedicação nos marcam de forma positiva, deixam resultados perenes e transmitem de forma inequívoca valores e ideais, promovendo uma verdadeira transformação na vida de cada pessoa.

 

Eduardo Shinyashiki é consultor, palestrante e diretor da Sociedade Cre Ser Treinamentos. Para mais informações, acesse www.edushin.com.br.

 

 

ACESSO À CULTURA, NOSSO MAIOR DESAFIO.

ANTONINHO MARMO TREVISAN

 

Economia forte, instituições políticas sólidas e boas perspectivas colocam o Brasil na posição de uma das nações mais promissoras do mundo neste começo de ano. No entanto, o pouco acesso à cultura continua a ser um dos nossos pontos frágeis.

 

Estas são as constatações que podemos subtrair dos levantamentos feitos pela revista International Living, publicação norte-americana que, desde o começo da década, elabora a medição informal do índice de desenvolvimento humano (IDH) de quase 200 países. Em 2010, os primeiros colocados são, respectivamente, França, Austrália, Suíça, Alemanha, Nova Zelândia, Luxemburgo, Estados Unidos, Bélgica, Canadá e Itália.

 

O Brasil aparece em 38º -- nada mal, tendo em vista que foram 194 avaliados, mas ainda assim numa posição menos honrosa que a do Uruguai (19º lugar), da Argentina (26º) e do Chile (31º). Nossas melhores pontuações ocorreram nos quesitos de liberdade e segurança (foram analisados riscos de guerra e de ataques terroristas, e não a questão da violência urbana). Nossos piores desempenhos foram em infraestrutura e acesso à cultura.

 

O que a International Living fez foi tabular aquilo que constatamos na prática. O Brasil é um País que incorporou os valores democráticos e que pratica a tolerância, mas ainda tem muitas lacunas a preencher. Na área de infraestrutura, um dos nossos calcanhares-de-aquiles, estamos investindo fortemente, mas continuamos distantes dos padrões que nos permitiriam suprir nossas demandas por energia, rodovias, ferrovias, hidrovias e fluxo portuário. Em habitação, nosso déficit é de aproximadamente 7 milhões de moradias.

 

No âmbito da Educação e da Cultura, é sabido que o Brasil superou problemas antigos, como a falta de acesso à escola. Além disso, segundo o IBGE, em 2008, 56 milhões de pessoas de dez anos ou mais de idade acessaram a internet pelo menos uma vez por meio de um computador. Esse número equivale a 34,8% da população nessa faixa etária.

 

A mesma pesquisa revela que o uso da internet foi maior entre os mais jovens. No grupo de 15 a 17 anos, por exemplo, a internet é usada constantemente por 62,9% dos jovens. A seguir, vem o grupo de 10 a 14 anos de idade, no qual 51,1% da população tem acesso à rede. Já o grupo de 50 anos ou mais é o time dos desconectados, com uma participação de apenas 11,2%.

 

O uso do celular também está cada vez mais difundido. Cerca de 53,8% da população de dez anos ou mais de idade tinham telefone celular para uso pessoal em 2008, segundo o IBGE.

 

Tudo isso indica que estamos acompanhando o restante do mundo em seu ganho de velocidade e no encurtamento de distâncias. Mas é triste saber que o interesse pelas novas tecnologias não se faz acompanhar por um embasamento intelectual que, no mínimo, tornariam mais interessantes e enriquecedoras as palavras que atravessam os caminhos de fibra ótica...

 

Temos que nos empenhar no combate à má qualidade do ensino e favorecer o acesso à cultura. E um bom começo para o enfrentamento desse problema é a expansão do número de bibliotecas públicas pelo País. Hoje, ainda faltam bibliotecas em mais de 300 municípios brasileiros. O desafio de zerar esse déficit deve ser encarado como uma dívida histórica, por todos nós.

 

 Além de disponibilizarem livros variados para todos os tipos de público, as bibliotecas funcionam, principalmente nas cidades de menor porte, como espaços importantes para a aquisição da cultura e o exercício da arte e da criatividade. Salas são aproveitadas para cursos de teatro, música e artesanato, e aquelas que recebem equipamentos para projeção se convertem em pequenos cinemas. Graças ao ambiente aconchegante e convidativo, as bibliotecas são opções excelentes para o convívio de crianças e de jovens que, sem essa alternativa, acabariam ficando horas e horas na rua, expostos a toda sorte de riscos e estímulos negativos.

 

Infelizmente, porém, ainda nos falta trabalhar o apreço pelo livro com a ênfase que ele mereceria. Talvez porque os livros não sejam promovidos por meio de comerciais na televisão, nem tenham, por trás deles, importantes marcas licenciadas a reforçar seu apelo comercial, eles só são lembrados, em boa parte dos lares brasileiros, quando os pais recebem a lista de material escolar no início do ano. Dessa forma, transformam-se em símbolos da obrigação e da rotina, e deixam de ser identificados com aquilo que eles são de fato: companheiros para todas as horas, principalmente as de lazer.

 

Transformar os livros em objeto de desejo é uma missão que deve ser encampada por toda a sociedade. Eles são inigualáveis na sua posição de alimentadores de corações e mentes. E é importante trabalhar essa questão com uma ênfase bastante grande junto às crianças e aos adolescentes. Coloco ênfase nos mais jovens porque é justamente nos primeiros momentos da vida que as pessoas despertam para o novo e começam a cultivar os valores e as crenças que irão acompanhá-las pelo resto de suas vidas.

 

Se as crianças sonharem em ganhar livros com o mesmo ardor com que desejam as pistas de corrida, as bonecas e até as pistolas de brinquedo, estaremos mais próximos da construção de um país melhor. Pois não há riqueza maior do que o conhecimento, e é desse tesouro que o Brasil mais precisa.

 

Antoninho Marmo Trevisan é empresário, educador e consultor.

 

Existiria verdade,
Verdade que ninguém vê
Se todos fossem no mundo iguais a você.

 

Trecho da música “Se todos fossem iguais a você,

Composta por Tom Jobim e Vinícius de Moraes

 

BOA INICIATIVA


O cabo Adolfo de Moura Lóra, da Polícia Militar de São Paulo, encontrou uma maneira criativa de incentivar a formação de uma nova geração de leitores, oferecendo a oportunidade aos membros da comunidade de se tornarem agentes de mudança social. Com o apoio dos colegas policiais, comerciantes e líderes comunitários, o cabo Adolfo iniciou o “Projeto Biblioteca”, na Base Comunitária de Segurança do Jardim Ranieri, na Zona Sul de São Paulo, nas proximidades do Jardim Ângela e Capão Redondo.
 
Graças à mão de obra e doação de materiais pela comunidade, uma biblioteca foi construída em uma área ociosa da base policial. Em pleno funcionamento, o projeto disponibiliza um acervo com 6 mil títulos, 6 computadores de uso gratuito e atende uma população local estimada em 51 mil habitantes. Além de estimular a leitura e proporcionar espaço de lazer e convivência entre os leitores, o “Projeto Biblioteca” propõe-se a criar vínculos de amizade entre jovens e a polícia, combatendo a violência em uma região que já foi considerada pela Organização das Nações Unidas, há menos de uma década, uma das mais violentas do planeta.
 

“É um projeto pioneiro dentro da área da segurança pública, e está sendo uma experiência incrível. Através deste nosso trabalho, realmente acredito que está se confirmando que uma das melhores maneiras de combater a violência é através da educação e da cultura”, diz o Cabo Adolfo, satisfeito com o reconhecimento do trabalho comunitário, que incluiu a indicação do “Projeto Biblioteca” ao Prêmio Vivaleitura 2009.

 

BIBLIOTECA TEM QUE TER BIBLIOTECÁRIO


Para a presidente do Sindicato dos Bibliotecários do Estado de São Paulo, Vera Stefanov, não dá para pensar que uma política pública do livro e leitura vá dar certo enquanto houver, no estado ou no País, bibliotecas sem bibliotecários.

 

Ela critica a não reposição dos profissionais aposentados nas bibliotecas públicas paulistas e afirma que não há como ser otimista na atual situação. Em entrevista exclusiva à Brasil Que Lê, Vera diz que os governos deveriam contar mais com os bibliotecários na hora de formular programas e projetos.

Para ela é complicado falar em evolução no Estado de São Paulo nesta década, em que sucessivos governantes não foram capazes sequer de repor os bibliotecários que vêm se aposentando. Nenhum concurso público para bibliotecário foi aberto e a política estadual é preencher as vagas, legalmente destinadas a bibliotecários, com os chamados professores readaptados.

 

Nos governos municipais, a situação é ainda pior porque os poucos concursos abertos oferecem remuneração bem inferior ao piso salarial da categoria. Em nível federal, tivemos alguns avanços, mas a situação ainda deixa a desejar.

 

A taxa de analfabetismo próxima de 10% mascara a deficiência dos alunos do ensino médio em ler e interpretar textos, conforme pesquisa recentemente revelada no último Enem. O que fazer, então, para motivar esses alunos lerem um livro e se desenvolverem como cidadãos? Essa é a grande preocupação que temos.

 

Na verdade, a falta de uma política educacional acarreta uma falta de formação de leitores. A maioria das escolas públicas não possui bibliotecas e, tampouco, bibliotecários, profissionais indispensáveis na formação de leitores.

 

- Isso é imprescindível na formação dos cidadãos, na organização de ideias, no gosto pela pesquisa e na aquisição do conhecimento. Como pode uma Nação formar leitores se os livros ficam amontoados em qualquer sala da escola? Por essa razão, não podemos ter uma visão otimista neste momento, embora seja promissora a implantação de bibliotecas em todo o País, informa Vera Stefanov, presidente do Sindicato dos Bibliotecários do Estado de São Paulo.


QUAIS OS ASPECTOS POSITIVOS? E OS NEGATIVOS?


Qualquer incentivo à leitura é positivo. A variedade de assuntos aguça a curiosidade e acaba formando novos leitores. Mas o problema maior é a descontinuidade dos programas e projetos oficiais. As comunidades deveriam se mobilizar para exigir de seus governantes a continuidade de programas e equipamentos culturais; bem como fiscalizar a destinação de verbas para a manutenção do pouco que já existe. Estivemos presentes em muitos atos pró-cultura. Não podemos esquecer que a biblioteca é o único meio de comunicação entre as gerações, sem a qual perdemos parte da nossa história e atrasamos o nosso desenvolvimento. Quantas comunidades não têm culturas populares que, sem uma biblioteca, estão se perdendo?

 

Não podemos ignorar o nosso folclore, como nosso Saci Pererê e nosso Boi Bumbá. Pelo contrário, devemos divulgá-lo pelo mundo afora e influenciar outras culturas.

Fonte: Agência Brasil Que Lê


LIVREIROS QUEREM MAIS FORMAÇÃO

 


A Associação Nacional de Livrarias se convenceu de que está nos próprios pontos de venda uma das causas da baixa venda de livros no País. Por isso, resolveu acelerar seu programa de formação de livreiros e funcionários do varejo, que passará a oferecer também in company.

 

A programação de cursos entre abril e junho trata de temas que vão da arquitetura interna das lojas a orientações sobre compra e mix de produtos, marketing, contratação e treinamento dos funcionários. Um item que atrai cada vez mais é a expansão das redes de livrarias.

 

PRIMEIRA SECRETARIA MUNICIPAL DE LEITURA

 

Nova Friburgo (RJ) é o município que está inovando ao dar posse, agora em março, ao primeiro secretário municipal de Leitura, que é Francisco Gregório da Silva Filho, profissional de Artes Cênicas e conhecedor de técnicas de contar histórias.

 

Ele é servidor público federal do quadro da Fundação Biblioteca Nacional, vinculada ao Ministério da Cultura. Foi coordenador do Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler) na década de 1990 e atuou como presidente da Fundação Cultural Elias Mansur, no estado do Acre.

 

A secretaria foi criada em dezembro do ano passado, pelo projeto de reforma administrativa do governo municipal aprovado pelos vereadores, que entrou em vigor em 2010.

 

Leia mais em: http://www.cultura.gov.br/site/2010/02/19/livros-por-toda-a-parte/

 

 

 

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