CANTINHO DO CONTO

Estamos inaugurando este espaço com o conto de Cirene Fazzolo Freire, capixaba, viúva, 87 anos completados no dia 6 de fevereiro 2008. Confiram seu talento.

AS POMBAS DO RAIMUNDO
CIRENE FAZOLO FREIRE

cantinhoO homem gostava de ler, mas entendia pouco de escritores, poetas, romancistas, etc. Por algumas vezes nos jornais ou revistas lera sobre “as pombas do Raimundo”. Imaginava: - Quem será esse sujeito que cria pombas? Para comer? Não, não deve ser, as pombas são magras e sem sabor nenhum, com certeza. Pensava: - Bem, há os que criam coelhos, galinhas, patos, marrecos, mas pombas?
De outra feita, lá estava na coluna de um jornal, ‘As pombas do Raimundo’.
-Quem será esse Raimundo que cria pombas? Algum nordestino pobre, o nome indica, sem o Nonato. Não, não é pobre. Está no jornal, esse jornalzão. E pobre tem nome em jornal?” 

Teve vontade de indagar, perguntar aqui e ali onde mora esse tal Raimundo criador de pombas. Imaginava-o fotografado ao lado do Raimundo naquele jornalzão ou naquela revista importante, pois está interessado no negócio e já viu que o cara é famoso.

 - Deve ter um magnífico pombal – pensava -, mas onde?

E vai daí que certo dia dá com os olhos numa poesia. Não gosta de poesia, mas é preciso ler tudo, pensava desinteressado. O que lhe interessa mesmo é o negócio das pombas.

 - Será que dá lucro? Deve dar, o cara está nos jornais, nos maiores...

E leu a poesia, começando “Vai-se a primeira pomba despertada...”. Abaixo,  a assinatura: Raimundo Correa.

 - Ah, mas que droga! O danado do homem não cria pombas, faz é verso pra elas! Ora pombas!

 

BIBLIOTECAS EM PONTOS DE ÔNIBUS

 

O número de bibliotecas comunitárias distribuídas em algumas paradas de ônibus da Asa Norte, em Brasília, aumentou. O brasiliense que esperava a chegada de ônibus nos pontos que vão da 712 à 716 Norte contavam com 10 prateleiras de livros para pegar emprestado, sem pagar nada.
Já foram inauguradas pelo menos mais seis dessas bibliotecas na região, completando os pontos de ônibus das quadras que começam na 710 Norte, com um total de 16 unidades.
A esteticista Maria Vilma de Souza mora em Ceilândia e trabalha na Quadra 716 Norte. Ela já pegou emprestado um livro na biblioteca montada na parada de ônibus e gostou de saber que novas unidades estão sendo instaladas. "A biblioteca é importante porque as pessoas vão adquirindo conhecimento, vão aprendendo a ler, vão criando um hábito da leitura", afirmou.
A Organização Não Governamental (ONG) T-Bone, responsável pela iniciativa, diz que a média de empréstimos de livros chega a 600 por dia e com as novas bibliotecas, o número vai aumentar. Na opinião do fundador da ONG, Luiz Amorim, o projeto tem dado certo e a expectativa é de que até maio deste ano todas as 32 paradas de ônibus da Asa Norte tenham
uma prateleira com livros para que a população possam pegar emprestado.
Os empréstimos de livros nas bibliotecas comunitárias da Asa Norte são bem superiores do que os registrados na biblioteca pública da Quadra 512 Sul, por exemplo. Lá, segundo a bibliotecária da Secretaria de Cultura, Ana Paula Oliveira, a média é de 80 livros emprestados por dia. A iniciativa de disponibilizar livros em um local mais próximo da população, sem muitas exigências burocráticas, como nos pontos de ônibus, aumenta em quase dez vezes a procura dos brasilienses por leitura.

 Fonte: Elaine Borges, Repórter da Agência Brasil - Brasília

 

BIBLIOTECA ACESSÍVEL

A Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro inaugurou a primeira fase do projeto “Biblioteca acessível”, que, por meio de inovações tecnológicas, vai permitir que portadores de necessidades especiais e idosos tenham acesso fácil à pesquisa dos acervos físico e digital.
Segundo a assessoria de imprensa do órgão, o projeto prevê também capacitação de funcionários, que darão o atendimento ao público específico. Para atender aos usuários, a BN reservou uma área na Divisão de Obras Gerais — no segundo andar de sua sede, no Centro do Rio —, onde foram instalados equipamentos como ampliadores de textos eletrônicos, leitores e folheadores automáticos de livros, impressoras e linhas Braille, teclados e mouses especiais e programas para leitura de textos que fazem reconhecimento de voz.

 Para cada tipo de deficiência (motora, auditiva ou visual) haverá um equipamento de última geração e um funcionário à disposição do usuário para orientá-lo nas pesquisas e facilitar o acesso ao acervo da BN. Com o leitor automático Poet Compact, por exemplo, com é possível ouvir livros, revistas e jornais sem se conectar ao computador.

 O aparelho — elaborado especialmente para deficientes visuais ou mesmo pessoas idosas — é dotado de voz sintetizada em português com grande qualidade. Para utilizá-lo, basta que o usuário ponha o texto sobre o scanner e pressione o botão “play” para que ele comece a ler em voz alta. O Poet Compact tem memória para mais de meio milhão de páginas, o que possibilita a gravação de livros para consulta posterior. O equipamento tem também conexão USB, permitindo exportar ou importar as informações no pen drive, BrailleNote ou similar.
Com o “Biblioteca acessível”, softwares especiais também permitirão que o portal da BN seja consultado por portadores de deficiência visual. O projeto, orçado em R$ 220 mil, foi desenvolvido pela ONG Acessibilidade Brasil, em janeiro deste ano. De acordo com a BN, a iniciativa vai servir como modelo para o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, que coordena a instalação desses órgãos em várias regiões do Brasil.

 

ABI (Associação Brasileira de Imprensa) - Rua Araújo Porto Alegre, 71 - Rio de Janeiro - RJ / CEP 20030-012 - Tel. (21) 2282-1292

 

 

ESCRITOR CARIOCA PODE SER LIDO GRATUITAMENTE

 

 Leia a descrição dos marginalizados da sociedade carioca há mais de 100 anos. Conheça prostitutas, trabalhadores do cais, consumidores de ópio, tatuadores e toda sorte de indivíduos que não freqüentavam os nobres salões. O escritor que expôs essa realidade foi batizado como João Paulo Alberto Coelho Barreto, mas foi sob o pseudônimo de João do Rio que ele se consagrou. Grande parte de sua obra está disponível, gratuitamente, no portal Domínio Público.

 João do Rio foi uma das personalidades mais influentes do início do século 20. Jornalista, autor de teatro, membro da Academia Brasileira de Letras e pioneiro na luta pelos direitos autorais, seu campo de atuação se estendeu dos nobres salões do Rio de Janeiro às fúmeries de ópio, freqüentadas por miseráveis imigrantes asiáticos. Paulo Barreto foi o primeiro jornalista a percorrer as ruas procurando por notícias. Até então, os jornais brasileiros eram constituídos por artigos e textos literários assinados por pessoas de renome na sociedade.

 Suas obras mais consagradas são coletâneas de textos publicados em jornais. De fevereiro a março de 1904, João do Rio publicou a série de reportagens que viria a ser o seu primeiro livro: As religiões do Rio. O repórter visitava templos e rituais religiosos, descrevia e explicava os acontecimentos e principais dogmas das religiões. Os textos explicitaram costumes e personagens que, até então, eram pouco íntimos da elite carioca. A “Paris brasileira” deparou-se com seus aspectos mestiços, multirraciais e com sua religião sincrética, influência direta do contato com os negros africanos.

 As crônicas de João do Rio modificaram a maneira como o Rio de Janeiro se percebia e, por conseguinte, terminaram por modificar a própria representação da sociedade carioca.

 João do Rio foi um homem à frente de seu tempo. Algumas de suas idéias são consideradas inovadoras ainda hoje. Foi feminista e defendeu o voto das mulheres. Também considerava justo que homens e mulheres tivessem igual número de membros na Câmara e no Senado, o que ainda não foi alcançado.

 Tamanho pioneirismo, entretanto, o expôs a críticas ferozes que encontraram na homossexualidade do autor um prato cheio para chacotas. Considerado por seus biógrafos como um indivíduo muito sensível e com dificuldades de lidar com críticas, João do Rio foi o mais criticado jornalista de sua geração.

 

Texto de Ana Guimarães

 

THEATRO MUNICIPAL É HOMENAGEADO

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que completa 100 anos no dia 14 de julho de 2009, marcará presença na Marquês de Sapucaí no próximo carnaval. O centenário do Municipal será enredo da escola de samba Unidos de Vila Isabel em 2009, repetindo a homenagem que a própria agremiação já fez ao teatro em 1965, com o tema Epopéia do Theatro Municipal.

O enredo, de autoria do carnavalesco Alex de Souza e do historiador Alex Varela, levará para a avenida um pouco da história do Municipal, como a criação do corpo de baile e da orquestra, além de eventos culturais que o teatro abrigou, como óperas, encenações teatrais e os primeiros bailes de carnaval.

 O Theatro Municipal entrará em obras, que serão concluídas em julho do ano que vem, para comemorar seu centenário de cara nova. Como a reforma começa pela parte externa da cúpula, o teatro irá manter inalterada sua programação cultural. Apenas em outubro deste ano, quando começam as obras na sala de espetáculos, o Municipal será fechado para o público.

 Em 2009, além da Vila Isabel, a escola de samba Difícil é o Nome, do Grupo de Acesso C, também terá o Municipal como enredo. O teatro também já foi homenageado pelas escolas de samba Unidos de São Carlos, Império do Marangá e Império Serrano.

 

Do site www.imprensa.rj.gov.br

 

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