O FUTURO DO BRASIL NOS BANCOS ESCOLARES

EDUARDO POCETTI

 

Foi amplamente noticiado o fato de o Brasil não ter alcançado as metas traçadas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico no tocante à educação. Ficamos aquém dos nossos objetivos em qualidade de ensino, erradicação do analfabetismo e diminuição da repetência e da evasão escolar.

 

Nessas horas, procede-se a uma espécie de caça às bruxas. Pedagogos, secretários da educação dos municípios e dos estados, professores, empresários – todos são instados a se manifestar sobre o problema, a apontar culpados e a sugerir soluções.

 

Não sou da área de educação, por isso não vou me aventurar a discutir esses aspectos. Porém, considero fundamental salientar que essa dificuldade em suprir lacunas na Educação vem impactando diretamente a vida do País.

 

O Brasil tem plenas condições de se tornar uma das maiores economias do mundo em menos de quatro décadas. Mas, para chegar a esse patamar, vai depender basicamente da produtividade da sua força de trabalho.

Hoje, é comum os empresários se queixarem da falta de mão de obra qualificada. Há um verdadeiro “apagão” de engenheiros, geólogos, estatísticos e outros profissionais com alta especialização, sobretudo na área de Exatas, para atender às necessidades do País. Essa deficiência afeta justamente as áreas em que nós temos mais potencial para crescer, tais como a construção civil, a exploração de minérios e hidrocarbonetos e o agronegócio com viés autossustentável.

 

Além de faltar profissionais, muitos daqueles que já são diplomados têm uma preparação insuficiente para as necessidades do mundo dinâmico e globalizado no qual estamos inseridos. No Brasil, a média de tempo de estudo da população economicamente ativa é de apenas 3,5 anos, contra 10 na China, 11 anos no Japão e 12 nos Estados Unidos. Como resultado dessa falta de qualificação, metade dos brasileiros trabalha na informalidade – destes, 20% recebem menos de um salário mínimo por mês, e mais de 50% cumprem jornada integral de trabalho. Essas informações podem ser conferidas no Mapa do Mercado de Trabalho no Brasil, produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

Não basta que as pessoas obtenham certificados. É preciso que seu conhecimento seja compatível com os padrões internacionais de qualidade e desempenho. Se, vinte anos atrás, o fato de uma pessoa saber escrever o próprio nome bastava para classificá-la como ‘alfabetizada’, hoje ela só será considerada não-analfabeta se for capaz de ler e entender um manual de instruções e de produzir textos coerentes. Essa elevação do patamar de exigência se replica, de forma proporcionalmente igual, em todas as outras esferas de formação e conhecimento.

 

Como eu disse no começo deste artigo, não sou um profissional da educação. Mas sou uma pessoa que vivencia o dia-a-dia das empresas em um grande número de segmentos. Com base nessa experiência, posso afirmar que é indispensável fortalecer a base, para que a educação se construa sobre alicerces sólidos. Em outras palavras, é no ciclo básico, e a seguir no ensino médio, que se estrutura o profissional apto e competente que dará conta dos desafios futuros.

 

A matemática dos bancos de colégio é o ponto de partida para a formação de um grande físico, geólogo, programador, engenheiro etc. E a pedagogia moderna deve valer-se de seus instrumentos para ajudar a formar pessoas curiosas, criativas e abertas ao aprendizado constante. Somente assim teremos como acompanhar as novas tecnologias, e quem sabe um dia, nos antecipar a elas.

 

Eduardo Pocetti é CEO da BDO Auditores Independentes.

 

 

O VALOR DO JORNALISMO 
    JUDITH BRITO

 

Dois estudos norte-americanos recentes fornecem elementos importantes para a compreensão da dinâmica da mudança em curso no mercado de comunicação social, provocada pela revolução digital.

 

O primeiro é um levantamento do instituto Pew Research Center, que demonstrou serem os jornais responsáveis por cerca de metade da produção de conteúdo jornalístico novo. As demais mídias tradicionais juntas (tevê, rádio e outros) produzem quase todo o restante e somente 4% das informações inovadoras originam-se nas novas mídias (plataformas de busca, agregadores, blogs, etc).

 

O segundo levantamento, feito pelo Fair Syndication Consortium, atestou que cada matéria de jornal é reproduzida sem licença em média 4,4 vezes na internet, chegando a 15 vezes nos casos dos títulos de maior credibilidade.

O papel das novas mídias tem sido, em geral, o de simples replicadoras dos conteúdos originais, produzidos principalmente pelos jornais. Não se discute a capacidade da internet no que se refere ao compartilhamento imediato e global das chamadas hard news, entendidas como a apresentação simples de acontecimentos, por meio de textos, áudio ou imagens. Aliás, neste aspecto, o da disseminação instantânea de notícias, o rádio e a tevê já haviam ocupado, com eficiência, o espaço inaugurado pelo jornal, a mais antiga das mídias. Referimo-nos ao papel mais importante do jornalismo: o de produzir informações e análises inovadoras, sob a responsabilidade de empresas jornalísticas sérias, que exigem de seus profissionais – jornalistas altamente qualificados – o uso de técnicas de apuração e o compromisso com princípios editoriais transparentes. Produzir informação inovadora e de qualidade – aquela que contribui de forma relevante para que os cidadãos possam refletir e ter opiniões próprias num país democrático – custa caro.

 

PAUTA DO DEBATE
O modelo ideal de empresa jornalística é a que se sustenta por meio da venda dos exemplares e também, necessariamente, pela receita publicitária oriunda de uma carteira ampla e diversificada de anunciantes. Somente empresas jornalísticas financeiramente sólidas podem manter a desejável independência editorial em relação a governos ou a interesses privados, o que lhes permite eleger como prioridade absoluta o direito dos cidadãos de acesso às informações, e assim garantir a publicação de notícias e análises que podem contrariar interesses políticos e econômicos.

Não há dúvida de que o jornal Washington Post prestou um serviço à sociedade norte-americana, em 1974, com a divulgação de reportagens sobre o Caso Watergate, estopim de investigação que resultou na queda do presidente Richard Nixon. A democracia da América não foi abalada. Ao contrário, se fortaleceu.


Tudo isso coloca em debate uma questão fundamental para o futuro da comunicação. Utilizando-se de mecanismos de busca na internet, grandes empresas da nova fronteira tecnológica se apropriam das informações jornalísticas, sem autorização dos detentores dos direitos sobre elas e sem qualquer remuneração. Tais empresas estão hoje entre as maiores e mais lucrativas do planeta.


Se persistir esse modelo de apropriação e uso gratuito na internet das informações jornalísticas, elas tenderão a perder qualidade e, em última instância, a desaparecer. Sem a remuneração devida, como poderão os jornais produzir as informações que pautam os grandes debates, que ajudam na formação da opinião, que orientam os cidadãos?

SOMA DAS PERDAS

Jornal é a mais antiga, tradicional e consistente das mídias, a que teve função mais relevante nas transformações sociais, econômicas e políticas, razão pela qual se tornou símbolo da própria democracia.

As novas mídias vieram para ficar, e devemos entendê-las como avanços que podem significar a melhoria do nível geral de informação. A questão está em encontrar um modelo saudável, que permita a continuidade dos padrões anteriores de qualidade na produção de informação e apuração de notícias. Caso contrário, perde a indústria jornalística, responsável pelos mais de 539 milhões de exemplares que circulam diariamente no mundo.

Mas, muito pior, perde a democracia um dos seus maiores guardiões.


FONTE: Envolverde/Observatório Da Imprensa

 

 

OPORTUNIDADES DO LIVRO DIGITAL PARA O MERCADO

ROSELY BOSCHINI

 

Na Feira do Livro de Frankfurt 2009, na qual o Brasil esteve presente com 1.640 títulos e 50 editoras, cuja participação foi organizada pela CBL, um dos temas recorrentes foi o advento do e-book. Dentre os 7.373 expositores, 361, ou 5%, o incluíram em seus estandes. A novidade apresentada no maior evento do mercado editorial em todo o mundo referenda uma realidade ascendente do mercado. Em 2008, o livro digital movimentou US$ 100 milhões nos Estados Unidos, onde mais de 80 editoras já atuam no segmento. Na Alemanha, venderam-se 65 mil unidades no primeiro semestre deste ano.

 

Não há dúvida de que se trata de uma tendência irreversível o surgimento de um consistente mercado de equipamentos de leitores eletrônicos, que cativarão parte dos consumidores. Isto não significa o fim do livro impresso, cujo encanto, praticidade e caráter lúdico continuarão determinando a preferência de bilhões de pessoas em todo o Planeta. Portanto, mais do que uma preocupação, o e-book deve ser visto como oportunidade de ampliar o universo do público leitor e desenvolver uma nova vertente de negócios.

 

A convivência de distintos processos é uma realidade em todos os setores de atividade. Saber explorar o imenso potencial aberto pela convergência significa multiplicar as possibilidades mercadológicas, criar novas alternativas e atender de maneira mais eficaz à demanda. No tocante ao livro impresso, a mescla de tecnologias já significou um avanço importante. Um exemplo: a impressão digital, viabilizando tiragens pequenas, com qualidade quase idêntica à do offset, possibilita lançar e testar, na realidade do mercado, maior número de títulos, sem onerar de modo demasiado as editoras. O e-book, que reforça a capacidade de atender com precisão cirúrgica à demanda real, também abre novas perspectivas, como agregar imagens e som ao conteúdo. 

 

Cabe ao setor livreiro aproveitar tais possibilidades, desenvolvendo uma vertente mercadológica promissora e capaz de contribuir para o aumento do número de leitores. As editoras, num futuro não muito distante, serão provedoras de conteúdos, disponibilizados para o público consumidor em diferentes mídias, seja a comunicação gráfica ou eletrônica. As livrarias, do mesmo modo que vendem com sucesso CD e DVD, terão espaços para os equipamentos de livro digital, certamente com distintos pacotes de conteúdo.

           

Obviamente, será necessário um novo ordenamento dos direitos autorais. Sem tal providência, a ser normalizada internacionalmente, ficará difícil desenvolver e consolidar o mercado do e-book. Segurança quanto à autenticidade e legalidade dos conteúdos também será fundamental. Vejam o que acontece no mercado de filmes e música em CD e DVD, muito prejudicado pela pirataria. Não há dúvida de que a digitalização de conteúdos editoriais sob a tutela de direitos legais suscitará facilidades para a falsificação e reprodução ilegal, ampliando a ameaça de falsificação muito além das máquinas copiadoras que enfrentamos hoje.

 

As dificuldades e problemas a serem superados, contudo, não devem impedir o avanço da tecnologia. É preciso conviver com as transformações, adaptar-se a elas e as converter em real oportunidade. Claro que esse processo de adequação é mais fácil quando o mercado atua de maneira coesa e sinérgica. Nesse sentido, é fundamental o trabalho das entidades de classe, como tem feito a Câmara Brasileira do Livro (CBL), por meio de seu Grupo Digital.

 

Do mesmo modo que sua atuação ajudou o setor editorial a assimilar e usufruir os benefícios e oportunidades da impressão de títulos sob demanda, a entidade está mobilizada no caso do e-book. O intercâmbio de informações com os mercados mais avançados, promoção de estudos, debates, análise de experiências bem-sucedidas, palestras e a defesa intransigente dos direitos de todos contribuirão para que o livro digital seja mais um meio para o sucesso de nossa meta de converter o Brasil num país de leitores.    

 

Rosely Boschini é presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL)

 

 

LEI OBRIGA INSTALAÇÃO DE BIBLIOTECAS NAS ESCOLAS

 

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a proposta da ex-deputada federal Esther Grossi (PT-RS), para que toda escola pública ou privada tenha, obrigatoriamente, uma biblioteca. O projeto, anteriormente aprovado pela Comissão de Educação e Cultura, determina que cada biblioteca tenha pelo menos quatro livros por aluno matriculado.

 
Apresentado há seis anos, o projeto está em linha com as diretrizes traçadas pelo Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), no melhor aproveitamento dos espaços educacionais, a exemplo do que ocorre em outros países. Nos EUA, por exemplo, a proposta da Associação Americana de Bibliotecas é de 10 livros por aluno em cada biblioteca, considerado um dos lugares mais propícios como ponto de difusão do interesse pela leitura.
 
Mas apenas propiciar, mesmo que por força de lei, a instalação de bibliotecas em cada escola brasileira, não é suficiente, segundo o secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura, José Castilho Marques Neto, que coordenou no ano passado a pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil. Ele acrescenta que o desafio é criar uma ampla rede nacional de amparo às bibliotecas públicas.

 
A criação de ao menos uma biblioteca pública em cada município brasileiro é uma das propostas a serem financiadas por meio de um dos projetos do Ministério da Cultura (MinC), o Fundo Pró Leitura, cujo projeto de lei será encaminhado pelo Executivo federal em breve. “Com a criação do Fundo, além de uma biblioteca em cada cidade brasileira, teremos também incentivos para estimular o hábito de leitura, essencial para incluir no mundo dos livros os atuais 73 milhões de não leitores”, diz Fabiano Santos, diretor nacional de Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura.

 

BIBLIOTECA PARQUE

 

Foi inaugurada a primeira biblioteca-parque do Brasil em Manguinhos, na capital fluminense.

 

O projeto é baseado na experiência colombiana de Medellín, que investe na construção de equipamentos culturais como forma de promover inclusão social. A Biblioteca-Parque de Manguinhos ocupa uma área de 3,3 mil m² do antigo Depósito de Suprimento do Exército (1º DSUP) e atenderá a 16 comunidades da Zona Norte do Rio de Janeiro, cuja população soma, aproximadamente, 100 mil habitantes.

O local foi totalmente urbanizado e transformado no lugar de maior concentração de equipamentos sociais em uma comunidade carente da cidade.

 

O complexo tem ludoteca, filmoteca, sala de leitura para portadores de deficiências visuais, acervo digital de música, cineteatro, cafeteria, acesso gratuito à internet e uma sala denominada Meu Bairro (para que a comunidade da região faça reuniões).   

 

 

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