ADAILTON MEDEIROS

 

O Brasil possui 5.565 municípios e, arredondando, somente em 440 (8%) existem salas de exibição. São, aproximadamente, 2.160 salas para 190 milhões de brasileiros e, em termos de pontos de cinema, a coisa é pior, são apenas 815.

 

A título de comparação, no país existem mais de 60 mil pontos de farmácias. Costumo dizer que se tivéssemos mais cinemas, provavelmente, teríamos menos farmácias. Cinema é sinônimo de qualidade de vida, pelo menos deveria ser tratado assim.

 

O porquê desse relato: os 4 anos de Ponto Cine. Um projeto vitorioso que pode ser uma alternativa a esse cenário, que, ainda por cima, insiste em manter os filmes brasileiros como estrangeiros no nosso país.

 

O Ponto Cine é a Primeira Sala Popular de Cinema Digital do Brasil. É a maior exibidora de filmes brasileiros em todo o território nacional, em números de títulos, de sessões e de permanência em cartaz.

 

Foi premiada pela Agência Nacional de Cinema em 2007, 2008 e 2009, com o Prêmio Adicional de Renda. Ano passado recebeu também o PAR instituído pela Secretaria de Estado da Cultura e o “Faz Diferença”, do Jornal O Globo, pelos serviços prestados de formação e democratização do acesso ao cinema brasileiro, em 2008. Hoje, proporcionalmente, tem a maior taxa de ocupação dos cinemas.

 

Porém, mais que isso, o Ponto Cine mexeu com a autoestima dos moradores de Guadalupe, subúrbio do Rio. O bairro saltou das páginas policiais para os Cadernos de Cultura dos mais importantes Jornais, revistas e TVs. O Ponto Cine provocou uma revitalização urbana no seu entorno e virou moda no comércio local, não é difícil ver um Ponto X-Lanche, Ponto Pet, Ponto Saúde e outros.

 

Como modelo de negócio, o Ponto Cine conjuga o comercial e o social. O primeiro cria condições para bancar o segundo. O segundo, o social, é condição primordial para a sustentação futura do primeiro, o comercial; pois trata, especialmente, da formação de platéia.

 

Resumindo: assim como a padaria não vende somente pão, este, em muitos casos, é o mínimo; o Ponto Cine não vende só ingressos e, sim, bilhetes, pipoca e idéias (projetos), principalmente aquelas que influenciam na qualidade de vida.

 

Em Niterói existem apenas 3.275 poltronas de cinema para quase meio milhão de habitantes. Mais precisamente um assento para cada grupo de 146 niteroienses, o equivalente a 4,5 turmas de escolas para cada lugar. Comparada com o restante do Brasil pode até se considerar uma cidade privilegiada. Porém, sofre do mesmo oligopólio promovido pelas distribuidoras americanas: em Niterói o filme brasileiro também é tratado como estrangeiro, não tem espaço em suas telas.

 

O que fazer para mudar isso? - Um Ponto Cine. Aliás, não é falta de vontade e empenho, inclusive iniciamos uma empreitada na antiga Estação dos Bondes, hoje Espaço Cultural Antônio Callado. Lá existem duas salas semi-prontas, só esperando acabamento. Espaço para cinema, livraria, biblioteca e café, mas a negociação entre o Supermercado Guanabara e o Ponto Cine foi interrompida. Havia um terceiro nessa relação, uma espécie de vilão, que pôs tudo por água abaixo.

 

Mas para nós esse filme não acabou, está só arrastado esperando uma virada. As salas estão lá, intocáveis. O coração endurecido dos proprietários do espaço não amolece. Contra nós disparam aluguéis estratosféricos. Está na hora de entrar um novo personagem nessa história: a Prefeitura, a Ancine, o BNDES ou a população.

 

Não há cenas dos próximos capítulos. Enquanto o Brasil clama por salas de cinema, Niterói está dispensando duas.

 Artigo publicado na Revista do Jornal O Fluminense, na coluna Espaço Aberto ( http://jornal.ofluminense.com.br/coluna/espaco-aberto ), sob o título "Arroz, Feijão e Cinema". Envie sua opinião, seu protesto, sua solidariedede a nossa iniciativa para os endereços redacao@ofluminense.com.br; prefeitura@niteroi.rj.gov.br; contato@culturaniteroi.com.br

 

 

PAÍS PRECISARÁ CONSTRUIR 25 BIBLIOTECAS POR DIA

PARA CUMPRIR NOVA LEI


Municípios e estados terão muito trabalho para cumprir a lei que determina que toda escola deve ter uma biblioteca. O maior desafio está nos estabelecimentos do ensino fundamental: será necessário construir 25 bibliotecas por dia até 2020, prazo limite para adequação à medida.

O diagnóstico é de um estudo realizado pelo movimento Todos pela Educação, com base em dados do Censo da Educação Básica de 2008. “Essa dificuldade é decorrente da falta de visão do Brasil sobre a importância da biblioteca. No mundo todo, as bibliotecas são doadas por mantenedores que têm uma alegria imensa de poder doar um acervo”, compara Luis Norberto, do Comitê Gestor do Todos pela Educação.

O déficit de bibliotecas no ensino fundamental é de 93 mil. Desse total, 89,7 mil são escolas públicas e 3,9 mil, estabelecimentos privados de ensino. Na educação infantil, apenas 30% dos colégios têm acervo e será necessário criar 21 bibliotecas por dia para cumprir o que determina a nova lei. A melhor situação é a do ensino médio, etapa em que o número de escolas sem biblioteca é de 3.471.

Norberto defende que, além da ação dos gestores, será necessário o envolvimento de toda a sociedade no desafio. “A lei é uma direção, mas ela não faz nada. Nós, sociedade, é que devemos fazê-la funcionar. A tarefa não é só dos gestores, imagine se cada empresário doasse um acervo para uma escola, em dois anos o problema estava resolvido”, diz.

Na comparação entre as redes de ensino, a situação é pior nos colégios municipais, que contam com menos bibliotecas do que as escolas estaduais. O estudo do Todos pela Educação chama a atenção para outro fator que pode dificultar o cumprimento da lei: faltarão profissionais qualificados para trabalhar nesses espaços.


A legislação estabelece que as bibliotecas devem ser administradas por especialistas da área – os bibliotecários. Mas, segundo levantamento da entidade, hoje há um total de 21,6 mil profissionais habilitados, enquanto o país conta com aproximadamente 200 mil escolas de educação básica.

Para Norberto, com a entrada obrigatória das crianças na educação infantil aos 4 anos, estabelecida por lei no ano passado, e a implantação das bibliotecas, os alunos vão aprender a ler mais cedo. "É uma mudança radical e positiva. Daqui a dez anos, as crianças vão estar alfabetizadas aos 8 anos, é um futuro muito melhor", afirma.

 FONTE: Amanda Cieglinski - Agência Brasil

 

UMA BIBLIOTECA CRIADA DO LIXO

 

Tudo o que pode oferecer para a educação da filha, Maria Aparecida de Souza, de 48 anos, encontrou no lixo. O trabalho com reciclagem, que garante o sustento da sua família, proporcionou a criação de uma biblioteca com mais de 200 livros didáticos.

 

Todos os exemplares foram descobertos — nos últimos seis anos — nas lixeiras de casas do bairro de Anchieta, onde Maria Aparecida mora com a filha, a estudante Brenda Helena de Souza, de 11 anos.


O amor pela literatura está presente numa das casas mais simples da comunidade Parque Esperança. No imóvel de madeira, um espaço entre o fogão e um cômodo improvisado se transformou num corredor de livros. Os exemplares são guardados por Maria Aparecida como relíquias, que servem de apoio aos estudos da filha, que completou, no ano passado, o 5° ano na Escola Municipal Paraíba, também em Anchieta. 

 FONTE: JORNAL EXTRA

 

PROFISSÃO CULTURA

 

A atividade cultural é composta por uma diversa e abrangente cadeia produtiva, com funções e especificidades próprias. Cada um desses agentes possui um papel distinto, complementar e fundamental na composição de um setor cultural rico e produtivo, que contribua para o desenvolvimento social e econômico do país.

 

Na área de produção, a cadeia inclui pesquisadores, artistas, criadores, produtores, administradores e técnicos. Em sua maioria, profissionais liberais, que têm sua própria empresa e que circulam com certa liberdade pelo mercado, mas ao mesmo tempo convivem com a insegurança do trabalho eventual.

 

Já as organizações culturais, passaram, na última década, por um processo de profissionalização surpreendente. Era raro encontramos centros culturais, fundações, organizações culturais públicas, privadas e do terceiro setor com agentes plenamente capacitados para desenvolver suas funções. Por outro lado, era raro encontrar condições favoráveis para este funcionário. Com regimes de trabalho muito informais e remuneração incompatível para o exercício de suas funções, os bons profissionais preferiam arriscar-se no mercado.

 

Outro campo em pleno desenvolvimento é o departamento de cultura e patrocínio das empresas investidoras. Impulsionadas pelas oportunidades geradas pelas leis de incentivo à cultura, elas criaram estruturas e contrataram profissionais para gerir políticas de cultura e de comunicação empresarial focadas no investimento cultural.

 

O próprio Poder Público ampliou as oportunidades de trabalho para a área da cultura. É crescente a demanda por profissionais responsáveis pela formulação e gestão de políticas culturais.

Ainda no meio acadêmico e na imprensa encontramos oportunidade de trabalho para esses profissionais, que podem atuar como críticos, curadores e pesquisadores.

 

Promover a transformação da sociedade por meio da cultura significa encadear esforços de todos esses agentes de forma a permitir a consolidação de um mercado qualificado, capaz de produzir e consumir cultura.

 

O desenvolvimento social proporcionado pela ação cultural se dá de forma espiralar, ligando todos os elementos e aumentando a base estrutural que garante a consolidação do espírito crítico da sociedade. Este processo ocorre ao mesmo tempo em que se estrutura como um mercado capaz de fornecer insumos necessários, oferecendo base sólida à sociedade e proporcionando um crescimento cíclico em progressão geométrica, com a ampliação de sua base.

  FONTE CULTURA E MERCADO - trecho do livro O Poder da Cultura

 

O HOMEM DEVE CRIAR AS OPORTUNIDADES, 
E NÃO SOMENTE ENCONTRÁ-LAS ! 
FRANCIS BACON

O IDOSO COMO AGENTE CULTURAL

JUSSARA CÂMARA

 

Em meu trabalho junto a este segmento mais envelhecido da população, vejo a necessidade de melhor aproveitar suas experiências e conhecimentos, além de ocupá-los.

 

Desde de abril 2002, quando foi aprovado pela ONU durante a Segunda Assembléia Mundial sobre Envelhecimento, o Plano de Ação Internacional já havia uma premissa de que devemos valorizar as inestimáveis qualidades das pessoas idosas e aproveitar da melhor maneira os talentos destas pessoas no trabalho em prol do desenvolvimento de países.

Este documento afirmava claramente que a velhice não é um problema, mas sim, uma conquista. A ONU chamou atenção dos governos para  envolverem seus idosos na tomada de decisões, criando oportunidades de emprego para os que desejem trabalhar.

A contratação e a colaboração dos idosos em várias ocupações importantes, só poderiam ajudar a minorar os problemas da sociedade. Assim como, ajudaria a evitar a baixa de seus rendimentos e melhorar a sua saúde.

Esta prioridade para que os idosos sejam integrados mais intensamente na vida social e econômica, evitaria também que a fase da aposentadoria, tornasse a mudança tão brusca para a inatividade e para a sensação de inutilidade, abandono e vazio.

E não há tempo a perder. A população idosa do ano 2030 já nasceu. Eles representarão uma parte da população total do planeta muito maior do que já tenha acontecido antes.

Por que não aproveitar a experiência de antigos professores, que se aposentaram? Já que muitos deles se aposentaram no auge de sua capacidade intelectual? Esta pessoa tem mais tempo até para se dedicar a alunos, quando estes têm problemas nos estudos.

Pode-se pensar em abrir espaços para que os aposentados atuais, ainda  jovens e que queiram participar da vida, possam continuar transmitindo conhecimento ou ajudando jovens em seus estudos.

Fora isso, o empregado mais velho não falta, é menos negligente, tem mais garra, dedicação e mesmo, mais satisfação, até porque alguém lhe deu uma oportunidade. E muitas vezes, como já é aposentado, aceita um salário um pouco mais baixo, funções menores com excelentes resultados. Ele já não quer fazer carreira, apenas ter um emprego, que o ocupe e onde possa mostrar suas habilidades. Que tal a sociedade pensar nisso?

 

 ARCA DAS LETRAS ABRE 8.000 BIBLIOTECAS RURAIS

Além de abrir novos assentamentos de agricultura familiar ou regularizar a questão fundiária no território nacional, o Ministério do Desenvolvimento Agrário é um semeador de livros e colhedor de leituras.

O órgão se preparar para comemorar, nas próximas semanas, sua bibliotequinha de número 8.000, desde 2003. É tudo muito simples, mas funciona. Uns arrumam os livros, outros o mobiliário e, em pouco tempo, moradores de comunidades quilombolas, indígenas ou assentados já começam a ler mais.
FONTE: BLOG DO GALENO

TRABALHADORES DE FÁBRICAS TERÃO “MINIBIBLIOTECAS”

 Projeto inédito, em parceria com o Ministério da Cultura e a Prefeitura de Diadema, implantará Pontos de Leitura, levando  livros e mediadores de leitura a 10 indústrias da região e beneficiando mais de 20 mil pessoas. Cidade receberá investimento de R$ 1,3 milhão do Programa Mais Cultura. 

 

O projeto “Ponto de Leitura nas Fábricas” é uma iniciativa inédita, em parceria com o Ministério da Cultura e a Prefeitura de Diadema. Foram investidos R$ 200 mil para a instalação dos Pontos de Leitura. Dez indústrias de Diadema receberam os Pontos de Leitura - – espécie de “minibibliotecas”, em que o acesso ao livro é direto, em estantes baixas, com pufs onde o funcionário pode sentar e apreciar a obra, além de levá-la para casa.

 

Outros R$ 1,13 milhão serão anunciados amanhã para a modernização de 11 bibliotecas, a criação de 11 Cines Mais Cultura e a seleção e formação de 50 agentes de leitura.

 

Os investimentos fazem parte de convênios entre o Programa Mais Cultura e o município, que receberá os recursos do Ministério da Cultura – R$ 908 mil – e terá de dar uma contrapartida de R$ 227 mil.           

 

É a primeira vez que os Pontos de Leitura – já são 514 em todo o país – chegam a fábricas. Cada Ponto de Leitura é composto por um acervo com 650 obras - exemplares de literatura brasileira, estrangeira, infantil e juvenil, DVD’s, enciclopédias, entre outros – computador e impressora.

 

A proposta é que os trabalhadores das indústrias se sintam estimulados a ler no ambiente de trabalho, proporcionando momentos de prazer, fruição e aprendizado. Além de oferecer o acesso direto aos livros, o projeto Pontos de Leitura nas Fábricas  prevê ainda agentes de leitura que vão desenvolver atividades que estimulem o funcionário a interagir com o livro e o mundo literário. O projeto conta com o apoio dos sindicatos dos Metalúrgicos do ABC, dos Químicos e Construção Civil.

 

Com a adesão inicial destas primeiras empresas será possível atingir de imediato cerca de cinco mil trabalhadores. Como a proposta prevê a extensão do acesso do acervo também aos familiares dos trabalhadores, a estimativa é que este número possa chegar a mais de 20 mil pessoas.

 

         

A BIBLIOTECA DIGITAL MUNDIAL DA UNESCO


Já está disponível na Internet, através do síte  www.wdl.org.  Reúne mapas, textos, fotos, gravações e filmes de todos os tempos e explica em sete idiomas as jóias e relíquias culturais de todas as bibliotecas do planeta.

 

A Biblioteca Digital Mundial - BDM não oferecerá documentos correntes , a não ser "com valor de património, que permitirão apreciar e conhecer melhor as culturas do mundo em idiomas diferentes: árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português. Mas há documentos em linha em mais de 50 idiomas". Entre os documentos mais antigos há alguns códices precolombianos, graças à contribuição do México, além dos primeiros mapas da América, desenhados por Diego Gutiérrez para o rei de Espanha em 1562", explicou Abid, coordenador do projeto realizado pela UNESCO e outras 32 instituições.

 

Os tesouros incluem ainda o Hyakumanto darani , um documento em japonês publicado no ano 764 e considerado o primeiro texto impresso da história; um relato dos azetecas que constitui a primeira menção do Menino Jesus no Novo Mundo; trabalhos de cientistas árabes desvendando o mistério da álgebra; ossos utilizados como oráculos e esteiras chinesas; a Bíblia de Gutenberg; antigas fotos latino-americanas da Biblioteca Nacional do Brasil e a célebre Bíblia do Diabo, do século XIII, da Biblioteca Nacional da Suécia

 

FÁCIL DE NAVEGAR

Cada jóia da cultura universal aparece acompanhada de uma breve explicação do seu conteúdo e seu significado. . Os documentos foram escaneados e incorporados no seu idioma original, mas as explicações aparecem em sete línguas, entre elas o português.

 
A biblioteca começa com 1200 documentos, mas foi pensada para receber um número ilimitado de textos, gravados, mapas, fotografias e ilustrações.

Como se acessa o site global.


Quando se faz o clique sobre o endereço www.wdl.org , tem-se a sensação de tocar com as mãos a história universal do conhecimento. Permite ao internauta orientar a sua busca por épocas, zonas geográficas, tipo de documento e instituição. O sistema propõe as explicações em sete idiomas (árabe, chinês, inglês, francês, russo,espanhol e português).

 

Os documentos, por sua parte, foram escaneados na sua língua original. Desse modo, é possível, por exemplo, estudar em detalhe o Evangelho de São Mateus traduzido em aleutiano pelo missionário russo Ioann Veniamiov, em 1840.



 

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