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ALERTA : ALIMENTOS CONTAMINADOS

 

A população recebeu um alerta sobre a contaminação de agrotóxicos nos alimentos que estão sendo vendidos nos supermercados. A declaração foi dada pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, durante o lançamento da sétima edição do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA). O ministro explicou que o estudo não indica que todos os produtos estão contaminados, variando entre os estados e as amostras.

 

O estudo feito pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) revelou que, de 17 culturas analisadas, entre frutas, verduras e legumes, em 1.173 amostras coletadas, 15,29% estavam irregulares quanto aos resíduos de agrotóxicos.  “O governo, profissionais de saúde pública e entidades médicas chamam a atenção da sociedade para a necessidade de mudança do padrão alimentar. Comer menos gordura e aumentar a quantidade de frutas, legumes e verduras. É importante, no entanto, que esse conjunto de alimentos seja seguro para o consumo”, afirmou o ministro.

 

O pimentão foi o alimento que apresentou o maior índice de irregularidades, com 64% das amostras contento resíduos de agrotóxicos. O fruto é seguido pelo morango, cenoura e uva que possuem índices de irregularidades superiores a 30%. (Confira a pesquisa completa no www.anvisa.gov.br) 

 

Os resultados insatisfatórios são divididos em duas categorias: resíduos que excederam os limites máximos estabelecidos em legislação ou agrotóxicos não autorizados para aquele determinado alimento.

 

Como medidas para reduzir o impacto na saúde do consumidor, o ministro recomendou que, antes do consumo, os alimentos sejam lavados e as folhas externas retiradas. Também enfatizou que os produtos de época contêm menos resíduos de agrotóxicos e aqueles certificados, como os orgânicos e indicação de origem, são alternativas mais seguras para a população.

 

 

COMBATE

Agenor Álvares, diretor da ANVISA, informou que a Polícia Federal e o Ministério da Agricultura serão informados sobre a descoberta de alimentos contaminados por agrotóxicos proibidos no país. Segundo ele, há uma ação conjunta entre os ministérios da Agricultura, Meio Ambiente e da Saúde para adequar os defensivos agrícolas às necessidades econômicas de produção, às questões ambientais e à segurança da população.

 

Entre 2002 e 2006, foram proibidos 5 ingredientes ativos (benomil, heptacloro, monocrotofós, lindano e pentaclorofenol) e mais de 6 tiveram restrição de uso (IAs captana, folpete, carbendazim, clorpirifós, metamidofós, entre outros)

 

O trabalho de reavaliação de agrotóxicos utilizados no país, em 2008, foi marcado por longa batalha judicial contra liminares favoráveis às empresas, que impediam a avaliação de seus produtos. “Ao final ano, a Anvisa derrubou as liminares e manteve o direito de dar continuidade ao seu trabalho”, disse o diretor. 

 

Tabela 1 – Resultados insatisfatórios (%)*

Cultura

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

Alface**

8,64

6,67

14

46,45

28,68

40,00

19,80**

Banana

6,53

2,22

3,59

3,65

N

4,32

1,03

Batata

22,20

8,65

1,79

0

0

1,36

2,00

Cenoura

0

0

19,54

11,30

N

9,93

30,39

Laranja

1,41

0

4,91

4,70

0

6,04

14,85

Mamão

19,50

37,56

2,50

0

N

17,21

17,31

Maçã

4,04

3,67

4,96

3,07

5,33

2,90

3,92

Morango

46,03

54,55

39,07

N

37,68

43,62

36,05

Tomate

26,10

0

7,36

4,38

2,01

44,72

18,27

Abacaxi

 

 

 

 

 

 

9,47

Arroz

 

 

 

 

 

 

4,41

Cebola

 

 

 

 

 

 

2,91

Feijão

 

 

 

 

 

 

2,92

Manga

 

 

 

 

 

 

0,99

Pimentão

 

 

 

 

 

 

64,36

Repolho

 

 

 

 

 

 

8,82

Uva

 

 

 

 

 

 

31,68

 

N = Análises não realizadas.

* Os resultados referem-se aos estados: AC, BA, DF, ES, GO, MG, MS, PA, PE, PR, RJ, RS, SC, SE, TO.

** Grupo químico ditiocarbamato não analisado na cultura da alface em 2008.

 

FONTE: Renato Strauss, da Agência Saúde

 

ANVISA REAVALIA RISCOS DOS AGROTÓXICOS

 

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) está reavaliando os riscos de 13 substâncias usadas em agrotóxicos. A Anvisa retomou o processo de análise depois de uma paralisação, causada por ações judiciais por parte de fabricantes e representantes do setor.
 

 Agora a previsão é de que até junho estas avaliações estejam concluídas. A reavaliação dos agrotóxicos acontece quando há alguma mudança em relação aos riscos para a saúde, em comparação ao que foi avaliado quando a substância conseguiu o registro.

A Anvisa alerta para a produção no Brasil, e também importação, de agrotóxicos que já são proibidos em vários países. O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo.O posto, que antes era ocupado pelos Estados Unidos, foi assumido pelo País em 2008.

FONTE: Valéria Bellafronte (CGN) e Agência Brasil

 

INFORMAÇÃO NUTRICIONAL ERRADA EM ALGUNS RÓTULOS

 

Nutrientes relacionados à obesidade, como a gordura saturada, são os que mais apresentam inconformidade em relação às quantidades alegadas em rótulos de alimentos industrializados amplamente consumidos por crianças e adolescentes. Esse resultado foi apontado por pesquisa realizada na cidade de São Paulo que avaliou a fidedignidade de tabelas nutricionais de embalagens de salgadinhos, biscoitos recheados e bombons, somando 153 produtos e 84 marcas. O bombom é o doce com maior frequência de erro de valor nutricional: apenas um quarto das amostras apresentou quantidade de gordura total condizente com o previsto pelo fabricante (ainda foi concedida tolerância de 20% na quantidade, para mais ou para menos).

 

O trabalho foi realizado por Cássia Lobanto (do Instituto Adolfo Lutz, Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo) em parceria com nutricionistas da Faculdade de Saúde Pública, da Universidade de São Paulo, entre 2001 e 2005. Aguardando publicação na próxima edição da Revista de Saúde Pública, o estudo ressalta que “a veracidade das informações apresentadas pelo rótulo nutricional em alimentos deve ser garantida para que essa ferramenta cumpra o objetivo de auxiliar o consumidor em suas escolhas e aos profissionais de saúde, na orientação para a composição da dieta”. A escolha dos produtos foi feita em função do elevado consumo por crianças e adolescentes.

 

Entretanto, os resultados das análises físico-químicas em laboratório não foram otimistas. Todas as amostras analisadas apresentaram alguma inconformidade de dado nutricional declarado na rotulagem do alimento. Além disso, segundo a pesquisa, todos os produtos estudados apresentaram elevado valor energético (quilocalorias), quantidade de gorduras e de sódio. O único nutriente que não ultrapassou os limites da recomendação diária de consumo, ironicamente, foi a fibra, que pode ser consumida em quantidades maiores. A exceção para esse nutriente ficou por conta dos pacotinhos de amendoim.

 

Ainda conforme o trabalho, nenhuma amostra de produtos salgados foi aprovada quanto ao conteúdo de fibras alimentares, sódio e de gorduras saturadas. Os salgadinhos de milho, por exemplo, foram apontados com a maior discrepância em relação às informações da embalagem: 69% das amostras erraram para o teor de fibra alimentar, 72% para o de sódio, 85% para gorduras totais e 41% para gorduras saturadas.

   

Dentre as amostras de produtos doces, mais da metade dos biscoitos recheados foram condenados quanto à quantidade de gorduras saturadas. Não foi analisado o teor de gordura trans das amostras.

 

Segundo as autoras da pesquisa, os resultados encontrados corroboram os de outros estudos que mostram que, apesar do avanço na legislação sobre rotulagem de alimentos, os dados disponíveis nas embalagens de produtos comercializados no Brasil apresentam inconformidades. “O presente estudo foi o primeiro que avaliou a conformidade de rótulos de alimentos como biscoitos, salgadinhos e chocolates, produtos destinados e consumidos por crianças e adolescentes, preferencialmente”, afirmam no texto.

 

Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)

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