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O MUNDO DO WHISKY NA DOSE CERTA

 

whisky

 

“O whisky é o melhor amigo do homem, ele é o cachorro engarrafado”

 

Se estivesse vivo, o grande Vinícius de Morais veria sua frase ser ampla e divertidamente comprovada por Milton Pires.

 

Em seu livro, O Mundo do Whisky – na dose certa, que está sendo lançado no Brasil pela editora Novas Idéias, Milton nos apresenta muito mais do que uma referência para conhecedores ou um guia introdutório para os leigos.

 

O que emerge de seu trabalho é a impressionante experiência contida em cada barril, em cada garrafa, em cada copo de whisky. O melhor amigo do homem, para Vinícius, surge então com toda a sua dimensão humana, expressão da vida de famílias inteiras, de povos, de regiões.

 

Entrelaçando a história do Whisky com a história da Escócia, da Irlanda, da Europa, dos Estados Unidos e mesmo do Japão, Milton construiu um relato que informa, ensina e emociona.

 

Assim descobrimos que, de acordo com a primeira menção em documento oficial da Escócia, o whisky surgiu em um mosteiro no ano de 1494, quando foram vendidos oito bolls de malte (antiga medida escocesa, correspondente a aproximadamente 1.500 garrafas), ao frade beneditino John Cor, da abadia de Lindores.

 

No entanto, só em 1823 foi criada uma lei regulamentando a fabricação da bebida, o que levou a um enfrentamento sangrento entre fiscais ou coletores, como eram conhecidos os encarregados da repressão ao whisky, e os destiladores clandestinos que, àquela altura, dominavam o mercado.

 

Pastores de igrejas ofereciam espaços de armazenamento debaixo dos púlpitos e o whisky ilícito, para fugir da fiscalização do governo, era transportado até mesmo em caixões funerários.

 

Ou seja, o estabelecimento de um mercado controlado de whisky e as alterações nas características de sua produção foram um reflexo da imposição da autoridade do Estado e o rompimento com seculares tradições do campo, onde a iniciativa da produção totalmente desregulamentada e livre constituía o modo de vida tradicional.

 

A evolução das características de produção da bebida - logo da variedade de seus sabores, ingredientes e cores – aparece então como parte integrante do cotidiano dos cidadãos europeus ao longo dos séculos, parte das rusgas e transformações que moldaram a cultura ocidental moderna.

 

Através da passagem do whisky de um produto puramente artesanal para uma enorme indústria mundial, vemos a mudança de costumes, de paisagens, de expectativas, a relação entre os países do Reino Unido, as curiosidades e coincidências, enfim, que fizeram a reputação dessa que é considerada por muitos a mais charmosa de todas as bebidas.

 

Uma curiosidade entre as várias descritas, aliás, chama atenção para os fatos, aparentemente aleatórios, que alteram o curso da história: O whisky só se tornou preferência britânica devido a um parasita que, a partir de 1863 e até 1879, praticamente dizimou os vinhedos europeus.

 

Com isso, os destilados mais populares à época, o brandy e o conhaque, praticamente desapareceram, fazendo com que o scotch se tornasse a bebida mais popular nas transações do comércio exterior.

 

Mas não está só no passado a riqueza cultural que o whisky contém, pelo contrário.

 

O Whisky, para Milton, é, hoje, expressão do aroma de um lugar, da textura do solo, do mar, das montanhas, da limpidez das águas, fatores que dão à bebida o seu verdadeiro caráter e sabor.

 

Ele mostra, como se nos conduzisse em uma suntuosa viagem, o mar da Ilha de Islay penetrando em barris armazenados a beira de praias ou encostas rochosas e a eles dando pungente gosto iodado.

 

Ou nos apresenta à importância da turfa, material de origem vegetal, resultado da decomposição, por milhares de anos, de árvores e arbustos das florestas, e que traz para o whisky o sabor da terra, o sabor da vida.

 

Ou ainda, que a água é o componente mais importante na fabricação do whisky, levando-nos em um passeio pelas mais límpidas fontes escocesas.

 

Assim, quando descreve as  diferentes qualidades do  whisky, o single malt, o single grain, o blended malt, o blanded grain e o blended scotch, dá a um preciso detalhamento técnico, tom marcadamente sensorial.

 

E o prazer de diferenciar a sensação gerada por cada um deles é exposta com a mesma vivacidade e com deliciosa minúcia, em um desenho que reproduz os efeitos sentidos em cada parte da língua ao se ingerir um gole da bebida.

 

O que se percebe, página após página, é, inequivocamente, o deleite do viajante, que em qualquer esquina se depara com uma surpresa, com uma revelação.

 

O Mundo do Whisky  - na dose certa, de Milton Pires é da Editora Novas Idéias, tem 160 páginas e custa R$ 56,00

 

 

 

UMA VIAGEM PELOS PRINCIPAIS VINHEDOS DO MUNDO

 

vinhos

  

Um grande vinho tem alma. Ele não pode desenvolver-se antes do ponto ideal entre a inteligência e a persistência do homem, seu saber e sua experiência, o potencial de um território e a magnífica variedade de todas as fases de sua produção.

 

 “Para fazer um grande vinho”, segundo o poeta Jean Orizet, “é preciso ser um louco para cultivar a vinha, um sábio para dominá-la, um artista lúcido para fazer o vinho e um apaixonado para bebê-lo”.

 

No mais recente lançamento da Editora Larousse do Brasil, “Vinhos do mundo” o leitor terá a oportunidade de acompanhar Sylvie Girard,  jornalista e autora de mais de sessenta livros sobre gastronomia, em uma viagem enológica por quase todos os vinhedos mundiais: da Europa à Oceania, passando pela África, Américas, Oriente Médio e Ásia.

 

Durante esta viagem, a autora propõe a descoberta, ou redescoberta, das regiões vinícolas de uma forma leve e agradável. Curiosidades pontuais, garrafas, rótulos e fotos de paisagens constroem um panorama abrangente do mundo dos vinhos, no qual domaines mais célebres, como Romanée-Conti ou Niebaum Coppola, figuram lado a lado com outros bem menos conhecidos, mas igualmente importantes, para a alegria de todos os apreciadores.

 

“Vinhos do mundo” abre com Champagne e esclarece ao leitor a dúvida – afinal, a bebida é um vinho ou um método? Segundo Sylvie, ambos. Pois o verdadeiro champagne só é conseguido pela combinação de vinho de qualidade e método de transformação.

 

Sua história associa a correta exploração de condições naturais um tanto ingratas e a habilidade das poderosas casas de champagne. Foi na Inglaterra que se adotou o hábito de colocar em garrafas os vinhos instáveis entregues em barris, o que provocava uma segunda fermentação e a dissolução do gás carbônico no vinho: nascia assim o vinho efervescente. Se não foi Dom Perignon, monge beneditino da abadia de Hautvillers, no século XVII, quem inventou a champanhização, ele ao menos aprimorou o procedimento e, sobretudo aperfeiçoou as misturas, uma das regras de ouro do champagne – conta a autora.

 

“Vinhos do mundo” é ricamente ilustrado e se destina tanto a iniciantes quanto a conhecedores de vinhos.

 

Vinhos do mundo, Editora: Larousse do Brasil, de Sylvie Girard, traduzido por Claudia Benages Alcântara, tem 159 páginas e custa R$ 99,00

 

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