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O BRASILEIRO E SUA MANIA DE RODÍZIOS

Alguns já são velhos conhecidos: rodízio de carnes, de pizzas, de sorvetes... Outros são criações mais recentes, como os de comida japonesa, o de foundies e o de petiscos, criado pelos cariocas. Em um grande centro, como São Paulo, é possível encontrar até algumas opções mais incomuns, como o rodízio de comida kasher.

-“Em comum, todos se apresentam como ofertas atraentes para os olhos e para o bolso, pois por uma quantia razoável, você, literalmente, come tudo o que puder. E nada pode ser mais prejudicial à saúde do que comer em excesso, apenas supondo que os trinta reais do rodízio foram bem empregados”, defende a endocrinologista Ellen Simone Paiva, diretora do Citen, Centro Integrado de Terapia Nutricional.

RODÍZIO OU À LA CARTE?

Quando uma das perguntas mais fundamentais da vida moderna pega você sentado à mesa de um restaurante japonês, não há dúvida. Quase ninguém é capaz de trocar o “coma-o-quanto-quiser” pelas porções de seis rolinhos, mesmo sabendo que, no rodízio, os sushis são preparados de forma tão mecânica que desapontariam qualquer sushiman que se preze...

“Quando a refeição termina, você devorou algo perto de 350 gramas de carboidratos, 80 gramas de proteína, 50 gramas de gordura e mais de 2.000 calorias. Um total energético muitas vezes superior à recomendação de um dia inteiro”, alerta a nutricionista do Citen, Amanda Epifânio.

Além do preço barato, a variedade de itens é sempre um grande atrativo em um restaurante que serve rodízios.  A possibilidade de provar um pouco de cada sabor, de tudo que for oferecido, independente da qualidade, gera um consumo alimentar que vai muito além dos conceitos de fome e saciedade.  “Nessa modalidade de serviço, os alimentos são servidos em pequenas porções e com intervalos de tempo programados, entre uma porção e outra. Essa prática favorece o consumo excessivo, uma vez que não há a identificação visual do total de alimentos servidos. Em geral, uma pessoa que consumiria três fatias de pizzas em pizzarias tradicionais, é capaz de consumir mais de 10 fatias num rodízio”, afirma a nutricionista.

Comer pequenas porções de vários alimentos, em um curto espaço de tempo, gera um comportamento alimentar inadequado, onde as pessoas passam a comer por impulso e não mais por fome e continuam a comer até sentirem-se mal. “Quase sempre o mal estar gástrico é o responsável pela interrupção do consumo alimentar e não a saciedade,  que seria o processo natural do corpo humano. Num rodízio, as pessoas deixam de sentir saciedade ou passam a senti-la só quando comem em grande volume, resultando em um óbvio aumento de peso”, alerta a endocrinologista Ellen Paiva.


CALORIAS ALÉM DO RECOMENDADO

“Somado ao consumo excessivo de alimentos, ao desequilíbrio entre fome e saciedade, está o total calórico consumido. Mesmo em um restaurante onde encontramos comidas mais saudáveis -  como em rodízios de comida japonesa - o total de calorias ingeridas pode ser assustador, por exemplo: 10 unidades de sushi de salmão + 10 unidades de sushi de atum + 5 fatias de sashimi de salmão + 2 temakis + 6 unidades de rot holl equivalem a 1800 calorias, sem considerar o molho de soja, utilizado como tempero.

Num rodízio de pizzas, 10 fatias finas e sem bordas podem chegar a 2000 calorias. Em churrascarias, meio quilo de picanha é equivalente a 1500 calorias”, informa a nutricionista Amanda Epifânio.

“Em um restaurante à la carte, um prato com bife à parmegiana acompanhado de arroz e fritas somam 900 calorias. Esse é um prato muito calórico, mas em geral, todos sabem disso. O que não sabem é que comer em rodízios de restaurantes japoneses pode ser muito mais ameaçador à boa forma e à saúde. É claro que no japonês tem o salmão, rico em ômega-3, uma gordura com efeitos inquestionáveis quanto à proteção cardiovascular, mas se essa gordura tão boa contribuir para o ganho de peso, deixa de exercer seu efeito protetor”, defende Amanda.

É POSSÍVEL MODERAR NUM RODÍZIO?

Quem está sempre preocupado com a forma física e vive fazendo dieta, muitas vezes, escolhe comer em restaurantes de rodízio simplesmente para poder “comer de tudo livremente”. 

É importante que se saiba que essa é uma prática perfeitamente possível, mas sempre vamos esbarrar na questão da quantidade. Controlar o quanto comer ou parar de comer tendo à disposição diversos alimentos saborosos na mesa do restaurante é o nosso maior desafio”, diz a endocrinologista Ellen Paiva. “Podemos sempre comer de tudo, mas nunca comer de tudo ao mesmo tempo. Esses são conceitos diferentes”, diz a médica.

“Nos rodízios, podemos provar de diversas preparações, o segredo é comer pequenas porções e vagarosamente, apreciando o sabor de cada preparação. Sempre que possível, devemos adicionar alimentos ricos em fibras - legumes, verduras e cereais integrais – aos pratos do rodízio, para contribuir para a melhor percepção da saciedade”, defende a nutricionista do Citen, Amanda Epifânio.

“Quando comer menos for impossível e você não conseguir evitar a orgia alimentar, a única saída possível é a restrição na escolha desse tipo de restaurante, dando preferência a restaurantes por quilo ou à la carte. Nesses casos, é sempre mais seguro escolher um único prato, pois ele será sempre menos calórico que um rodízio”, defende a nutricionista.

CITEN - Centro Integrado de Terapia Nutricional www.citen.com.br

POR QUE AS PROTEÍNAS ATIVAM O CÉREBRO E OS CARBOIDRATOS NOS DEIXAM MAIS LENTOS?
SYLVANA BRAGA

Os alimentos têm efeitos sobre as funções cerebrais, podendo estimulá-las ou acalmá-las. Assim, o estado de alerta, o grau de energia e a qualidade da memória podem ser determinados pela alimentação. Da mesma forma, estados como depressão, agressividade, ansiedade e letargia podem estar associados ao que se ingere.

Deficiências de certos nutrientes, mesmo que pequenas, podem favorecer a lentidão das ondas cerebrais. Os alimentos ajudam a produzir neurotransmissores cerebrais como serotonina, dopamina e norepinefrina. Alimentos portadores de triptofano produzem serotonina e os que contêm tirosina evoluem para dopamina, os quais ativam o cérebro determinando rapidez de ação.

Os carboidratos favorecem a lentidão cerebral e as proteínas estimulam a condução nervosa do cérebro. A gordura, por exemplo, também é calmante, pois demora muito a ser digerida. Já os vegetais folhosos são neutros, que não estimulam nem deprimem o cérebro.

Mas existem algumas exceções destes tipos de grupos alimentares. O carboidrato, por exemplo, age no cérebro de pacientes com TPM, depressão sazonal e ex-fumantes.

Para aumentar a vivacidade cerebral, nada melhor do que as proteínas extraídas de frutos do mar, leite desnatado, peito de peru, peixes, carnes brancas e carnes vermelhas magras. Um acréscimo de 10% de ingestão de proteína na dieta diária impede a produção de serotonina, indutor do sono.

Outra ótima fonte energizante para o cérebro é o café. A cafeína acopla-se aos receptores cerebrais substituindo a adenosina e ainda reduz a fadiga e melhora o desempenho cerebral, garantindo reações mais rápidas e melhora na concentração.  Por isso, basta um cafezinho para manter o cérebro em estado de alerta. O ideal é consumir por dia até duas xícaras de café ou ingerir outros alimentos que contém cafeína, como chás, chocolates e refrigerantes.

O mineral boro, presente nas nozes, amendoim, maçãs, pêras, pêssegos, uvas e no brócolis, é um dos responsáveis por impedir o estado de depressão. Na ausência do boro surgem ondas cerebrais lentas. Quando se introduz o boro, as ondas se normalizam.

EIS O CARDÁPIO IDEAL PARA GARANTIR A VIVACIDADE CEREBRAL:

CAFÉ DA MANHÃ: Leite desnatado, Frutas, Iogurte, Café, chá ou chocolate ovos mexidos

ALMOÇO: Atum, Frutos do Mar, Frango, Rosbife, Ovos Cozidos, Queijo Branco, Peito de Peru

LANCHE: Maçã, Pêra, Pêssego, Uva

JANTAR: Salmão, Frutas, Brócolis, Peixe grelhado

Dra. Sylvana Braga é Médica ortomolecular, nutrologista, reumatologista e fisiatra.


DIETA MEDITERRÂNEA PODE AJUDAR

A PREVENIR MELANOMA CUTÂNEO

Estudo italiano publicado na edição de outubro do periódico científico Internacional Journal of Epidemiology concluiu que ingerir semanalmente mariscos e peixes ricos em ácidos graxos n-3 , tomar chá todos os dias e ter um alto consumo de vegetais pode ajudar a prevenir o melanoma cutâneo, um tipo de câncer que tem origem nas células produtoras de pigmento da pele (melanócitos), em geral em áreas expostas ao sol, e que se dissemina rapidamente para outras partes do corpo.

De acordo com o texto, a pesquisa teve como objetivo analisar a relação entre o consumo de alimentos da chamada dieta mediterrânea e o melanoma cutâneo, e seus resultados sugerem que alguns fatores dietéticos presentes na dieta podem oferecer proteção para este tipo de câncer. Além dos já citados, a pesquisa destaca, em particular, a ingestão de cenoura, vegetais crucíferos (como brócolis, repolho, couve e couve-flor) e folhosos e frutas, sobretudo as cítricas.

Realizado por pesquisadores da unidade de epidemiologia clínica do Instituto Dermopatico dell’Immacolata, em Roma, o estudo foi conduzido em um hospital na mesma cidade e incluiu 304 casos incidentes de melanoma cutâneo e 305 controles (indivíduos sem o quadro), pareados aos casos. Nesse sentido, foram coletadas informações sobre características sócio-demográficas, história médica, tabagismo e dieta de todos os participantes. Além disso, o estudo deu atenção especial ao nível de exposição ao sol e às características de pigmentação dos participantes na análise dos dados recolhidos.

Segundo os autores, estudos anteriores já haviam investigado a dieta enquanto um fator de risco para o câncer, mas nenhum havia incluído este tipo especificamente.“Ele é geralmente fatal, tornando o conhecimento sobre a prevenção extremamente importante”, afirmam.

Agência Notisa (jornalismo científico - science journalism)

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