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OS MAIORES

Aqui você vai ler assuntos de várias áreas voltados ao envelhecimento, ligados ao que está acontecendo ou ao que devemos estar atentos.
Falamos também dos idosos.
Descubra porque eles são os Maiores.

ADMIRÁVEL MUNDO VELHO

 

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  O jornalista Alberto Villas lançou Admirável mundo velho. Um livro de histórias e “causos” de personagens que, devido a alguma situação cotidiana utilizaram expressões como “tô frito”, “ele tem um parafuso a menos”, “ela tomou um chá de cadeira” e “ele trabalha com cérebro eletrônico”.

 “Hoje você está com a macaca” e “Ficou a ver navios” são expressões comuns em outras décadas que caíram em desuso ou foram substituídas por outros termos.

 

Por exemplo, “tirar nota vermelha no boletim” é uma frase rara de ouvir, já que as professoras não escrevem mais à mão com tinta vermelha as médias abaixo de cinco na carteirinha escolar.

 

Não que ninguém mais use as expressões, é bem capaz de o avô às vezes falar “vá pentear macaco” e o neto não compreender.

 

Alberto com o humor que é comum aos seus livros, o autor narra de maneira divertida às circunstâncias em quê as expressões foram utilizadas. Para cada frase um conto. Jayme Ovalle é lembrando no capítulo “não estou mais em idade de sustentar marmanjo” e o primeiro parágrafo já deixa o leitor curioso: descreve a paixão do compositor e poeta por uma manequim de loja.

 

O autor, em diversos capítulos, relembra sua infância em Belo Horizonte e em “vou receber meu ordenado”, cita o pai e a família para explicar como o “salário” era chamado. Já a irmã é lembrada no capítulo “essa é a raspa do tacho”.

Das batidas de palmas, o “ô de casa” da época em que não existia a campainha, da mania de todos quererem que as pessoas escrevessem com a mão direita - naquele tempo ser canhoto era considerado uma doença - até as lembranças da professora que alfabetizou Tom Jobim e Sérgio Cabral, Villas cria uma espécie de dicionário onde os verbetes são contos de um passado não muito distante, pois está presente na linguagem daqueles que se divertiram com as expressões do Admirável mundo velho.

Como diz o jornalista, Fabio Altman, que assina a orelha do livro, “Ouso dizer que os livros dele inauguram uma nova modalidade na literatura brasileira o “memoralismo lúdico” porque lembrar é como brincar. Generoso, e põe generosidade aqui, ele abre 100 expressões do fundo do baú de sua prodigiosa memória”.

 

Alberto Villas venceu em 1970 o Concurso de Contos do Estado do Paraná. Formado em Paris, onde viveu por seis anos, colaborou com quase todos os jornais alternativos da época. Hoje é editor do Fantástico e autor de O Mundo Acabou, também lançado pela Editora Globo.


VIVER MAIS É SIMPLES

Duas pesquisas realizadas na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e publicadas na revista da Associação Americana de Psicologia, relacionam a saúde mental e emocional às chances de viver mais.

Em uma delas, os pesquisadores analisaram dados de 600 moradores da cidade de Ohio, todos, com no mínimo, 50 anos, que participavam de um estudo sobre envelhecimento e aposentadoria há 23 anos. A conclusão chegada é de que aqueles que têm menos medo de envelhecer podem viver nada menos do que 7,6 anos mais do que aqueles, que fogem das rugas e mentem a idade a todo custo.

Na outra pesquisa foi constatado que, os homens com mais de 65 anos felizes no casamento e que são considerados como fonte de força emocional pelas mulheres, também podem viver quatro anos a mais.


UMA QUESTÃO PESSOAL

JUSSARA CÂMARA

Quando o assunto é envelhecer de maneira saudável temos que ter como lema: mente sã em corpo são.

Mas isso, não é nada fácil para ser praticado. Diariamente, recebemos uma carga maciça, mostrando o culto à juventude, com rostos sem rugas, corpos sarados, sem nenhuma imperfeição, principalmente em relação a nós, mulheres.

Este culto que aos poucos incutimos, vai extrapolando todos os limites, a ponto de que quando não se é mais jovem e linda, encontramos grandes dificuldades para namorar e conseguir trabalho. E o pior, algumas mulheres já se mostram tão resignadas, que nem tentam mais, porque acham que não vão conseguir mesmo.

No entanto, a nossa relação com a idade e o tempo é confusa desde os primórdios. Quando somos crianças queremos crescer logo e o tempo parece não passar. Na adolescência, pensamos em ser adultas, conquistar o nosso espaço, fazer de tudo rapidamente e o tempo é pouco.

Já na idade adulta, com um lar constituído ou solteiras independentes e conscientes, aí sim, os anos passam voando e começamos a questionar as marcas que o tempo vai nos deixando...

Envelhecer na verdade, é uma questão natural e depende apenas da nossa atitude diante da vida. Perceber as mudanças que sofremos e ter capacidade de assumi-las é fundamental, assim como, cuidar-se é necessário. O que temos que parar é de lutar contra o envelhecimento, porque não adianta. Esta é uma guerra perdida, para quem ainda não sabe.

O ideal é que pudéssemos saber conviver com nossas escolhas de vida, com  o que nos faz bem e desprezar o que não acrescenta nada e pelo contrário, até prejudica de sermos felizes. Aí sim, acredito que nossa mente melhoraria muito e o corpo acompanharia esta “felicidade”.

Vamos começar a apregoar as vantagens das nossas idades internamente e publicamente, porque em volta, tem muita gente igual a nós e que não conseguem admitir. Está na hora de mostrar as vantagens dos 40, 50, 60, 70 anos e assim por diante, principalmente quando se tem tanta coisa para fazer ainda, independente das marcas do tempo.


NO MEU TEMPO

VICENTE LEITÃO DA ROCHA

nomeutempoNós nascemos antes da penicilina, da vacina Sabin, antes da comida congelada, da fralda descartável, das lentes de contato, do Modess, do OB, da pílula anticoncepcional, do viagra, das creches, do estresse e do lexotan.

Nascemos antes do plástico, do radar, do xerox, do motor a jato, do videocassete, do computador, do telefone celular, do raio laser. Nós nascemos antes dos cartões de crédito, das canetas esferográficas, das lavadoras de roupa, das máquinas de lavar pratos, dos cobertores elétricos, do freezer e do microondas.

Antigamente a lua era somente conhecida pelos poetas, pelos namorados, seresteiros e habitada por São Jorge. Não haviam parabólicas, tvs a cabo, NETs, Xuxas. Sachas e Angélicas não existiam. Ratinho era parceiro do Jararaca, fazia humor saudável e tocava saxofone.

Nós nascemos antes dos direitos dos "gays", dos homens de brinquinho, da mulher com dupla jornada de trabalho, antes das produções independentes , dos bebês de proveta, dos filhos de berçários, de terapia de grupo, das SPAS, dos FLATS e dos carros a álcool. Carequinha nos ensinava que "o bom menino não faz xixi na cama" e mamãe nos embalava cantando " boi da cara preta".

Quando fazíamos travessuras ela nos metia medo dizendo que "o bicho papão ia nos pegar". Aos domingos nos reuníamos no almoço da casa da vovó. Vovô, sentado à cabeceira da mesa, nos dizia tudo com um simples olhar.

No nosso tempo tínhamos medo da sífilis, da tuberculose e da gonorréia. A AIDS não existia e desconfiávamos que homossexualismo era coisa de francês. Acho que éramos mais escorregadios, pois, para nascermos, bastava uma ajudazinha da parteira ou da curiosa.

As dores de dente eram aliviadas com "cera do Dr. Lostosa"; para fraqueza mamãe nos dava "Emulsão de Scott" ou "Óleo de Fígado de Bacalhau". Bronquite era curada com "Rum Cresotado" lembrado nos bondes: "Veja ilustre passageiro...". Nós casávamos primeiro e só depois morávamos juntos.

Como éramos estranhos... Nunca ouvimos falar de inputs, cdroms, multimídia, fax-modem, fibra ótica e vídeo games. Jogávamos pião, bilboquê, diabolô, bolas de gude, soltávamos pipa e apanhávamos balões.

Brincávamos de comidinha, casinha, pique-esconde, roda, passaraio, garafão, bandeira, calçadinha é minha e bento que bento é o frade. Que mundo era o nosso...

Antigamente os homens fumavam cigarros, "erva" era usada para fazer chá. "Coca" era refrigerante, "Pó" era sujeira nos móveis, "Sangria" era para evitar colapso. "Lambada" era chicotada, "Malhar" coisa de ferreiro, "Fio dental", servia para higiene bucal e "Embalos" faziam as crianças dormirem.

E nós éramos felizes e não sabíamos. Nossos ídolos eram " A Pequena Notável", "O Caboclinho Querido", "O Rei da Voz" e " O Cantor da Multidões". As emoções dos FLAXFLUS vinham por conta dos choros e da gaitinha do Ary.

Novelas? Nada de Selvas de Pedra ou Torres de Babel. Vivíamos toda semana as emoções de "Em Busca da Felicidade". Nos encantava a voz de Paulo Gracindo e Ismênia dos Santos. Ficávamos temerosos quando alguém dizia com voz grave: "Ninguém sabe o mal que se esconde nos corações humanos". O Sombra sabe.

Nós fomos a última geração, a tal ponto ingênua, que pensávamos que era preciso um marido para se ter um bebê. Não é de se espantar que às vezes fiquemos confusos e que tamanha seja a lacuna entre as gerações.

Mas, apesar de tudo, nós vivemos o ontem, vivemos intensamente o hoje e sonhamos com um belo amanhã, apesar de toda e qualquer invenção que a inteligência humana possa criar.

Quer saber por que? Que segredo guarda essa velha geração no fundo de seu coração. É que ela tem dentro de si uma força imensa que não é invenção dos homens, nem privilégio dos novos tempos. O AMOR, A CRENÇA EM NÓS E UMA FÉ INQUEBRANTÁVEL EM DEUS.

Prof.Vicente Rocha, é professor de educação física, coronel do exército e tem 75 anos.E- Mail: vlrocha@terra.com.br

 

 

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