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OS MAIORES

 

Aqui você vai ler assuntos de várias áreas voltados ao envelhecimento, ligados ao que está acontecendo ou ao que devemos estar atentos. Falamos também dos idosos. Descubra porque eles são os Maiores.

 

NÃO SÃO AS IDÉIAS QUE GERAM PROBLEMAS,

MAS SÃO ESTAS QUE CRIAM AS SOLUÇÕES.

JOSÉ OLIVEIRA RIBAS.

É DIFÍCIL SER IDOSO NO BRASIL
JUSSARA CÂMARA


"Nós, da Terceira Idade, somos considerados um peso para a sociedade e a família". Infelizmente esta afirmação, de muitos que estão nesta faixa etária, representa uma realidade.

A tecnologia tem relegado o ser humano a um segundo plano, piorando este conceito com relação aos mais velhos, pois de acordo com o critério de produtividade, muitos têm sido descartados do mercado de trabalho, por serem considerados "pouco rentáveis" ao modelo sócio-econômico implantado.

A fim de não serem discriminados, muitos adultos maduros disfarçam-se de pessoas mais jovens do que são. Esta é uma maneira de se negar a velhice, ou melhor, desvalorizá-la.

Se levamos em conta que o Brasil está envelhecendo cada vez mais rápido, isto é no mínimo, um contra-senso por parte do governo, da sociedade e até das próprias famílias negando a existência daqueles que ultrapassaram os 60 anos.

Os dados referentes ao envelhecimento da população brasileira (crescimento do número de idosos em relação ao mais jovens ) evidenciam que até o ano 2025 o contingente de idosos no Brasil será 10 vezes maior do que aquele que se verificava em 1981, enquanto que a população total terá aumentado apenas 5 vezes, o que situará o Brasil como o sexto país do mundo, com esta faixa etária..

O que estamos esperando para respeitá-los como pessoas e cidadãos? É preciso mudar os preconceitos sobre o envelhecimento- fase de vida inexorável para qualquer um - valorizando o idoso e aumentando sua auto-estima. Reavaliando sua participação no mercado de trabalho, na sociedade e na família, a fim de não marginalizá-los.

Projetos assistenciais devem ser construídos a fim de estimular a convivência entre gerações. A velhice é um tempo de vida em que a pessoa conserva sua dignidade, valores éticos e lembranças, devendo ser repassado à família e à sociedade.

É necessário que se crie políticas de saúde que melhorem a sua qualidade de vida. O ideal para o nosso idoso é que ele pudesse ter também maiores opções de lazer e estudo, que o tornasse mais participante e mantivesse sua autonomia.

 

Vamos lutar para que o idoso não se sinta como um peso social. Ao contrário, seja respeitado. Podemos começar, mudando atitudes dentro de casa e através do voto consciente.

 

SÓ NÃO FICA VELHO QUEM MORRE CEDO

SYLVIA ROMANO


Na vida só existem duas certezas: a primeira é que tudo muda a cada instante e, a outra, é que a morte é inexorável, mais cedo ou mais tarde todos vamos morrer.

 

Nascemos, passamos pela infância, adolescência, juventude, nos tornamos adultos, tentamos a todo o custo nos manter jovens, mas, se não morremos cedo, ficamos velhos infelizmente e, depois, acabamos morrendo mesmo. A vida é a grande aventura de todo o ser humano. A partir do momento em que tomamos consciência, começamos a sonhar muito e a realizar uma pequena parte destes sonhos. Até que chega um dia que começamos a parar de fantasiar e descobrimos que estamos velhos.

 

Mas a velhice não é o problema, e sim os idosos, que vão ficando chatos, egoístas e solitários. Com o passar dos anos, na grande maioria dos casos, esses defeitos vão se agravando e acabam deixando-os dementes ou gagás, como se dizia antigamente. Filhos — os que os tiveram — não têm paciência, tempo e nem condições financeiras para manter seus pais.

 

A nossa expectativa de vida vem aumentando dia a dia e, provavelmente muito em breve, teremos uma imensa população de senhores, o que deverá ser um grande entrave para a sociedade e, principalmente, para eles próprios pois, além dos seus rotineiros problemas de saúde, haverá a questão financeira, a solidão e sua conseqüente depressão.

 

O ser humano acha que nunca será idoso um dia. Algumas pessoas, mesmo octogenárias, dizem que velhos são aqueles que têm 20 anos a mais do que elas. Porém, não há saída. Os recursos atuais da medicina aliados a uma vida mais saudável podem até nos manter produtivos em todos os sentidos por um longo tempo, mas mesmo assim, chegará o dia em que estaremos velhos e teremos de parar.

 

E o que fazer para que o último período da existência seja um pouco mais prazeroso, seguro e produtivo? Acho que, em primeiro lugar, devemos ter a consciência de que velhos ficaremos sim um dia, pois a juventude não é eterna. Depois, buscarmos meios para tornar a nossa velhice independente financeiramente, lembrando que não podemos confiar nem no Estado — vide hoje o baixo nível das aposentadorias oficiais, excluindo-se os funcionários públicos —, e muito menos na aposentadoria privada — basta ver o caso da Aerus da Varig e de várias outras empresas que deixaram seus participantes a “ver navios”, como dizia vovó. Outro fator muito importante nessa fase da vida é tentar nos interessar por coisas que poderemos “curtir”, como dizem os jovens, quando a melhor idade chegar. Seja um esporte, seja um hobby, como jardinagem, criar cachorros, enfim, qualquer coisa que venha nos dar um grande prazer.

 

É preciso parar de achar que no “seu tempo” tudo era melhor e começar a aceitar o novo, pois ele sempre vem, e se for encarado sem preconceito, rancor ou inveja, todo idoso será sempre bem-recebido, querido e inserido no contexto, vivendo o momento atual do mundo, com toda a sabedoria acumulada de uma existência. Infelizmente, só os inteligentes conseguem perceber isso e aproveitar cada etapa da vida, especialmente a última, pois nesta o importante passa a ser viver bem o hoje, sem o incerto compromisso com o futuro e todas as dúvidas e inseguranças que ele carrega.

 

Sylvia Romano é advogada trabalhista, responsável pelo Sylvia Romano Consultores Associados, em São Paulo. 

 

APOSENTADOS E INFLAÇÃO

MILTON DALLARI


Se já não é uma fácil missão aos jovens trabalhadores sobreviver nesse país, aos que já passaram dos 60 anos a tarefa fica ainda mais árdua. E onerosa. Um dado recente comprova tal afirmação. A inflação entre a população idosa, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), subiu 2,65% no segundo trimestre desse ano, a maior taxa desde março de 2003, quando o índice teve alta de 5,28%.

 

Os dados, divulgados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), são preocupantes. Ainda segundo a instituição, os idosos sentiram mais a inflação do que os demais, já que o índice que os englobam superou o Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-BR), que mede a inflação no varejo em todas as faixas etárias, e que ficou em 2,38% no mesmo período.

 

Pessoas mais otimistas poderiam dizer que a informação econômica é pontual e isolada, mas a análise de um período maior mostra que a vida de nossos idosos brasileiros está realmente ficando cada vez mais cara. Nos últimos 12 meses, o índice da terceira idade registrou alta de 6,36%, enquanto a taxa para a média da população subiu 5,96%. No ano, a inflação dos idosos está em 4,05%, também superior aos 3,84% apurados no IPC-BR.

 

A justificativa que se dá para a alta é que a mesma tenha sido motivada principalmente pela elevação mais intensa dos preços dos alimentos, que registraram alta de 5,71% no segundo trimestre. Como boa parte da renda do idoso é destinada a alimentação, essa turma sofreu mais – e sofre - os efeitos inflacionários. Somente no pão francês, o aumento no período foi de 18,06%. É necessário reforçar que o acréscimo expressivo do valor não se refere a produtos supérfluos, mas do alimento mais básico a que se pode ter.

 

Habitação, vestuário e cuidados pessoais, além de serviços de saúde ( médicos, laboratórios clínicos, hospitais e medicamentos) - setores onde a terceira idade também é muito participativa - igualmente inflacionaram, contribuindo, assim, para o ônus às pessoas que compõem essa faixa etária. O último dessa lista, aliás, com forte influência.

 

Tal segmento pesa muito na cesta de consumo dos idosos. E os preços não param de subir. Para esse ano, o reajuste autorizado pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) varia de 2,52% a 4,61% para os medicamentos. Mas, apenas no segundo trimestre, a alta no preço de medicamentos foi de 3,33%, medidos pelo IPC-3i.

 

A inflação é o sinal de alerta para a economia de qualquer país. Aos países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, a atenção deve ser redobrada.

 

Incentivar um consumo consciente e tentar evitar – já que não há como se proibir – o aumento descabido dos preços faz parte das obrigações do governo. Aos consumidores, é necessária muita calma antes de consumir qualquer item. Pesquisar bastante os preços antes de definir o local da compra pode ser uma saída interessante para fugir dos efeitos da alta da inflação. E aos idosos, mais do que nunca, além da pesquisa, muita torcida para que dias melhores possam voltar.

 

Milton Dallari é diretor administrativo e financeiro do Sebrae-SP e conselheiro da Associação dos Aposentados da Fundação Cesp.

 

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