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Aqui você vai ler assuntos de várias áreas voltados ao envelhecimento, ligados ao que está acontecendo ou ao que devemos estar atentos. Falamos também dos idosos. Descubra porque eles são os Maiores.

AOS NOSSOS AMIGOS

O site www.idademaior.com.br foi reformulado: temos agora novos parceiros e se juntou à nossa equipe, Leila Assad, que cuida do seu visual.

Divulgaremos mais assuntos sobre o envelhecimento em seus diversos aspectos. Queremos preencher um espaço sócio-cultural: dar valor ao envelhecer, ao idoso.  Nesta edição falamos da Pobreza e os idosos; As doenças no frio, a representatividade dos Avós, já que 26 de julho é dia deles e no Espaço Maior tem artigos variados de colaboradores que valem ser lidos.

A grande preocupação realmente da sociedade, do estado e da família é com a criança e o adolescente, eles representam o futuro. Enquanto que para muitos, o idoso é um fardo, representa o passado, o que já era. E precisa ser descartado.

Enquanto pensarmos assim, estaremos acabando com uma parte de nossa vida extremamente importante: a da experiência, da sabedoria. A parte da memória: a origem de cada um e sua história de vida.

O respeito pelo mais velho deve começar em casa. Não existe obrigação para isso. É um direito que se adquire pela prática e em via de mão dupla:  o idoso que quiser ser respeitado, deve respeitar também. Se quiser ser acarinhado, deve ter dado também afeto e amor aos que lhe cercam. Isso é o que penso.

Eu sei que é difícil envelhecer neste país. Luto por esta bandeira há 8 anos e por seus representantes. Não porque sou boazinha, luto em causa própria. Porque como dizia o meu querido poeta Mario Quintana, envelhecer é ótimo porque a outra opção é pior.

Pediria então, que lessem os artigos desta revista virtual; caso não concordem com algum, me escrevam e eu publico a sua opinião. Mas, caso achem que faz sentido, concordem, divulguem, passem adiante e igualmente, me enviem sua opinião, que também será publicada.

Jussara Câmara, editora do site jussara@idademaior.com.br


"BOM MESMO É IR À LUTA COM DETERMINAÇÃO,
ABRAÇAR A VIDA E VIVER COM PAIXÃO,
PERDER COM CLASSE E VIVER COM OUSADIA.
POIS O TRIUNFO PERTENCE A QUEM SE ATREVE
"
CHARLES CHAPLIN

UM NOVO OLHAR SOBRE
O ENVELHECIMENTO

CRISTIANE DE PAULA FELIPE

Apesar de diversos avanços, como a recente aprovação em 2003 do “Estatuto do Idoso”, o envelhecimento ainda é visto com conotação negativa por uma parcela significativa da nossa sociedade. Em um mundo regido pelo bombardeio da publicidade voltada para o novo, que estabelece padrões quase obrigatórios de beleza e comportamento, nos quais tudo deve parecer jovem e exuberante, não é de se estranhar a existência desse preconceito.

O homem sempre buscou formas de prolongar a juventude. A finitude das coisas e a fugacidade da vida é tema recorrente na obra de nossos maiores poetas. Todos desejamos a manutenção da nossa plenitude física e mental. E não há nada de errado nessa busca. O equívoco está em desconsiderar o envelhecer como parte inexorável de nossa condição humana.

Entender o processo de envelhecimento é a melhor maneira para convivermos e aceitarmos esse aspecto natural da vida. Afinal, envelhecemos desde o nosso primeiro choro na maternidade.

O conceito de envelhecimento saudável, formulado há alguns anos por estudiosos do assunto, supõe a interação da saúde física e mental integrada a um bom convívio social e familiar, além da independência econômica e de locomoção para a vida prática. Pessoas precisam se sentir sadias e ativas enquanto envelhecem. Por esta concepção, o envelhecimento passa a ser visto como um prolongamento da vida útil e também como pressuposto para mudanças de atitudes, seja em qual idade estivermos.

A prática de atividade física de forma regular, o acesso à cultura, a preocupação com a espiritualidade, além do monitoramento médico freqüente, são alguns dos fatores que contribuem para a melhoria da qualidade de vida e, conseqüentemente, para um envelhecimento mais saudável.

O governo, apesar da lentidão costumeira em apresentar políticas públicas, tem se mostrado sensível à questão do idoso e muitas de suas ações já contemplam o paradigma acima. Entidades como o Sesc, a USP e a Unifesp desenvolvem excelentes trabalhos embasados neste novo conceito. Na tentativa de oferecer opções interessantes e com resultados efetivos, também a iniciativa privada se movimenta, com a criação de uma nova alternativa para esse público, baseada em aprendizados obtidos com países já acostumadas, há décadas, a fazer um trabalho com os idosos, como Cuba e Espanha.

Não é asilo, não é casa de repouso e nem traz algum traço comum a esses dois modelos, pois trata o idoso como um ser ativo, consciente de suas capacidades, ganhos e perdas, além de apto a concretizar novos sonhos.

As estatísticas apontam que, em 12 anos, mais de 15% da população brasileira já terá mais de 60 anos, ultrapassando os 25% até o meio deste século. Não dá mais para varrermos o problema para debaixo do tapete. Afinal, todos chegaremos a essa fase. Por que não atingi-la de forma saudável e livre de preconceitos?

Cristiane de Paula Felipe, psicóloga com especialização em Gerontologia pela Unifesp, é coordenadora do Age Seniors Center

 CRESCIMENTO DA PESSOA IDOSA ATIVA
GERA FENÔMENO DA "DESAPOSENTAÇÃO" 

MELISSA FOLDMANN

De acordo com projeções da Organização Mundial de Saúde (OMS), até 2025 a população de idosos no Brasil crescerá 16 vezes contra cinco vezes a população total, o que nos dará a colocação de 6.º país com maior população idosa.

Mas será que esse crescimento irá colocar o Brasil no ranking de país com maior número de aposentados? Se depender da "desaposentação", a população de idosos economicamente ativos continuará crescendo em todo país, especialmente nos centros urbanos.

A aposentadoria, garantida pelo art.7.º, XXIV, da Constituição Federal é uma prestação por excelência da Previdência Social que assegura a subsistência da pessoa e daqueles que dele dependem. Ocorre que vem crescendo no Brasil o número de pessoas que renunciam ao direito de se aposentar, apesar de já terem o tempo de contribuição suficiente.

"A renúncia à aposentadoria possibilita à pessoa um benefício melhor remunerado no mesmo, ou em outro, regime previdenciário. Isso acontece pela continuidade laborativa do segurado aposentado que, em virtude das contribuições vertidas após a aposentadoria, pretende obter novo benefício em condições melhores, em função do novo tempo contributivo", explica Dr.ª Melissa Folmann, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário .

É importante ressaltar que, embora muitos pensem que idosos são economicamente inativos e não contribuem para o crescimento econômico, 62,4% dos idosos e 37,6% das idosas são chefes de família, somando 8,9 milhões de pessoas; 54,5% dos idosos chefes de família sustentam seus filhos, segundo o Censo de 2000.

A pesquisa mostrou na época que cerca de 20% dos idosos aposentados continuam trabalhando, sendo 28,9%, homens, e 11,5%, mulheres. Essas contribuições chegam a 4,5% dos postos de trabalho de todo país, no qual 6,3% têm mais de 60 anos, e ainda 40% trabalham por conta própria.

Melissa Folmann é presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), professora, Mestre em Direito Econômico e Social, já escreveu inúmeros artigos e livros, com destaque: "Direito Previdenciário: temas atuais (coord.)" (Juruá Editora), "Tributação e direitos fundamentais" (coord.) (Juruá Editora).

O IDOSO E A CHAVE DO COFRE
FLORIANO SERRA

Semana passada recebi de um amigo um e-mail do qual transcrevo parte:
"Quando caminho no parque tenho o costume de dar bom dia ou boa tarde a todos os que cruzam a minha rota, pois vou sempre na contra mão - um hábito que adquiri de sempre fazer assim o mesmo caminho todos os dias. E foi num dia destes que dei um Bom Dia a um idoso que vinha cabisbaixo. Creio que ele não esperava o cumprimento. Surpreso, ele sorriu. Fiquei pensando: que estória de vida estaria por trás daquele rosto velho e enrugado? Quantas lembranças lhe vinham a mente naquele instante? Outro dia assisti a uma peça, onde um personagem diz:" O velho não é visto pela sociedade. Os olhares transpassam sua figura, como se ele não estivesse ali..."". Depois de ler o e-mail do meu amigo, eu é que fiquei pensando...

Nos dias atuais, uma criança de 10 anos já tem um razoável estoque de conhecimentos e experiências. Todos os processos educacionais das escolinhas infantis já incluem passeios, excursões, visitas a cinemas, teatros, museus - além das festividades, dos cursinhos introdutórios de idiomas, de natação, de artes marciais. Acho isso muito bom, porque dá à criança um cabedal de conhecimentos que extrapola o meramente teórico e lúdico. Na verdade, prepara a criança para ser mais capaz e competitiva, como pede e espera a nossa sociedade.

Aos 20 anos, essa experiência já terá se ampliado consideravelmente. A criança, agora pós-adolescente, já viaja sozinha, freqüenta festas de aniversários de amigos, vai a baladas e casas noturnas, já ampliou seu círculo de amizades, já sabe (ainda que não use ou pratique) o que é cigarro, bebida, carro e certamente também já conhece as várias nuances do sexo. Pois, claro, já tem namorada ou está curtindo a onda do "ficar". E se ainda não está trabalhando, estará certamente ampliando seus conhecimentos e habilidades freqüentando colégios, faculdades ou entidades profissionalizantes.

Aos 30 anos, aquela criança já terá concluído sua formação técnica ou acadêmica, passou por vários empregos, já teve muitas experiências pessoais e profissionais, já foi ao exterior tanto em viagens de férias, como de negócios e de estudos. Virou "gente grande".

Aos 40 já terá casado, será pai ou mãe, já possui uma sólida carreira, e muito provavelmente será um profissional competitivo pelas suas competências, habilidades e conhecimentos adquiridos e desenvolvidos ao longo de todo esse tempo. Terá colecionado alguns troféus.

Aos 50 será, finalmente, uma pessoa madura. Quanta vivência, quantos momentos de vida enriquecedores - talvez nem todos alegres e harmoniosos, mas sempre com alguma lição absorvida e agregada à maturidade.


Aos 60 anos a experiência dessa pessoa será inigualável. Terá conhecido o sucesso e o fracasso; o acerto e o erro; a verdade e a mentira; a alegria e a dor; os risos e as lágrimas; a conquista e a rejeição. Terá filhos adultos, terá netos. Terá tido perdas e ganhos, mas terá, sobretudo vivido com intensidade a mágica da existência humana.

Aos 70 anos será um sábio. Será uma fonte de ensinamentos. Um manancial de conhecimentos. Um pós-graduado em paciência. Um doutor em compreensão. um mestre com MBA da vida - competências que nenhuma instituição de ensino pública ou privada, nacional ou estrangeira poderá substituir.

O único ponto esquisito nesta história toda é que, hoje, depois de tantos anos de lutas e vivências, depois dessa longa epopéia existencial, esse sábio é um anônimo e a sociedade não lhe dá o menor espaço para ocupar seu próprio espaço, um direito adquirido ao longo da vida. Inclusive no mercado de trabalho, grande parte das empresas dão mostras diárias de considerá-lo um inútil. Ou seja, de forma absurda e revoltante, aquele sábio foi transformado em um ser ignorado, transparente ou invisível, únicas explicações para a ausência de olhares e cumprimentos, para a absoluta indiferença diante de sua presença. É o único ser vivo que consegue ser um ausente mesmo estando presente.

Pela solidão, acentuada nas noites insones, o sábio estará vulnerável. E por estar vulnerável, estará frágil, sofrendo com o descaso, com o desrespeito e a indignidade com a qual é obrigado a conviver.

O que grande parte das pessoas parece não saber é que neurônios não envelhecem. Assim como a liberdade, que uma vez conquistada, não se abre mais mão dela, assim também é a memória, as lembranças, o aprendizado, as experiências. Não tem como voltar atrás, como regredir. Está tudo lá, guardadinho num cofre mágico da mente do sábio. Basta alguém dar uma volta na chave que abre esse cofre. E isso é tão simples...

Essa chave se chama "oportunidade".

O idoso não quer pena, nem compaixão. Quer a mesmíssima coisa que todos nós, crianças, jovens e adultos também queremos: atenção, carinho, respeito e uma chance que seja de demonstrar a capacidade de ser útil e produtivo.

Lamento muito por aqueles que se recusam a ter esse gesto de justiça e dignidade e dar o primeiro passo para abrir aquele cofre. Espero que lembrem que o tempo é implacável e não tem a menor discriminação: chega para todos. Portanto, também chegará amanhã para os insensíveis de hoje.

Certamente, aquele meu amigo que caminhava pelo parque e cumprimentou o idoso que cruzou a sua rota e obteve em troca um sorriso, deu uma volta na chave. Ele fez a parte dele, como já tem feito e continuará fazendo. Que Deus o abençoe.

Mas são tantos os cofres...São tantas as lágrimas escondidas...São tantas as depressões, melancolias e solidão...Para atender a essa demanda, há que se pensar numa pacífica revolução amorosa e de respeito ao idoso - e alguém tem que dar o primeiro passo e abrir aqueles cofres que guardam tesouros de conhecimentos e experiências.

Ao invés de fechar as portas para candidatos com mais de 35, 40 anos de idade, as empresas deveriam dar aquele passo inicial. Claro, nós sabemos que as corporações têm cofres que consideram muito mais valiosos para guardar e proteger do que aqueles aos quais me refiro.
Esse cofre corporativo pode até valer mais na ciranda financeira, na apologia dos egos e no desfile de poderes.

 

Mas eu não tenho a menor dúvida de que esses ricos e blindados cofres perdem de goleada quando os valores em jogo são a sensibilidade, a fraternidade, o reconhecimento, o amor e o respeito ao ser humano.

Se estes valores de nada valem para uma sociedade, o que vale então?

Floriano Serra é psicólogo, Diretor de Recursos Humanos e Qualidade de Vida da APSEN Farmacêutica e presidente do IPAT -Instituto Paulista de Análise Transacional.

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