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SEMPRE ALERTA, EM PROL DE UM MUNDO MELHOR

JUSSARA CÂMARA

 

“Quando se fala em presidente da União dos Escoteiros do Brasil (UEB) se imagina um homem e jovem”. Quem me chamou atenção para isso foi a própria presidente da regional Rio da UEB, Lúcia Marques Cordeiro de Mello, a primeira mulher neste cargo e que tem 68 anos.

 

O escotismo  fundado por Robert Baden-Powell em 1907 é um movimento educacional mundial, que prioriza a fraternidade, a lealdade, a responsabilidade, o respeito e a disciplina como valores importantíssimos na formação do jovem. No entanto, a tarefa de comandar jovens através da prática do trabalho em equipe e da vida ao ar livre, num mundo tão violento e sem regras como o de hoje em dia, não deve ser fácil.

 

 - Realmente, as crianças estão mais soltas, sem limites, elas precisam de disciplina, sem castração, comenta Lúcia. Até mesmo, para escolher os lugares onde acampar é mais difícil, nos cercamos de todas as garantias de seguranças  e ligadas a saúde. E mesmo estando longe da família em alguns feriados ou fins de semana, eles adoram esta convivência com a natureza e as tarefas que tem que cumprir, conclui.

 

 

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As crianças e adolescentes, de ambos os sexos, que queiram ingressar no escotismo, são separados por idade, e inicialmente entram no ramo de Lobinhos (7 aos 10 anos)  e através de canções e brincadeiras, eles aprendem a se socializar e a respeitar o próximo. O lema do lobinho é “Melhor Possível”.

 

A seguir vem o ramo dos Escoteiros (11 aos 14 anos) que partem para a aventura, excursionando e acampando. Aqui o método utilizado é “aprender fazendo”. Dentre outros princípios, eles desenvolvem o espírito de lide rança, trabalho em equipe, cidadania e respeito à natureza.

Aprendem noções de primeiros socorros, segurança e sobrevivência, além de nós e amarras.

 

Já no ramo Sêniores (15 aos 18 anos) o programa educativo dá ênfase ao processo de autoconhecimento, aceitação e aprimoramento das características pessoais, ajudando o jovem a superar seus “desafios” nas seguintes fases da vida: o físico, o intelectual, o espiritual e o social.

 

O último é o Pioneiro (18 aos 21 anos), com foco no serviço ao próximo através de projetos comunitários. Todo adulto pode participar, seja ativamente, atuando como voluntário, mesmo sem ter sido escoteiro enquanto jovem, já que são oferecidos cursos de capacitação específicos e periódicos para desempenharem melhor suas funções. O lema de escoteiros é “Sempre Alerta”.


Lúcia Cordeiro de Mello teve o primeiro contato com a educação em escotismo, aos 32 anos, ao acompanhar a primogênita Lídia, então com 10 anos, a partir daí se interessou. “O escotismo não substitui a família e a escola, apenas acrescenta, dando um suporte na formação da criança e do jovem”, explica.

 

  

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Formada inicialmente na Universidade Rural em técnica agrònoma, casou aos 21 anos com um militar, teve 3 filhos e morou em diversas cidades brasileiras. Aos 30 anos resolveu voltar a estudar, desta vez, pensando em ter uma profissão que lhe desse prazer.

 

Determinada e bem exigente consigo mesma, Lúcia não se deu ao direito

de ser a segunda. Mesmo cuidando dos filhos pequenos, foi a primeira da turma de fonoaudiologia e não satisfeita, complementou o curso com psicologia, tendo trabalhos seus publicados na Argentina.

 

Foi esta sua firmeza que fez com que durante os Jogos Pan-Americanos Rio 2007, os escoteiros tivessem destacada atuação. Em momentos importantes do evento como o hasteamento de bandeiras e a guarda de honra a delegações e a atletas no pódio das competições, os jovens escoteiros marcaram presença, não só pelos seus serviços, mas pela primeira vez, vestidos com seus uniformes. Exigência de D. Lúcia.

 

O civismo, tão importante na formação dos jovens, faz parte das tarefas dos escoteiros. Toda reunião começa com o hasteamento da bandeira e a oração de agradecimento a Deus. Importante: não há uma religião a ser seguida pelos escoteiros. Cada um é incentivado a seguir no que acredita.

 

“Estes conselhos básicos dados aos escoteiros, entre eles, o de ser otimista, faz com que eu acredite que o escotismo torna o mundo um pouco melhor”, finaliza.

 

O Escotismo é um movimento de educação não-formal, sem fins lucrativos, que possui 28 milhões de membros em 216 países. Cerca de 70 mil estão no Brasil e 5 mil no Rio de Janeiro. O Dia dos Escoteiros é comemorado em 23 de abril, dia de S. Jorge, padroeiro destes jovens.

 

Para maiores informações acesse http://www.escoteiros.org.br/rj

 

 

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