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E O PALHAÇO, O QUE É?
É LADRÃO DE MULHÉ!

 

MESTRE PIOLIM

Seu pai Galdino Pinto, circense brasileiro, nasceu no interior do estado de São Paulo, de pais fazendeiros. Estudou na cidade de Rezende no Rio de Janeiro, e foi nesta cidade, durante um espetáculo circense que assistiu, que se apaixonou por uma atriz. O resultado é que acabou por ir embora com o circo, tornando-se mais tarde ele próprio um homem de circo. Tornou-se proprietário do Circo Americano, onde teve início sua dinastia.

 A dinastia Galdino Pinto tem como seu membro mais ilustre seu filho Abelardo Pinto, o famoso Palhaço Piolim. Nascido em Ribeirão Preto, no estado de São Paulo em 27 de março de 1897.

 Abelardo Pinto viveu sua infância dentro do circo, envolvido nas mais diferentes atividades. Seu treinamento teve início desde muito cedo, e aprendeu as modalidades de ciclista, saltador, casaca de ferro, acrobata e contorcionista, tendo se destacado nesta última enquanto criança.

 Aos oitos anos de idade apresentava-se no circo de seu pai como “o menor contorcionista do mundo”. Mesmo obtendo sucesso, o menino Abelardo não gostava de suas exibições, como revela mais tarde em seu depoimento ao Museu da Imagem  e do Som: “Com oito anos fazia um contorcionismo primário, que só criança pode fazer”.

 Em entrevista dada ao Jornal Folha de São Paulo em 1957, diz:

“Não fui como os outros meninos, que entravam no circo por baixo do pano. Nasci dentro dele e levava uma vida que causava inveja aos outros garotos. Eu, do meu lado, tinha inveja deles. Eles tinham uma casa, tinham seus brinquedos comuns e podiam ir diariamente à escola. Eu começava a freqüentar um colégio e o circo se transferia. Lá ficava eu sem escola”.*

Revela ainda ao mesmo jornal que seu sonho era ser engenheiro, queria construir casas, pontes, estradas e castelos. Construiu apenas castelos de sonhos de muita gente. “Sou, de qualquer maneira, um engenheiro e estou feliz com isso.”

O circo Americano estava sem seu principal numero: o palhaço havia ido embora. Então. O Sr. Galdino Pinto foi a São Paulo com o intuito de tentar conseguir um substituto. O filho Abelardo, diante dessa situação, resolveu assumir a profissão de palhaço e sobre essa decisão revela mais tarde – “Pensei: se ele fez, eu também posso fazer palhaçadas”

 A partir deste momento, o Circo Americano adquire um artista que seria, mais tarde, aclamado como “O Imperador do Riso”.

 O “Palhaço Piolim” – apelido dado por uns artistas espanhóis que, ao verem o pequeno trabalhador Abelardo, diziam que ele parecia um “piolim” (barbante muito fino) – surgiu em 1918.

 Uma outra versão da história, contada pelo Jornal Folha de São Paulo, diz que o apelido foi devido a um favor que Abelardo fez ao um cômico e músico violinista espanhol que se apresentou com ele em um espetáculo beneficente da Cruz Vermelha: a corda do violino do espanhol quebrou-se em cena e Abelardo correu para o camarim e trocou a corda quebrada, substituindo-a por uma de seu próprio violino.

 Este texto é parte integrante de um projeto de pesquisa desenvolvido em 1997 por Luiz Rodrigues Monteiro Júnior sobre a história dos palhaços brasileiros, através de Bolsa de Pesquisa do Prêmio Estímulo "Memória da Atividade Circense no Brasil", e publicado pelo DACH – Departamento de Artes e Ciências Humanas da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo

COM SEUS ROSTOS DESENHADOS COM CORES FORTES, OS PALHAÇOS SÃO LADRÕES DE MULHERES OU CRIADORES DE UM MUNDO DE SONHOS?

 Piolim, figura lendária que por mais de cinqüenta anos reinou, com maestria, no “teatro do povo”. Sua caracterização foi sempre a mesma fisionomia, os mesmos traços físicos – vivos e sublimes.

 Sua indumentária era composta de um jaquetão maior do que o seu tamanho – bem exagerado, sapatos nº 84, bico largo e sua famosa bengala, que mais parecia um “anzol de pescar submarino”.

 Piolim, emergido de seu colarinho “impossível”, com a bengala há vinte e cinco anos, pela milésima vez repetia as velhas piadas que divertiram nossa infância. “O Namoro dos Sabiás”, cena tradicional de Piolim, um intérprete genial, sucesso há meio século, conforme acervo do Jornal Folha de São Paulo.

 Piolim teve três filhos de dezesseis netos. Ele sempre dizia que ser palhaço no Brasil não era grande coisa em razão da falta de amparo.

 O grande sonho de Piolim foi criar uma escola de circo. Não conseguiu ver seu desejo concretizado. Faleceu no ano de 1973, aos 76 anos. A escola foi aberta em 1978 e levou o seu nome. Quando morreu morava em um velho camarim de madeira, com pintura, roupas, onde passava o dia todo só, recordando épocas passadas no velho circo da Freguesia do Ó, onde durante muitos anos brilhou o Circo Piolim.

HOJE TEM ESPETÁCULO?
TEM, SIM SINHÔ.
É ÀS OITO DA NOITE?
É, SIM SINHÔ.
HOJE TEM MARMELADA?
TEM, SIM SINHÔ.
HOJE TEM GOIABADA?
TEM, SIM SINHÔ.
É DE NOITE? É DE DIA?
É, SIM SINHÔ.

 Chula de palhaço anônimo.

  MEMÓRIAS CIRCENSES II

MIGUEL S. G. CHAMMAS

Os anos são da década de 50, eu ainda morava na Rua Augusta e meu amigo Zilando morava, então na Rua Bento Freitas onde “seu Freitas”, seu pai, tinha duas pensões na esquina da Rua Bento Freitas com a Rua major Sertorio. Aliás, em uma delas foram rodadas várias cenas do filme Modelo 19 estrelado pelo grande ator Jardel Filho. Assisti a várias locações.

 Eu estava diariamente na casa do Zilando nos horários de ócio, ou seja, fora dos horários de estudo. Aos domingos tínhamos programas fixos e constantes, de manhã, vestidos com as roupas domingueiras e ostentando, invariavelmente, gravatinhas borboletas por entre o colarinho das camisas, após assistirmos a missa na Igreja de N.S. da Consolação, íamos para o auditório da Rádio Cultura, na Avenida São João quase esquina com a Duque de Caxias, assistir e participar do Clube do Zezinho.

 Saindo da Rádio voltávamos para casa onde o Oswaldinho, cozinheiro negro e gay (na época Bicha), que nos tratava muito bem, fazia dois enormes e sortidos pratos de comida e a gente comia até se fartar.

 Devidamente almoçados e já paramentados desde a manhã, batíamos em caminhada para a nossa diversão vespertina, descíamos a Bento Freitas e chegávamos novamente na Avenida São João com a Avenida Duque de Caxias, onde havia uma parada de bonde.

 Aguardávamos o bonde Lapa ou o Barra Funda (de preferência o aberto que nos dava a chance de driblar o cobrador e não pagar a passagem) e nessa mordomia, viajávamos até o primeiro ponto de bonde depois da Praça Marechal Deodoro onde descíamos sempre em folguedo.

 Apeados do coletivo, nos dirigíamos poucos metros adiante onde no quadrilátero formado pelas ruas Avenida General Olimpio da Silveira, Rua Lopes de Oliveira, Rua Olímpia de Almeida Prado e Rua Tonpson, estava instalado o complexo circense de um dos maiores palhaços deste Brasil Altaneiro.

 Era o CIRCO PIOLIM, do Palhaço Piolim e seu partner o Clown Pinati.

Piolim com sua cara pintada formando uma enorme boca, seu colarinho hiper largo, suas botinas enormes e a bengala grossa e Pinati com suas roupas brilhantes e sua cara branca de alvaiade, são duas imagens que se fixaram na minha memória e até hoje consigo ver com muita facilidade.

 Foram o Piolim e o Arrelia (outro monstro do picadeiro) os culpados, diretos, de anos mais tarde eu ter criado o Filomeno que em sua caracterização tinha um pouco de cada um deles.

Os espetáculos eram divididos em duas partes, as atrações circenses do 1ª. Parte e a encenação de uma comédia em um ato na 2ª. Parte.

 Nós, empoleirados nas Gerais com um saco de pipocas em uma mão e com os bolsos cheios de amendoim, assistíamos enlevados as atrações da 1ª. Parte, embora repetidas por muitas semanas e nos maravilhávamos com a pecinha da 2ª. Parte.

 Ao final do espetáculo voltávamos para casa alegres e já sonhando com o próximo Domingo.

 Que pena que as crianças de hoje não tenham mais essas oportunidades de diversão. O desaparecimento desses espaços sagrados e o surgimento dos jogos eletrônicos são evidentes.

 Choro de tristeza pelas crianças de hoje!

MIGUEL S. G. CHAMMAS é cronista do site www.,saopaulominhacidade.com.br Autor premiado em 2o. Lugar no VIII Concurso Literário "Cleber Onias Guimarães" promovido pelo Conselho Comunitário de São Paulo com o conto"O Ponto Final";. Blogueiro há mais de 8 anos de www.prosaversochammas.blogspot.com

 

CHEIOS DE GRAÇA

No próximo dia 10 de dezembro comemora-se no Brasil o Dia do Palhaço. A data foi escolhida para homenagear o palhaço Piolim (Abelardo Pinto – 1897–1973). Para nosso orgulho, o palhaço brasileiro adquiriu características próprias e está entre os melhores do mundo.

 Pingolé, Maskarito, Buguinho, Matheus, Marquinhos, Cris, Pistolinha e Alegria são alguns dos profissionais que ajudam a transformar o picadeiro do Circo Spacial num território de sonho e alegria. Distribuídos nas duas unidades, estes palhaços encantam a platéia de forma mágica e atemporal.

Cada um tem sua história. “Buguinho”, por exemplo, tem18 anos, vem de família circense e teve como inspiração e mestre o palhaço Pingolé, seu tio. Para Buguinho o palhaço é um personagem sem limites e pode chegar a qualquer lugar.

 “Pingolé” é um ex-bancário que trocou o trabalho burocrático pelo picadeiro do Spacial e com seu talento conquistou o premio “O Melhor Palhaço do Ano 2000”.

 Já “Maskarito”, 43 anos, outro palhaço do Circo Spacial, inspirou-se em Oscarito, Mazzaropi, Grande Otelo, entre outros. Para ele o palhaço um ser eterno.

 O público poderá curtir estes incríveis palhaços e outras tantas atrações do Circo Spacial até dezembro nas duas lonas montadas: uma em São Bernardo do Campo (unidade itinerante – até 15.12) e a outra em frente ao Shopping Anália Franco (unidade fixa – até 21.12) que também dispõe de um espaço multiuso que se destina a eventos (particulares e corporativos). 

 CIRCO SPACIAL / ACADEMIA BRASILEIRA DE CIRCO

Unidade Fixa – até dia 21 de dezembro

Avenida Regente Feijó, 1.560 (em frente ao Shopping Jardim Anália Franco) - Jardim Anália Franco - São Paulo – SP - fones (11) 2076-0087 / 2076-0001 / 2076-0514. Sábados e domingos e feriados 16h, 18h00 e 20h30.
Cadeira Adulto R$ 20,00 / Cadeira meia R$ 10,00

Cadeira Frontal Adulto R$ 25,00 / Cadeira Frontal Meia R$ 12,50 / Camarote (04 lugares) R$ 100,00

Estudantes, aposentados e maiores de 60 anos (meia-entrada) / Crianças abaixo de 02 anos não pagam.

Tempo de duração – 120 minutos com 15 minutos de intervalo

Capacidade- 2000 pessoas / Praça de alimentação no local
Acesso e banheiro adaptados para pessoas com necessidades especiais
Aceita cartão de débito e dinheiro / Estacionamento no local (terceirizado) - R$ 5,00  Venda de ingresso antecipado – todos os dias das 10h às 12h e das 14h às 20h

 UNIDADE ITINERANTE – até 15 de dezembro

Atrás do Ginásio Poliesportivo - São Bernardo do Campo
Fones – (11) 3409 3038 / 4177 2811 / 9317 7181

Quintas e Sextas às 20h30 / Sábados, Domingos e Feriados: 16h00, 18h00 e 20h30

Cadeira Adulto R$ 15,00 / Cadeira Criança R$ 10,00

Estudantes, aposentados e maiores de 60 anos (meia-entrada) / Crianças abaixo de 02 anos não pagam.

 

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