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“MANTENHO VIVOS TODOS OS AMORES / ESQUEÇO E AFASTO OS DESAMORES / E ASSIM VOU ANDANDO POR MEU CAMINHO OU SIGO VOANDO PELO ESPAÇO COM MEUS SONHOS / NADA ME PRENDE, MAS CARREGO COMIGO TUDO QUE É  REALMENTE SIGNIFICATIVO EM MINHA VIDA... E RECOMEÇO”

Maria de Lurdes Mäder Pereira

 

O SONHO, A TRAJETÓRIA E AS PERSPECTIVAS DE UMA VIDA
JUSSARA CÂMARA

O que mais chama a atenção em Maria de Lourdes Mader Pereira são três coisas, entre muitas: sua determinação, inteligência e visão à frente do seu tempo.

Nascida em Curitiba em 17 de fevereiro de 1923, veio para o Rio aos 7 anos e como nunca tinha visto uma criança mendigando, surpreendeu-se quando descobriu esta realidade carioca. Neste momento, decidiu que, quando crescesse, escolheria a Educação como profissão.

 

- Ficou a pergunta: por que eu era diferente? Daí passei a vida tentando diminuir as diferenças entre as crianças. Eu queria contribuir para mudar esta realidade. Desde então, vivi, vivo e viverei à procura de caminhos e soluções, revela Maria de Lourdes.

 

Formou-se em Didática pela Faculdade Nacional de Filosofia e participou de inúmeros projetos educacionais, incluindo a formação de conhecimento à distância, como o Projeto Minerva na década de 70, Projeto Logus, que habilitava professores leigos sem afastá–los do exercício docente e  integrou a Associação Brasileira de Educação (ABE) - onde participou do projeto “A Escola é Morta”, sobre a escola tradicional e as perspectivas para o amanhã.

 

Aos 21 anos, após cursar a Escola de Belas Artes, escolheu trabalhar com arte. “ Com a filosofia trabalharia seus questionamentos, com a Arte a sensibilidade e fundamentalmente, a criatividade.

 

Começou com o carvão, passou para o spray e, há algum tempo, encantou-se pela fotografia. Aos 42 anos, criou o Atelier Livre de Artes Plásticas, mais tarde, Centro de arte Contemporânea – CAC.

 

 

....COM O EXERCÍCIO DA ARTE/ DESENVOLVI MINHA CAPACIDADE DE CRIAR/ ESTOU PODENDO APROVEITAR TUDO QUE O MUNDO OFERECE HOJE/MANTENDO VIVA A  CURIOSIDADE COM QUAL NASCI/ TALVEZ DEVAMOS TRABALHAR A MANUTENÇÃO DESTA CURIOSIDADE/

COM A QUAL TODOS OS HOMENS NASCEM/ SUA CAPACIDADE DE SONHAR E A CAPACIDADE DE AGIR

PARA CONCRETIZAR O SONHO..

  

 

Maria-Lurdes-filhos

 

Seu hobby atual é o computador, presente do sobrinho querido, Roberto, que criou como filho. Hoje, domina a internet e usa todos os recursos que vai encontrando, para criar suas fotografias ou vídeos.

 

“Enquanto o corpo envelhece inexoravelmente, o espírito se delicia por poder usufruir da tecnologia de um saber de um conhecimento que só faz crescer”, revela.

Recentemente lançou seu livro: Alto da Montanha, Editora Outras Letras. Aos 86 anos, completados recentemente, esta aquariana de lindos cabelos brancos, profundos olhos azuis, fala mansa, pequena e um sorriso maroto me diz que não é o primeiro e nem o último, é o livro do momento.

- Eu estava aos 65 anos, no alto do Pão de Açúcar e vi aquela paisagem linda com 360 graus. Entendi que era a velhice chegando, em câmara lenta, afastada com visão ampla da maneira que cada um concede a sua visão do alto, que é a melhor, explica.

Como sempre escreveu, uma amiga insistia para que ela escrevesse um livro. Mas, ela não sabia o que fazer. Começou-o várias vezes, por isso, o Alto da Montanha tem 9 introduções diferentes. As primeiras anotações suas são de quando tinha 45 anos e nas 347 páginas revela inúmeras fotografias, que retratam os trabalhos que ela fez. As fotos foram algo permanente em sua vida e que nos ultimos anos tem sido o motivo de sua arte, que começou com o carvão e seguiu com o óleo, aquarela, acrlico e guache com spray.

 

 

DURANTE A VIDA DE CADA UM DE NÓS/ MUITAS SÃO AS HORAS DE REVISÃO/ AS PRIMEIRAS SÃO UMA TOMADA DE CONSCIÊNCIA/ PARA ANALISAR O CAMINHO PERCORRIDO/ E ESTUDAR NOVAS E POSSÍVEIS DIREÇÕES....

Maria de Lourdes revela-se ao leitor, em textos sem vírgulas, mostrando que mesmo de onde ela está,  com uma vista mais nítida e ampla, que a vida é um aprendizado constante e diário. E o importante é viver o agora e o que vai vir, ensina a autora que se considera uma pessoa privilegiada e que sempre foi feliz.

 

   UM DOCE PASSEIO PELAS MEMÓRIAS DE NÉLIDA PIÑON

 

Uma das grandes damas da literatura brasileira, membro da Academia Brasileira de Letras e primeira mulher a presidir a entidade, Nélida Piñon revela ao público suas memórias, temperadas com boas doses de imaginação.

  

Nas cinco décadas dedicadas à literatura, Nélida Piñon já guardava em um canto da memória as histórias de CORAÇÃO ANDARILHO, Editora Record.

 

Na verdade, o livro começou a ser esboçado antes mesmo do nascimento da escritora carioca. Mais ou menos na época em que seu avô, Daniel, chegou ao Brasil, no final do século 19, originário da região da Galícia, na Espanha. Durante a infância, Nélida foi muito incentivada por seus pais a descobrir os prazeres da leitura, do teatro e das viagens. De cunho autobiográfico, o novo livro traz a essência de Nélida como criadora e como ela foi formando seu universo pessoal e criativo perpetuado em mais de 20 publicações.

 

Assim como Simbad, o marujo, Nélida Piñon é uma marinheira moderna, com numerosas e fantásticas aventuras para contar de suas viagens — geográficas ou literárias — ao redor do mundo. E como uma boa navegante, Nélida sempre teve como porto seguro a família, os afetos, o Brasil e as cidades imaginárias.

 

Neste delicado e pungente livro de memórias, a autora de Vozes do deserto (vencedor do Prêmio Jabuti 2005 nas categorias Romance e Livro do Ano) presta uma homenagem a seus pais, à origem galega e mostra como se deram os anos de formação como escritora e como mulher. Mais do que apenas um resumo cronológico de sua vida, Nélida cria uma narrativa sensível e envolvente na qual as lembranças surgem como um jorro de memória afetiva, sem preocupação com o que estamos acostumados como “fatos”.

 

Como diz a autora, “Meu testemunho é impreciso. Misturo a colheita da memória com a invenção, porque é tudo que sei fazer. Os episódios que aqui registro, de teor familiar e cotidiano, emergem da minha modéstia e dos meus desacertos. A seleção que faço da família, dos amigos, dos pensamentos vagos, compõe o meu horizonte pessoal. Sem dúvida, é arbitrária, apresenta alto grau de subjetividade.”

 

Assim, visitamos o compartimento de memórias de sua primeira infância. A casa no bairro carioca de Vila Isabel onde nasceu porque sua mãe tinha receio de tê-la no hospital e não reconhecer a própria filha; as tardes bucólicas a passear com o avô Daniel, figura muito importante na sua vida (e que mais tarde ela perceberia que é um anagrama de seu nome); o Carnaval de rua de uma cidade que não mais existe. Depois, a mudança para Copacabana, o começo do entendimento do mundo e os novos desafios.

 

Nélida escreve sobre sua trajetória íntima, mas o pai Lino e a mãe Carmen são co-protagonistas desta narrativa. Principalmente o pai, a quem a autora diz finalmente ter prestado contas afetivas. Morto precocemente, quando Nélida tinha 20 anos, Lino foi um homem culto, inteligente e um dos grandes responsáveis por sua formação como escritora e mulher independente, uma cidadã do mundo.

 

E para mais, navegue, pois, com Nélida por este rio de memória e se emocione com as histórias que esta magnífica escritora tem a nos contar.

 

Carioca, Nélida Piñon estreou com seu primeiro romance em 1961, Guia-mapa de Gabriel Arcanjo. Ao longo de sua carreira, colaborou em publicações nacionais e estrangeiras, proferiu conferências em diversos países, onde foi igualmente traduzida. É catedrática da Universidade de Miami desde 1990, havendo sido escritor-visitante das Universidades de Harvard, Columbia, Georgetown, John Hopkins. Recebeu prêmios brasileiros como Golfinho de Ouro, Mário de Andrade e o Jabuti de melhor romance e livro de ficção de 2005 por Vozes do deserto.

 

Somam-se ainda prêmios internacionais. Empossada como imortal em 1990, em 1996 foi eleita a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras por ocasião do seu I Centenário.

 

 

CORAÇÃO ANDARILHO, Nélida Piñon Editora Record, 352 páginas Preço: R$ 38,00

 

 

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