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 A GRANDE DAMA DA EDUCAÇÃO

JUSSARA CÂMARA

Cleonice

 

 A professora Cleonice Serôa da Motta Berardinelli, 93 anos, leciona há 72 anos. Começou dando aulas de português, francês, literatura francesa e latim no curso secundário. Mais tarde, passou a se dedicar somente a literatura portuguesa.

 

Atualmente é professora emérita da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na PUC, da aula às quartas e na UFRJ, às quintas para as turmas de pós graduação.

 

Autora de obras sobre Luís de Camões e Fernando Pessoa, Dona Cleo como é chamada por seus alunos, é considerada a maior especialista em literatura portuguesa do Brasil. Apaixonada por Fernando Pessoa, o considera um dos maiores poetas com os quais conviveu. “As suas potencialidades são imensas, quase infinitas", revelou Cleonice.

 

Nascida no Rio de Janeiro, no bairro de Botafogo, cedo teve que acompanhar o pai, militar, que foi morar em São Paulo. Casou-se com um viúvo e suas duas enteadas, já lhe deram 6 netos, 11 bisnetos e 1 trineto até agora.

 

Incansável, não consegue ficar parada. Como ela mesma se define: sou muito ativa. Dona de uma memória prodigiosa, antes de ser professora, estudou música e trabalhou em teatro. Foi representando Moliére, que Manuel Bandeira a viu e no dia seguinte lhe fez elogios em sua coluna, no extinto jornal Amanhã, há mais de 70 anos.

 

Cleonice nunca tirou férias, licença-prêmio, licença especial. E disse que  ao se aposentar, pensou em ficar mais folgada, e até voltar a estudar piano; no entanto, a faculdade não lhe deixou parar.

 

Por esta dedicação, ela recebeu inúmeras homenagens tanto em Portugal, como aqui no Brasil. Uma delas, em 1999, o diploma de mérito lhe foi concedido pelo presidente do Instituto Camões.

 

A União Brasileira de Escritores (UBE-RJ) lhe entregou o Troféu RIO em agosto deste ano. No dia 22 de outubro recebeu o título de uma das Personalidades Cultural de 2009 pela Associação Brasileira de Educação (ABE), pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e pelo jornal a Folha Dirigida. Este prêmio é o reconhecimento público daqueles que contribuem para a melhoria da Educação no país.

 

Quem sabe se sua próxima homenagem seja a imortalidade?  Ou seja, o convite para ocupar a  cadeira   número   8 da Academia Brasileira de Letras, desocupada desde julho com a morte do escritor Antonio Olinto. A eleição para a vaga de Olinto deve ocorrer em dezembro.

 

Quando lhe perguntam o segredo de sua longevidade e mesmo, vivacidade, ela responde: é porque eu convivo com gente moça. “As pessoas da minha idade afobaram-se e morreram antes de mim., lamenta.”


Parece que fazer o que gosta é seu principal segredo. E é este o conselho que dou a outros professores: trabalhar no que gosta, com gosto e todo empenho, finalizou Cleonice.

 

Cleonice Berardinelli é um modelo de educadora e pessoa. Não é apenas sua inteligência e cultura que impressionam, mas o respeito e a admiração que conquista por onde passa e por quem a conhece.

 

 

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