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O QUE ACONTECEU EM 60 ANOS
Jussara Câmara

casal

Entrevistamos mulheres para saber como foram suas primeiras experiências sexuais. Escolhemos três relatos, que servem para ilustrar as mudanças de comportamento em relação à mulher e ao sexo, ocorridas nestes sessenta anos.

. Wanda, 82 anos, é viúva, dona-de-casa, tem 5 filhos , 8 netos e 2 bisnetos. Casou-se em 1938 com Leopoldo, advogado. "Naquela época, não havia nenhuma intimidade entre os namorados. E quando falávamos com as amigas sobre a lua de mel, era uma conversa envergonhada, que não ia muito longe. Eu sabia que a mulher ficava grávida de uma relação com o homem, mas não sabia como. O máximo que tinha tido foi um beijo rápido e um medo enorme de engravidar. Namorei, fiquei noiva e em um ano e meio, casei. Estava muito nervosa no dia, porque não sabia o que ia acontecer à noite e nem perguntei a ninguém. Tudo era mistério e angústia. Quando acabou a festa, fomos direto para nossa casa nova. Troquei a camisola da noite no banheiro e pedi para que ele apagasse a luz. Estava com muita vergonha. E aquela noite foi um choque para mim. Nunca tinha visto um homem nu e eu não imaginava como os casais faziam. Chorei. Leo (como ele a chamava) foi extremamente carinhoso comigo. Ele tentou, mas como eu estava muito tensa, doía muito. Ele me pedia calma e depois de mais duas tentativas, não deixei mais. Somente depois de mais quatro noites é que o casamento foi consumido. Lembro-me que minha mãe visitou-nos no dia seguinte. Muitos anos depois, soube que ela tinha ido examinar os lençóis."

. Sandra, 56 anos, é casada, arquiteta, tem 2 filhas e casou-se em 1974 com Fernando, administrador de empresas. " Eu sabia o que esperar daquela noite, mas mesmo assim estava super ansiosa. Era década de 60 e falávamos de sexo, mas algumas meninas mais avançadas, não eram bem vistas pelas outras. Antes de Fernando, tive três namoros sérios, mas sem contatos físicos mais avançados. Eu era virgem, quando casei. E tive certo receio se ia doer. Na noite, troquei minha camisola nova e fui ao banheiro. Não gosto até hoje de que ele entre lá, comigo dentro. Estávamos cansados, mas excitados. Ele foi carinhoso comigo. E eu fiquei muito feliz. E no dia seguinte, tive vergonha quando nossos parentes nos pegaram no hotel para levar ao aeroporto, para a lua de mel. Todos sabiam o que tinha acontecido na noite anterior."

. Laura, 26 anos, é publicitária e vive com o jornalista, André há um ano. "Moro sozinha desde 1999. Minha primeira relação foi com 17 anos e eu fui ao ginecologista antes e passei a tomar pílula. Não houve nenhum problema, pois sempre conversei com mamãe e minhas colegas de escola. Conheci André numa festa na casa de uma amiga e foi paixão à primeira vista. Lembro-me que havia há pouco acabado com Artur e apesar de não termos nada em comum, vivemos um ano e meio juntos. André é diferente. Dois anos mais novo, é ligado em tudo que está acontecendo, romântico, adora viajar e tem ótimo humor. Passamos a morar junto depois de três meses, isto é, ele se mudou aqui para casa. Nosso sexo é muito bom. Logo na primeira vez, vi que ele era especial. Não sei se vou casar na Igreja. Talvez no civil, quando tiver um filho, mas ainda não decidi ".

 

 

SEXO NA MADURIDADE
JUSSARA CÂMARA

 

Nossa sociedade associa juventude à vida sexual ativa. A mídia explora a imagem de que somente os jovens são sedutores.

 

Acredita-se que com o passar dos anos o desejo decai e o sexo não tem mais espaço nas vidas dos mais velhos. Muitas pessoas perguntam até, se é possível, manter uma boa atividade sexual na maturidade.

 

Isso só contribui para que elas fiquem inseguras, se tornem ansiosas e com isso até fracassem em sua vida sexual, gerando assim, muitos questionamentos e depressões.

 

"A sexualidade quando envelhecemos é normal e natural. Na verdade, não acaba, pois é movida pelos desejos e pelas fantasias. O desejo fica presente até a morte. Ele somente se esgota, quando colocamos em mente que não teremos mais ninguém e nem queremos sentir prazer. Fora isso, quem goza sexualmente, goza também na vida", explica o psicólogo Arnaldo Risman, mestre em sexologia clínica e diretor da Insexrj - Instituto de Sexologia do Rio de Janeiro.

 

"O desejo não está só no coito, na masturbação, mas pode estar num simples abraço. O ato sexual não deve ficar reduzido ao intercurso vaginal, podendo-se enriquecê-lo através de carícias e outras práticas muito prazeirosas, " continua.

 

MUDANÇAS NORMAIS

Algumas mudanças podem surgir na maturidade, quando a atividade sexual geralmente tende a se reduzir. O homem passa a ter progressivamente uma ereção mais lenta, desaparecendo mais rapidamente após o orgasmo e demorando um tempo maior para ter uma outra ereção. Há também uma redução do volume de esperma.

 

Para a mulher ocorre redução da lubrificação vaginal, dos hormônios sexuais circulantes, e como no homem, um aumento do período de latência entre uma relação e outra.

 

É preciso aceitar com naturalidade essas alterações biológicas que decorrem da idade. Devemos ter em mente que não é a quantidade e sim, a qualidade que vai prevalecer, já que o interesse e a habilidade para o exercício sexual se mantêm praticamente constantes.

 

s companheiros devem se arrumar um para o outro e criar situações românticas, que favoreçam à sedução. Experimente sair para jantar, ir ao cinema, dançar, enfim resgatar momentos que no passado representavam preâmbulos sexuais.

 

RECLAMAÇÕES DE TODAS AS IDADES

Os alunos mais maduros do professor Arnaldo, em sua maioria mulheres, querem saber de tudo em suas aulas. Querem discutir afeto, desejo e prazer. Os homens são mais tímidos, assistem as aulas como visitantes e aos poucos vão ficando, interessados no assunto.

 

"Muitas das senhoras conheceram o sexo somente com o marido, que era grosseiro, "dava seu recado e ia embora", conta o professor. " Grande parte é viúva ou separada, que já foram esposas e se casaram com a permissão dos pais.

Muitas estão descobrindo a vida agora e querem ser tocadas, acariciadas, afetadas - ligado a afeto - gozar. Enfim, querem ter uma relação, sentir um desejo singular.

 

Elas querem agora escolher o companheiro de vida, para poder gozá-la mais plenamente."

 

A grande maioria de seus clientes sofre de impotência, frigidez, ejaculação precoce e de incapacidade em atingir o orgasmo e de insegurança por causa do tamanho de seu pênis. As mulheres são as primeiras a vir procurar ajuda e muitas trazem seus companheiros.

 

"As mulheres hoje em dia estão reclamando de seus parceiros", relata. Ansiosos, estressados e alguns passando por problemas econômicos, os homens não estão dando conta do recado.

 

Muitos homens também estão apavorados com a nova mulher que existe hoje em dia. Para a psicólogica Dulcinéia da Mata Ribeiro Monteiro, o homem foi "educado" culturalmente para gozar rápido, atitude que tinha com a prostituta. E desta forma, ele não mais satisfaz a mulher.

 

"No passado o provedor era o homem, o que tinha pênis, enquanto a mulher se submetia, sem ter noção do prazer que podia sentir. No momento em que ela passou a reivindicar, ir para a rua em busca de trabalho, esta estabilidade mudou", explica Dulcinéia.

 

" Agora, é ela que quer "comê -lo. Esta grande exposição feminina, assumindo posições que eram dele, o amedronta. De certa forma, inverteram os papéis", continua.

 

Segundo Dulcinéia, as mulheres se interessam mais pela relação, são mais românticas, querem afetividade, carinho e sexo. "Elas estão invertendo as virtudes culturais básicas da libido, que era transmitida pelo poder, saber e amor. Os homens representavam os dois primeiros, enquanto a mulher se identifica com o amor, expressado pela dinâmica sexual, sensual e maternal. Atualmente, elas passaram a ter mais conhecimento, dominar e a questionar a relação e o sexo. "

 

A estabilidade das relações está se transformando. Mas mesmo assim, a essência do ser humano é o afeto. Tanto o homem como a mulher tem necessidade do toque, carinho e da cumplicidade. Só que isto está ficando em desuso, conclui Dulcinéia.

 

Nossa saúde e nossa felicidade estão diretamente ligadas à nossa sexualidade. Nós somos um espermatozóide e um óvulo fecundado. Caso venhamos esquecer isso, deixaremos de ter nossa essência humana e seremos uma máquina, arremata Arnaldo.

 

Colaboraram nesta matéria: O psicólogo Arnaldo Risman, coordenador e professor de Pós Graduação em Sexualidade Humana da Faculdade Estácio de Sá, professor da Unati/Uerj e da Faculdade Veiga de Almeida. E Primeiro Mestre em sexologia clínica da América Latina.

A psicólogica Dulcinéia da Mata Ribeiro Monteiro que é analista Junguiana e, gerontóloga

 

PAUSA PARA O RISO

 

Um casal mais idoso vai ao médico fazer seu exame anual de saúde. Depois de tê-lo examinado, o médico diz ao senhor:

 

- Você está com a saúde excelente. Tem algo em especial que gostaria de discutir comigo? - De fato, eu tenho - diz o homem.

 

- Depois de fazer sexo com minha mulher, na primeira vez, eu sinto calor e fico todo suado mas depois, na segunda vez, eu sinto frio e tremo todo.

 

- Interessante - diz o médico. - Vou anotar isso e depois lhe dou um parecer. Aí o médico examina a mulher, e termina dizendo:

 

- A senhora está com a saúde excelente. A senhora tem algo em especial que gostaria de discutir comigo? Ela responde que não. O médico então acrescenta:

 

- Seu marido veio com um problema estranho. Ele disse que a primeira vez que faz sexo com a senhora, ele sente calor e sua, e que na segunda vez ele sente frio e treme. A senhora imagina o que possa ser?

 

- Ah! É lógico! É que a primeira vez é em janeiro e a segunda é em julho.

 

 

 

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