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O REI DA PILANTRAGEM

DENILSON MONTEIRO

Passada mais de uma década da sua morte, assim como em vida, Carlos Imperial em geral é lembrado como um sujeito inconseqüente, encrenqueiro e mulherengo.

 O agitador cultural, descobridor de talentos e autor de músicas que até hoje são cantaroladas em várias partes do país ainda não é páreo para o “rei da pilantragem”. Porém, se ainda estivesse entre nós, ao contrário de muitos que choramingam um lugarzinho no panteão dos grandes nomes da cultura nacional, o Gordo se mostraria satisfeito com a persistência dessa má fama, convicto de que cumprira com o seu dever.

 Em tempos de politicamente correto, assessores de imprensa e bom-mocismo de fachada, Impera continuaria rechaçando aplausos na base do piloto automático, algo completamente fora de cogitação para um cafajeste que se preze. "Vamos voltar à pilantragem!”.

 A cena cultural brasileira dos anos 1960 a 1990 seria muito diferente se não fosse Carlos Imperial. Durante anos, ele foi presença constante na música, no cinema, no teatro, na TV, nos jornais e revistas e até na política. Imperial compunha e produzia, atuava e dirigia, escrevia, fazia as coisas acontecerem e, mais do que tudo, causava polêmica. Direta ou

indiretamente, fez e ajudou a fazer o sucesso dos maiores nomes do nosso showbiz, de Roberto Carlos a Tim Maia, de Clara Nunes a Elis Regina.

 Denilson Monteiro dedicou seis anos à realização de Dez! Nota dez! Eu sou Carlos Imperial. Fez centenas de entrevistas com artistas, familiares, amigos de infância e até desafetos do "homem vaia", além de uma busca minuciosa em diversas instituições de pesquisa e acervos particulares, a fim de obter toda e qualquer informação sobre sua vida.

  

CARLOS IMPERIAL

Carlos-ImperialEra o homem que se orgulhava de ser chamado de “o rei da pilantragem” e o “grande vilão da TV”.

 Ele foi ator, cineasta, apresentador de TV, colunista de jornais e revistas, compositor, produtor musical e até vereador e candidato a prefeito pelo Rio de Janeiro. Em geral é lembrado como um sujeito inconseqüente, encrenqueiro e mulherengo.

 Direta ou indiretamente fez e ajudou a fazer o sucesso dos maiores nomes do nosso show bizz, de Roberto Carlos a Tim Maia, de Clara Nunes a Elis Regina., é um mergulho na agitada vida e obra do autor de sucessos como Vem quente que estou fervendo, Nem vem que não tem, A praça, O bom  e Mamãe Passou Açúcar em Mim.

 Orgulhoso por ser  chamado de "o rei da pilantragem" e de "grande vilão da TV", mais do que tudo, Carlos Imperial gostava de causar polêmica e inventar situações que seriam destaque na mídia.

 Em 1981, por exemplo, pouco antes da estréia de seu filme As Delícias do Sexo,  teve a idéia de criar a Liga da Moral e da Decência. Mandou alugar duas Kombis, nas quais colocou vinte senhoras, que foram para a porta do cine Vitória, no Rio de Janeiro, protestar com cartazes contra a estréia daquele filme repleto de imoralidades. Além disso, arranjou um jovem negro anatomicamente privilegiado, para correr nu no meio da primeira exibição e causar alvoroço na platéia.

 Na mesma hora, o rebuliço foi noticiado nas rádios. As pessoas ouviam e iam ao cinema para conferir o tal filme mais ousado que "O Império dos Sentidos". O resultado foi um grande sucesso de bilheteria.

 Foi graças a Imperial que Roberto Carlos – assim como ele,  também capixaba de Cachoeiro de Itapemirim –,  gravou seu primeiro disco. Na época, o apresentador Chacrinha conseguiu contato com uma gravadora, propondo o nome de Roberto. Mas o atual “rei” foi recusado. Quem conseguiu a chance para o jovem cantor  na Polydor foi o irmão mais velho de Imperial, Francisco, locutor da Rádio Continental.

 O rapaz comprometeu-se em tocar músicas da gravadora se o divulgador que visitava a emissora em que ele trabalhava conseguisse uma chance para  Roberto.

 Também foi Imperial  quem convenceu Paulo Silvino a ser humorista, já que naquela época o astro do programa Zorra Total queria ser cantor de rock and roll. Sem deixar de mencionar  que tanto Wilson Simonal quanto Erasmo Carlos, tiveram suas primeiras oportunidades na vida artística participando do  "Clube do Rock", um embrião da Jovem Guarda, também invenção de Carlos. Em 1966, com Simonal,  o compositor Nonato Buzar e o pianista César Camargo Mariano,  o "Gordo", como era chamado pelos amigos,  criou uma nova e deliciosa onda musical, a "pilantragem".  

 Imperial foi o responsável pela única ocasião em que o Ibope admitiu ter sido vítima de fraude. Em 1979, com o auxílio de  dez pesquisadores do instituto, Carlos pôs em prática um esquema que colocou seu programa de auditório, então na TVS de Sílvio Santos, em primeiro lugar na audiência.

 O Gordo ainda enfrentou com irreverência o regime militar. Um cartão de Natal que trazia sua foto, sentado no vaso sanitário, com a frase: "Espero que papai Noel não faça no seu sapato o que eu estou fazendo neste cartão", foi enviado a algumas personalidades em pleno AI-5 e acabou lhe rendendo uma temporada no presídio da Ilha Grande.  

 Olivro escrito sobre ele: Dez! Nota Dez! – Eu sou Carlos Imperial é uma referência à maneira como Imperial anunciava as notas das escolas de samba do Rio de Janeiro. Na década de 1980, Carlos, na época vereador pelo PDT de Leonel Brizola,  se notabilizou por divulgá-las exclamando a frase “Dez! nota dez!”. O bordão caiu no gosto popular e se transformou em sua marca registrada.

 Dez! Nota Dez! – Eu sou Carlos Imperial. De Denilson Monteiro Matrix Editora custa R$ 39, 90

 

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