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HISTÓRIA DO CARNAVAL

 

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carnavalO Carnaval é um período de festas regidas pelo ano lunar que tem suas origens na Antiguidade. Para alguns pesquisadores o Carnaval tem raízes históricas que remontam aos bacanais e a festejos similares em Roma; alguns historiadores mais ousados chegam mesmo a relacionar o Carnaval a celebrações em homenagem à deusa Ísis ou ao deus Osíris, no Egito antigo.


Uma outra corrente acredita que a festa iniciou-se com a adoção do calendário cristão, que começava no dia de Reis (Epifania) e acabava na Quarta-feira de cinzas, às vésperas da Quaresma. Apesar de ter se estabelecido neste período na sociedade ocidental, o Carnaval sofreu, entretanto, certa oposição da Igreja, na Europa.  Embora alguns papas tenham permitido o festejo, outros o combateram vivamente, como Inocêncio II.


O período do Carnaval era marcado pela "adeus à carne" ou "carne vale" dando origem ao termo "Carnaval".  Durante este período havia uma grande concentração de festejos populares.  Cada cidade brincava a seu modo, de acordo com seus costumes.


O Carnaval era comemorado com um baile de máscaras. O moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XIX.  As cidades européias são os grandes modelos exportadores da festa carnavalesca para o mundo, especialmente em regiões da França (Mardi Gras), Itália e Espanha. Nice, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro se inspirariam no Carnaval francês para implantar suas novas festas carnavalescas.

Em Portugal, existe uma grande tradição carnavalesca, sendo o Carnaval de Torres, o tido como mais antigo e o mais português daquele país, que se mantém popular e fiel à tradição rejeitando o samba e outros estrangeirismos.

 

BRASIL

Os portugueses celebravam o carnaval com uma festa sem regras e por vezes violenta, chamada de entrudo. O povo se enfrentava nas ruas de Lisboa atirando ovos, cascas de ovos cheias de farinha e até lama e urina.

 

E foi esta tradição do entrudo pré-Quaresma, que colonos portugueses trouxeram para o Brasil e que  a família Imperial gostava e que se implantou aqui.

 

Entretanto, paralelamente, as classes abastadas começaram a patrocinar bailes de máscara copiados de festas que estavam na moda em Veneza e em outras cidades da Europa. Ao fim do século 19, esses bailes competiam entre si para ver qual produzia a melhor decoração, recebia as melhores orquestras e convidados fantasiados com criatividade e sofisticação.

Em 1855, uma organização recém-formada por membros da aristocracia da cidade patrocinou o primeiro desfile de carnaval do Rio.

 

 Eram 80 participantes fantasiados em carros alegóricos, seguidos por um grupo de cavaleiros montados. Eram conhecidos como grandes sociedades.

 

Aos poucos, o desfile anual das "grandes sociedades", com a participação de estudantes, intelectuais, jornalistas, altos funcionários do governo se juntaram aos participantes originais tomou-se um evento do carnaval.

Em 1907, a elite do Rio desenvolveu o corso, que era um cortejo de elegantes carros abertos, carregados de cariocas alegremente fantasiados que jogavam confete, serpentina e perfume nos espectadores enquanto passavam pelas largas avenidas do Rio.


Ironicamente, os desfiles das grandes sociedades e corsos serviam para que as pessoas das classes mais ricas e intelectuais divertissem os espectadores de origem humilde. Com o passar do tempo, os papéis de artistas e espectadores se inverteram. No fim do século 19, outros grupos começaram a desfilar durante a semana de carnaval.

 

Os ranchos, associações vindas das classes média-baixa e operária começaram a aparecer, permitindo a participação das mulheres. Suas apresentações eram acompanhadas por tambores, instrumentos de corda, clarinetes e flautas. Adotavam temas geralmente mitológicos e tocavam composições próprias.


Existia ainda um grupo de carnavalescos modesto  chamado de blocos de sujos, formados por vizinhos que moravam em bairros de classe baixa. Eles improvisavam tudo, de fantasias a passos de marcha, e seu comportamento rude, que ocasionalmente levava a brigas de rua, lembrava o entrudo.


As escolas de samba são uma evolução desses vários elementos.
Sua inspiração veio dos ranchos aliado ao espírito dos blocos.

 

 

A VELHA GUARDA DE ESCOLAS DE SAMBA

 

O momento é de festa e todos se preparam para os desfiles nas suas agremiações. Estamos falando no caso, dos membros da velha guarda de escola de samba do estado, ou seja, pessoas de cabelo branco com uma disposição impressionante. Um exemplo é D. Teresinha Bustilho que tem planos de ser porta-bandeira até os oitenta anos, “depois passo o posto”, conta.

 

Eles pertencem a uma Associação. “Aqui tem hierarquia, é um sistema presidencialista! Podemos falar, mas é sempre bom ouvir o presidente antes”, informa um senhor da Velha Guarda da Escola Estácio de Sá. O presidente da Associação, Ed Miranda Rosa, tem 92 anos, e ainda desfila com muita elegância. Inclusive, um dos lemas do Grupo é sambar para não ter reumatismo. Seguido à risca por todos.

 

Uma das integrantes mais velha do grupo da escola, Waldice Rodrigues de Souza, 72 anos, 61 na Escola, gosta de contar que tinha 11 anos quando saiu de baiana pela primeira vez. Naquele tempo diziam que só criança batizada podia sair. Aí minha avó resolveu a questão: me batizou no sábado de carnaval e eu desfilei no domingo”.

No feriado de São Sebastião, padroeiro da cidade e da Estácio de Sá, a sua Velha Guarda estava lá, devidamente uniformizados – as mulheres de vestido vermelho e chapéu branco, os homens de camisa social vermelha e calça branca. Eles são os representantes destas comunidades que tem mais experiência de vida.

 

E também representam a fé. Antes de entrarem, eles de mãos dadas rezam Ave Maria, que muitas vezes, é entoada pela quadra inteira.

 

Animadíssimos, parecem que não diferenciam muito dos tempos de mocidade. Unidos, se festejam, independente da escola que pertencem. E são conhecidos: todos sabem quem é quem e são tratados com muito respeito.

 

O grupo Guardiões da Memória, composto por alunos e professores do Colégio Estadual Professor Sousa de Silveira, em Quintino, e do Programa de Reflexões e Debates para a Consciência Negra há tempos os acompanha para registrar suas vidas e lembranças em um documentário, que deve ser lançado no dia 17 de fevereiro, às vésperas do carnaval, no Sesc-Madureira.

 

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