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GLORINHA BEUTTENMÜLLER LANÇA LIVRO

 


A fonoaudióloga Glorinha Beuttenmüller lançou seu novo livro – Tragédia, o mal de todos os tempos – no Salão Nobre do Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Rio. A edição é fruto de uma parceria entre a Instituto Montenegro e Raman de Teatro e a Alerj. O livro, que ensina como lidar com essas emoções e proteger a voz, é dirigido às pessoas que fazem da voz um instrumento de trabalho, como atores, políticos, cantores, comunicadores e líderes, entre outros.

 
Maria da Glória Cavalcanti Beuttenmüller, que é terapeuta da fala, desenvolveu um método próprio de trabalhar a voz, baseado nas sensações e vibrações do som. Esse método foi desenvolvido por ela através de trabalhos realizados com surdos e mudos, na década de 60. Empolgada com novas descobertas de seu método e trabalhando separadamente o sentimento da tragédia, Glorinha teve a idéia do novo livro, também serve para como um manual de bem estar no dia-a-dia de qualquer pessoa.

  

Ela foi uma das primeiras pessoas no mundo a sustentar que devemos falar com o corpo inteiro. Trabalha há mais de 40 anos com vozes de atores, jornalistas, locutores, oradores, juristas, políticos e professores de todo o Brasil e do exterior.


Como reconhecimento por suas descobertas e pesquisas ao longo dos anos, Glorinha Beuttenmüller recebeu vários prêmios. Entre eles, o Prêmio Rosa de Prata (1970), Diploma da Federação das Escolas Federais Isoladas do Estado do Rio de Janeiro (1976), Prêmio Golfinho de Ouro (1976), Prêmio Estácio de Sá (1977), Destaque pela Classe Teatral do Museu da Imagem e do Som (1977), Troféu Rádio Mec (1986), Prêmio Shell de Teatro (1998) e Prêmio Voz Ativa (2002).

 

 

 

OS PRIMEIROS JUDEUS DE SÃO PAULO

 

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Há mais de quinze anos que Paulo Valadares e Guilherme Faiguenboim dedicam-se ao estudo da Genealogia, em especial da Judaica. Após longa pesquisa, lançaram o Dicionário Sefaradi de Sobrenomes (prêmio de Melhor Obra de Referência de 2004 nos EUA) e agora estão publicando "Os Primeiros Judeus de São Paulo”: uma breve história sobre a saga das primeiras famílias de imigrantes judeus que vieram para o Brasil, pela Editora Fraiha.

 

Resultado de mais de dois anos de intensa pesquisa, o livro foi concebido com base em um trabalho de campo feito no Cemitério da Vila Mariana - escolhido por ser o primeiro cemitério erguido pelos judeus de São Paulo, além de informações colhidas em livros e entrevistas.

 

O objetivo inicial era o de elaborar uma lista, um banco de dados. Túmulo por túmulo, as informações contidas nas lápides foram sendo anotadas.

 

Mas, à medida que o trabalho avançava, outras histórias e novas perguntas emergiam nesse pequeno e bem cuidado cemitério. A curiosidade levou a procurar explicações e assim essa pesquisa foi se transformando num livro de histórias. Histórias que desvendam a vida dos primeiros judeus que vieram para São Paulo e que levantaram os alicerces de sua comunidade. Lá estão os seus nomes,  as suas cidades de origem na Europa, porque vieram para São Paulo. O livro relaciona outros cemitérios erguidos por imigrantes da mesma época em Quatro Irmãos (RS), Rio de Janeiro, Recife, Cubatão e Chora-Menino.

 

São também descritos os costumes funerários judaicos nos tempos bíblicos e na Idade Média, como também no Brasil Colônia, em especial na cidade de São Paulo, e é revelada a evolução dos cemitérios nos últimos dois séculos. Talvez seja a maior pesquisa de uma comunidade imigrante já feita no Brasil. Em edição de luxo, com capa dura e 320 páginas, o livro traz fotos de Niels Andreas, que fotografou o cemitério. 

 

AS PRINCIPAIS DESCOBERTAS 

A historiografia não dá a devida atenção aos imigrantes que, chegando no período final da monarquia, não se tornaram tão ricos quanto os Lafer-Klabin. “Estudando o cemitério da Vila Mariana, foi possível reconstruir a trajetória daquelas pessoas que fizeram a comunidade judaica ser hoje o que é. Eles têm nome e sobrenome, e o livro mostra isso”, afirma Guilherme Faiguenboim.

 

Os autores tratam também do fenômeno das polacas e da posição dos judeus a respeito desse delicado e controverso assunto. “O leitor deve saber que de Berlim, Varsóvia e Budapeste vieram muitos imigrantes, porém se surpreenderá ao saber que mais ainda vieram de três pequenas aldeias do norte da Bessarabia: Securon, Britchon e Yedenitz”, completa.

 

Há um capítulo dedicado aos bessarabers de São Paulo. Há vários relatos sobre as diferenças existentes entre os imigrantes que vinham da Rússia, Polônia, Alemanha, Hungria e Turquia e como eram resolvidos (ou não) os seus conflitos culturais, bem como o papel dos rabinos na primeira metade do século XX.

 

 

 

A BELEZA E TALENTO DE TÔNIA

 

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Olhos azuis, cachinhos dourados, jeito de princesa. A mãe desde cedo notou: Mariinha não tirava uma foto natural. Em todas, fazia pose. Se desde pequena já seria possível adivinhar a vocação da menina, a feição angelical disfarçava a mulher de fibra,  grandes vontades e  decidida em que se transformaria algumas décadas depois.

 

Era, desde sempre,  “Movida pela paixão”, como  o título do livro que traça o perfil de Maria Antonietta Portocarrero, ou simplesmente Tônia Carrero, como se tornaria conhecida do grande público. A obra, escrita pela jornalista Tania Carvalho, faz parte da Coleção Aplauso Especial, produzida em grande formato e papel especial, pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

 

A beleza excepcional, por si só, já lhe podia ter garantido fama. Mas o talento como atriz, comprovado nas 54 peças, 19 filmes, 15 novelas e 9 programas especiais de TV em que atuou, sempre em papéis marcantes, a partir do final da década de 1940 e incansavelmente até hoje, a levou ainda mais longe: a fez se tornar uma das mais consagradas atrizes brasileiras e, para muita gente, a “grande dama do teatro brasileiro”. Além do texto bem costurado de Tania Carvalho, o livro traz depoimentos de amigos e colegas da atriz. E a cada página, fotografias registram sua atuação nos diversos trabalhos.

 

Tônia Carrero nasceu em 23 de agosto de 1922. Era filha de militar e de mãe severa. Com uma combinação de “arrojo, inquietude e força”, como diz sua biógrafa, ela venceu todas as dificuldades que uma mulher de sua geração e com sua origem, que pretendia ser atriz, encontrava pela frente.  Na época de normalista, já sonhava com Hollywood, e pensava em Paris quando passeava na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro. Aos 17 anos, a primeira rebeldia: casa-se com o jovem Carlos Arthur Thiré, artista plástico cinco anos mais velho, filho de pais desquitados. Dois anos depois, nasce o filho Cecil Thiré, pai de seus netos.

 

Moça atlética, ela primeiro estudou educação física, curso no qual se formou em 1941. Somente depois disso, descobriria a verdadeira vocação: numa temporada com o marido em Paris, estuda teatro e tem seu talento revelado por professores franceses. Sua estreia ocorre no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), com a peça “Um Deus Dormiu Lá em Casa”, em 1949.

 

No palco, o parceiro era o ator Paulo Autran, por quem se apaixonou e que seria seu amigo de toda a vida. A direção coube a Adolfo Celi, com quem se casaria em 1957. A atriz teve ainda um terceiro marido, o empresário César Thedim.

 

Com Autran e Celi, revolucionaria o teatro brasileiro das décadas de 50 e 60 com montagens elogiadas de autores clássicos como Shakespeare, Pirandello e Ibsen, e de vanguarda como Sartre.  Na TV, o grande público a conhece por novelas como “Pigmalião” (1970) – quando exibiu um corte de cabelo que virou moda e recebeu na época o mesmo nome da novela --, “Água Viva” (1980), “Louco Amor” (1983) e “Sassaricando” (1987).

 

No cinema, a participação foi menos constante, mas fez trabalhos importantes como “É proibido beijar” (1957), de Ugo Lombardi, e “A bela Palomera” (1988), de Ruy Guerra. Sobretudo, em todos os momentos foi movida pela paixão. “Tudo na minha vida aconteceu em decorrência de paixões. Sempre quis viver longe da racionalidade. A paixão me empurrou, me fez fazer coisas e por isso não me arrependo de nada”, diz a atriz.

 

A biógrafa conta que teve toda colaboração da atriz na hora de aprontar o livro. “Tônia foi incansável em remexer em seus arquivos, contar histórias, procurar material de texto. Todas as vezes que nos encontramos em sua casa no Jardim Botânico, onde viveu as últimas décadas e se preparava para mudar e começar uma vida nova no Leblon,Tônia foi de uma gentileza enorme, mesmo quando já estava cansada de tanto puxar pela memória ou mesmo de remexer nas gavetas em busca das melhores fotos”, explica Tania Carvalho.

 

Tônia Carrero – Movida pela paixão

Coleção Aplauso Especial / Imprensa Oficial do Estado de São Paulo

R$ 30,00 - 276 páginas

 

 

 

OS PERSONAGENS DA NOSSA IMPRENSA

 

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Esta série editada e planejada pela Imprensa Oficial, em parceria com a Rede Alcar – Rede Alfedo de Carvalho e a Universidade Metodista – é um dos maiores resgates da memória da imprensa nacional já realizados no país.

 

Nos três primeiros volumes, foram perfilados 54 personagens da história midiática brasileira, de Assis Chateaubriand a Tarso de Castro, de Samuel Wainer a Carlos Lacerda, de Erico Veríssimo a Vladimir Herzog. Um trabalho de fôlego, que, nas palavras do organizador José Marques de Melo, serviu para preencher parte de uma triste realidade brasileira: a falta de preservação da memória nacional.

 

“Esse descaso em relação à memória da imprensa traduz em certo sentido a atitude de pátria referente à própria memória nacional, principalmente no âmbito da cultura não erudita, condenando ao esquecimento as instituições, os fatos e os personagens que também fizeram história”, escreve José Marques, no prefácio do livro, lançado no dia 10 de setembro, quando se comemora o Dia da Imprensa, em São Paulo.

   

Neste quarto volume da série, outros 18 personagens da mídia brasileira são retratados: Alfredo de Carvalho, Carlos Castello Branco, António Isidoro da Fonseca, Antonio Callado, Cosme de Farias, Joel Silveira, Aluísio Azevedo, Roberto Mario Santini, Álvaro Moreira, Nabantino Ramos, Lauro Hagemann, Adorinan Barbosa, Nelson Rodrigues, Fortunato Losso Netto, Clóvis Noschang, Adelmo Genro Filho, João Saldanha e Daniel Herz. Contar a trajetória desses 18 personagens é contar a história política, cultural e econômica de um país.

 

É impossível, por exemplo, pesquisar a história da política brasileira contemporânea sem esbarrar no nome de Carlos Castello Branco, o jornalista escolhido para abrir o segundo perfil do livro – o primeiro perfil, “Precursor do pensamento jornalístico brasileiro”, escrito por José Marques de Melo, é dedicado a Alfredo Carvalho, jornalista que se notabilizou pelo resgate da memória da imprensa brasileira no século 19 e que hoje dá nome à rede Alcar.

 

“Carlos Castello Branco – A opinião no jornalismo brasileiro”, escrito pela pesquisadora e professora Ana Regina Rego, doutora em Comunicação pela UMESP.  A coluna de Castelo no “Jornal do Brasil” é um marco do jornalismo político brasileiro. “Apesar de ser chamado no diminutivo, o piauiense Castelinho era temido por todos os políticos, revelando em sua coluna fatos de bastidores que desestabilizaram vários governos. Nunca conseguiram calá-lo, apesar de ser preso e ameaça de morte por diversas vezes. É de sua mulher, Élvia, a melhor definição sobre o “homem” Castelo, reproduzida no livro: “Era muito espirituoso, irônico, cheio de verve (...) Mas tinha também seus defeitos: era impaciente, não tolerava impontualidade e burrice, não dava bom dia, nem boa tarde”.

  

Igualmente polêmico e temido era Joel Silveira, tema do capítulo “Joel Silveira – Correspondente de Guerra”, escrito pelo jornalista Fernando Albuquerque Miranda, mestre em Letras pela UFSJ. Conhecido como “ A Víbora”, Joel é talvez, ao lado de Samuel Wainer e David Nasser, o mais brilhante repórter de sua geração.

 

Ao ser escalado por Assis Chateaubriand para fazer a cobertura jornalística da Segunda Guerra Mundial pelos Diários Associados, abriu sua primeira reportagem como correspondente com a seguinte frase: “Bem, meu nome é Joel Silveira, jornalista de 26 anos, e estou indo para a guerra. Voltarei?”. Voltou e fez história, tornando-se um dos precursores do jornalismo literário no Brasil. O livro reproduz uma das últimas grandes entrevistas de Joel, concedida no dia 14 de dezembro de 2006, praticamente um ano antes de sua morte, em agosto de 2007. Entre muitas histórias e revelações, uma rápida aula de jornalismo:

 

- “Bom, o mau repórter é aquele que quer inventar, quer enfeitar a notícia. Eu acho a notícia uma coisa muito sagrada. A notícia é a notícia, o fato é o fato, você não pode acrescentar nenhuma coisa ao fato”.

   

Nelson Rodrigues dispensa apresentações. Sua contribuição para a imprensa brasileira é gigantesca, perene, e talvez por isso Daisi Irmagard Vogel, doutor em Literatura e o autor do capítulo “As crônicas de Nelson Rodrigues em Manchete Esportiva”, tenha escolhido um determinado período da fase do jornalista e dramaturgo para desenvolver seu texto. Período, aliás, escreve Vogel, determinante para definir uma identidade duradoura de Nelson: o cronista de esportes.

 

Na Manchete Esportiva, a popular revista da Bloch Editores, do Rio de Janeiro, que circulou semanalmente entre novembro de 1955 e maio de 1959, publicou 156 crônicas de Nelson. Um privilégio e tanto – ninguém, até hoje, conseguiu reproduzir a força dramáticas de suas crônicas esportivas. Ou há alguma dúvida: Naquele tempo (em 1911) tudo era diferente. Por exemplo: - a torcida tinha uma ênfase, uma grandiloqüência de ópera. E acontecia o sublime: - quando havia um gol, as mulheres rolavam em ataques. Eis o que empobrece liricamente o futebol atual: - a inexistência do histerismo feminino.

 

Imprensa Brasileira – Personagens que fizeram história. Vol.4

José Marques de Melo (organizador) da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/Universidade Metodista 288 págs. R$ 65,00

 

 

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