vidaememoria
 


HOMENAGENS

(...) QUANDO TIVE TEMPO,
DESCOBRI QUE MEU TEMPO TINHA ACABADO.

DORIVAL CAYMMI

O BAIANO MAIS CARIOCA SE FOI


caiymmiO cantor e compositor baiano Dorival Caymmi morreu no dia 16 de agosto último, aos 94 anos, em sua casa em Copacabana,no Rio de Janeiro. Ele sofria de insuficiência renal e teve falência múltipla dos órgãos. Caymmi lutava contra um câncer renal desde 1999 e permanecia em internação domiciliar desde dezembro de 2007.

Nascido em Salvador em 30 de abril de 1914, Caymmi mudou-se para o Rio
no final dos anos 30, mas nunca deixou de retratar a Bahia em seu
trabalho. Entre seus sucessos estão "O que É que a Baiana Tem?", imortalizada na voz de Carmen Miranda, "Maracangalha", "Promessa de Pescador", "Saudade de Itapoã", "Rosa Morena". Escreveu mais de cem composições.


Dorival Caymmi gravou cerca de 20 discos em 60 anos de carreira,
tendo suas composições gravadas por dezenas de intérpretes com variadas
versões.


Antes de conhecer o sucesso e virar cantor de rádio no Rio, Caymmi
trabalhou como jornalista em Salvador. Foi na Rádio Nacional que
conheceu a cantora Stella Maris, que em 1940 se tornou sua mulher.

A Prefeitura do Rio através de um decreto deu seu nome  a uma rua no Leblon, na Zona Sul da cidade Conhecida como Rua B, ela começa na Avenida Visconde de Albuquerque, lado par, depois da Rua Capitão César de Andrade.


FICOU SO POR POUCO TEMPO

O cantor era casado há 68 anos com a cantora Stella Maris e deixou três filhos, Dori, Nana e Danilo, também músicos, além de sete netos e cinco bisnetos.

Musa inspiradora de Caymmi, Stella sua mulher sofria de problemas cardíacos e estava em coma há duas semanas. A família achou que este foi um dos motivos que abalaram sua saúde.

Na tarde de 27 de agosto, aos 85 anos, Stella foi se unir a Dorival. A causa da morte de Stella não foi especificada pelo boletim médico do Hospital Pró-Cardíaco, onde se encontrava sob os cuidados do Centro de Tratamento Intensivo (CTI).


"TIVE MEDO [DE MORRER] EM VÁRIOS MOMENTOS, MAS SEMPRE FUI EMPURRADO PARA A VIDA. MINHA MÃE ERA ASSIM E ME ENSINOU A TER ESSA POSTURA POSITIVA, A VIRAR A PÁGINA E CONTINUAR CAMINHANDO. ISSO FOI DE GRANDE VALIA QUANDO EU SOUBE DO DIAGNÓSTICO"
(RAUL CORTEZ, REVISTA ABCÂNCER, EM 2005)

UM EXEMPLO DE ELEGÂNCIA

raul-cortezO nome identificava nobreza: Raul Christiano Machado Pinheiro de Amorim Cortez. Fora isso, ele era uma pessoa extremamente elegante, um ator dedicado, sério e bastante querido.
Quando faleceu em julho de 2006, de câncer, aos 73 anos, foram ao seu velório cerca de 10 mil pessoas. O público aplaudiu a saída do caixão, daquele que tinha em seu currículo mais de 100 personagens em teatro, televisão e cinema e muitos prêmios. No teatro, Cortez recebeu cinco prêmios Molière.
Segundo a assessoria da Globo, Cortez nasceu no dia 28 de agosto de 1932, na região de Santo Amaro, em São Paulo. Mas, o começo de carreira foi difícil. O paulista Raul Cortez falava que o pai, Rui, não aceitou sua escolha profissional, o que lhe rendeu muitas sessões de análise.
O ator começou sua carreira no teatro e no cinema, nos anos 50. Fez o filme "O Pão Que o Diabo Amassou" (1957), dirigido pela cineasta Maria Basaglia. Outras atuações de destaque foram nos filmes "Lavoura Arcaica" (2001), de de Luiz Fernando Carvalho, e "A Grande Arte" (1991), de Walter Salles. Em 2004, brilhou ao lado de Fernanda Montenegro no filme "O Outro Lado da Rua", de Marcos Bernstein.
Nos anos 70, ele provocou polêmica declarando a uma revista que todas as pessoas eram bissexuais. E revelando no final de vida que não estava sozinho e que amor e sexo não têm idade.

Seu último trabalho foi na minissérie "JK" (Globo) neste ano, mas a lembrança mais presente é do personagem Jeremias Berdinazzi, imigrante italiano ranzinza da novela "O Rei do Gado" (1996-1997). A última novela feita por ele foi "Senhora do Destino", em 2004.

Cortez ficou famoso na TV em novelas na Globo, a partir dos anos 80, como "Água Viva" (1980), "Baila Comigo" (1981), "Partido Alto", "Brega & Chique" (1987), "Mandala" (1987-1988), "Rainha da Sucata" (1990), "O Rei do Gado" (1996-1997), "Terra Nostra" (1999-2000) e "Esperança" (2002-2003).

Como alguns de seus personagens, Raul tinha bom humor e ensinava: Quem se leva muito a sério acaba ficando ridículo.

Quando perguntado se a constatação da passagem do tempo o deprimia, respondeu: “Não, tenho bom humor e nada disso me abate. É uma coisa normal, o importante é ter bagagem, é ter escrito e continuar escrevendo sua biografia. A passagem do tempo é irreversível e o que já vivi foi bacana, o balanço é positivo”.


A NOSSA PRIMEIRA CINEASTA

Gilda-de-AbreuGilda de Abreu Celestino nasceu em 23 de setembro de 1904 em Paris, França. Veio para o Brasil para ser batizada quando tinha apenas 4 anos, instalando-se definitivamente no Rio de Janeiro. Foi a primeira cineasta a fazer sucesso e carreira no cinema brasileiro.

Filha de uma cantora lírica e de um médico, Gilda estudou no Conservatório Nacional de Música, revelando-se uma excelente soprano do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, como intérprete de óperas de Rossini, Offenbach e Delibes.

Gilda também abraçou o teatro musicado e foi compositora de várias canções. Em 1933 estréia no Teatro Recreio com a peça musicada "A Canção Brasileira", de Luiz Iglesias e Miguel Santos. Seguem-se então, entre outras, "A Casa Branca", de Freire Junior, "A Cantora do Rádio", de Miguel Santos, e "Jurity", de Viriato Correia e Chiquinha Gonzaga.

Artista completa ela mergulhou de cabeça nos meandros da criação e da interpretação, roteirista e diretora. - Antes de se tornar diretora, Gilda é atriz, romancista, autora teatral e de rádio-novelas. Casou em 1933 com o  cantor Vicente Celestino e fizeram grande sucesso juntos.

Em 1935, estrelou o filme de Oduvaldo Viana Bonequinha de seda, baseado na valsa de mesmo nome, de sua autoria, um dos sucessos de Vicente Celestino. Nesse mesmo ano, compôs a opereta Aleluia, estreada em 1939, no Teatro Carlos Gomes, do Rio de Janeiro.

Em 1937 fez o filme Alegria, que não teve grande repercussão. Em 1942, escreveu a letra das canções Mestiça, música era de Ary Barroso e Ouvindo-te, de Vicente Celestino. Até 1944, esteve ligada a uma companhia de operetas, da qual Vicente também fazia parte, que realizou excursões por todo o Brasil

Seus filmes, que se tornaram material obrigatório de estudo para cinéfilos, retratam a fase pioneira do cinema nacional. . Em 1946 escreveu o roteiro e dirigiu o filme O ébrio, inspirado em outra composição de sucesso do marido, que atuava no papel-título, que foi de estrondoso sucesso de público, consagrando-a.
 
Em 1949 escreveu o roteiro e dirigiu o filme Pinguinho de gente e, em 1951 escreveu o roteiro, dirigiu e interpretou o papel principal do filme Coração materno, título de outro grande sucesso de Vicente Celestino.

Em 1950 compôs com Vicente Celestino e Ercole Varetto a opereta A patativa, e escreveu com Luís Iglésias o libreto da opereta Olhos de veludo (música de Vicente Celestino). Autora de vários livros infantis e romances, publicou também A vida de Vicente Celestino, São Paulo, 1946.

Faleceu em 04 de Junho de 1979, aos 74 anos de idade, no Rio de Janeiro. Dois anos antes de sua morte, dirigiu o curta Canção de Amor.

_________________________

Direitos autorais (Lei federal nº 9.610/98) - Quando da utilização de material  deste site, deve ser feita a seguinte referência: "extraído de www.idademaior.com.br"